Ano turístico 2009 com balanço negativo

4 03 2010

A análise da ILM Advisory aos principais indicadores de performance do sector permite concluir que o ano de 2009 foi um ano complicado para o mercado turístico nacional, com fortes impactes ao nível da aviação e da hotelaria, destacando-se no entanto a boa performance verificada ao nível da rubrica dos cruzeiros, ao nível do número de visitantes nos museus nacionais, assim como na venda dos tradicionais pastéis de Belém.

O balanço do ano turístico vivenciado em Portugal apresentado cobriu importantes rubricas do sector, tais como – número de passageiros nos aeroportos e portos nacionais, dormidas efectuadas em estabelecimentos hoteleiros, número de visitantes em atracções turísticas nacionais, entre outras.

A conjuntura de crise económica teve grandes consequências no sector turístico nacional mas foi igualmente sentida na maioria dos destinos turísticos internacionais, com repercussões não só em distintas actividades económicas bem como nos hábitos de lazer dos turistas.

Movimentos de Passageiros nos Aeroportos

De acordo com as informações referentes aos movimentos de passageiros registados nos quatro principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro e Funchal), assistiu-se em todos estes a um decréscimo no número total de passageiros sendo que os aeroportos de Faro e do Funchal foram os mais afectados ao receberem, respectivamente, menos 385.908 (-7,1%) e 100.534 (-4,1%) passageiros relativamente a 2008. Comparativamente às duas situações anteriores o aeroporto de Lisboa foi alvo de um decréscimo menos expressivo em termos percentuais (2,6%), porém em termos reais este recebeu menos 348.000 passageiros o que significa que a sua quebra foi superior à sentida no aeroporto do Funchal. Neste quadro negativo, o aeroporto do Porto foi aquele que alcançou a melhor performance ao apenas registar um decréscimo de 0,6%, correspondente a menos 26.463 passageiros. Este factor pode ser justificado pela crescente procura de que este destino tem sido alvo fruto do aumento das rotas low cost a operarem naquela estrutura. Para tal, a abertura da primeira base de uma companhia low cost (Ryanair) no aeroporto em causa, veio contribuir para minimizar a tendência generalista de diminuição dos fluxos de passageiros nos aeroportos, garantindo ligações aéreas em maior número e regularidade. Por outro lado, o facto do aeroporto do Porto ter sido novamente considerado em 2009 como o terceiro melhor aeroporto da Europa (distinção igualmente atribuída em 2006 e 2008 pela Airports Council International) veio não só aumentar da visibilidade do aeroporto, bem como a sua credibilidade, proporcionando a confiança para que novas companhias aéreas estabelecessem rotas para aquela estrutura.

Movimentos de Passageiros nos Cruzeiros

Paralelamente aos aeroportos, os navios de passageiros são uma importante fonte de informação no que concerne ao número total de turistas num determinado destino. Estes constituem igualmente um ponto de fluxo de turistas, pois estando associados à entrada e saída de turistas, têm capacidade de gerar dormidas para a hotelaria local. Tendo em conta a informação disponibilizada pelos Portos de Lisboa e do Funchal é possível constatar que apesar de se ter registado um decréscimo no número total de escalas efectuadas nos dois portos em questão – menos 13 em Lisboa e menos 7 no Funchal – em comparação a 2008, assistiu-se a um incremento do número total de passageiros. No que diz respeito ao número de passageiros embarcados, desembarcados e em trânsito, o porto do Funchal ultrapassou todos os valores alcançados em 2008 excepto os passageiros embarcados, ao passo que o de Lisboa ficou aquém no que concerne ao número total de passageiros em trânsito. Assim verificou-se uma variação total de passageiros de 2% em Lisboa e 7,5% no Funchal, representando 8.296 e 30.515 passageiros respectivamente, contribuindo igualmente para as economias locais, uma vez que estes geraram receitas ao nível de dormidas, restauração, atracções turísticas, entre outros elementos.

Outros indicadores como a abertura da primeira agência de cruzeiros MSC Cruzeiros em Lisboa, vem igualmente comprovar o crescente potencial do nosso país para dar resposta ao produto turístico náutico.

Ainda na temática do turismo náutico é importante mencionar o número crescente de turistas que procuram a região do Douro para a realização de cruzeiros. De acordo com a empresa DouroAzul, a empresa mais representativa organizadora de cruzeiros na região, esta transportou 104.270 passageiros em 2009, ou seja mais 4,3% comparativamente a 2008. No que toca às receitas esta empresa gerou igualmente mais 683.874€ do que no ano anterior, o que comprova assim a importância deste produto turístico para a economia da região.

Dormidas e Proveitos na Hotelaria

As dormidas em estabelecimentos hoteleiros são sem dúvida um dos mais importantes indicadores da performance turística de um determinado destino, sendo assim de extrema importância proceder-se a uma análise desta rubrica. Tendo por base os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) será efectuada uma análise desta rubrica a nível nacional, procedendo-se posteriormente a uma mais pormenorizada para os dois principais destinos turísticos nacionais – Lisboa e Algarve.

Os dados relativos à performance do sector turístico nacional no ano de 2009 permitem constatar que o ano transacto não foi de facto um ano positivo para o sector do turismo tendo-se registado decréscimos ao nível do número de hóspedes (menos cerca de 465.000), dormidas, proveitos totais e RevPar (Revenue per Available Room).

Em comparação com 2008 registaram-se cerca de menos 2.5M de dormidas, descida esta justificada pelo decréscimo de turistas estrangeiros em Portugal os quais obtiveram uma quebra na ordem dos 10,7%, ou seja cerca de 2.8M de dormidas. Para este decréscimo contribuíram os britânicos (-21,4%/ -1.561.054 dormidas), irlandeses (-13,2%/ -135.286 dormidas), italianos (-12,9%/ -120.140 dormidas), alemães (-8,9%/ -324.341 dormidas) e holandeses (-8,5%/ -167.765 dormidas). A performance positiva dos mercados francês (1,6%) e espanhol (5,4%) serviu para atenuar a das restantes nacionalidades, porém não em dimensão suficiente para mitigar as quebras registadas no global – mais 25.519 e 164.520 dormidas respectivamente. O mercado interno registou igualmente um acréscimo em relação a 2008 ao efectuar mais 289.688 dormidas em território nacional (2,2%).

Das sete regiões nacionais, apenas o Alentejo e o Norte apresentaram subidas no número total de dormidas registadas – mais 49.708 (4,6%) e 57.901 (1,4%) dormidas, respectivamente. Madeira, Açores e Algarve obtiveram a performance mais desvantajosa com quebras iguais a 11,2%, 10,8% e 9,1%, correspondentes a 693.909, 121.296 e 1.291.699 dormidas respectivamente.

Importa igualmente salientar que no que concerne às dormidas efectuadas nas distintas categorias de estabelecimentos hoteleiros considerados, os motéis foram os únicos a apresentar uma variação homóloga positiva (6,6%). Por outro lado, os aldeamentos turísticos e as estalagens foram aqueles que registaram as maiores quebras – iguais a 15,3% e 14,8%, respectivamente.

No que diz respeito aos proveitos totais no sector da hotelaria, tal como referido previamente, verificaram-se igualmente decréscimos sendo que no ano transacto (2oo9) estes se cifraram nos 1.775 Milhões de euros correspondendo a uma quebra de 9,7% relativamente ao ano de 2008. O RevPar decresceu em 4€ (13%) passando de 31,4€ em 2008 para 27,4€ em 2009, redução esta acentuada e que se ficou a dever, nomeadamente, às campanhas promocionais efectuadas pelos estabelecimentos hoteleiros as quais tiveram como objectivo fazer frente às quebras previstas ao nível da procura.

  • Lisboa

De acordo com os dados disponibilizados pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL) as unidades hoteleiras localizadas na área promocional de Lisboa registaram quebras nas três rubricas em análise – Ocupação, PMQV (Preço Médio por Quarto Vendido) e RevPar. No que diz respeito à ocupação por quarto constatamos que das três categorias em análise – três, quatro e cinco estrelas – as unidades de 5 estrelas foram as mais afectadas no comparativo de 2009 face a 2008, ao registarem uma descida de 9,2% nesta rubrica (41,41% em 2009 vs 49,8% em 2008). Relativamente ao PMQV é possível verificar que os estabelecimentos de 5 estrelas foram igualmente aqueles que sofreram as maiores quebras neste ponto (23,26€), seguidos pelos de 4 estrelas (4,91€) e por fim dos de três estrelas (1,38€). Esta situação é justificada devido à designada crise económica, a qual revelou grande sensibilidade para valores superiores de alojamento. Por fim, relativamente ao RevPar, constatou-se que os hotéis de 5 estrelas foram os mais afectados ao sofrerem uma quebra nesta rubrica igual a 23,22€, alcançando assim um RevPar de 57,41€ face ao de 80,63€ obtido no ano anterior (2008). Os hotéis de 4 estrelas foram os obtiveram a segunda maior quebra em relação ao valor alcançado em 2008, menos 6,18€, ao registarem um RevPar de 39,61€ em 2009. Por fim, as unidades de 3 estrelas foram as que obtiveram a melhor performance, no sentido em que a sua redução no RevPar de um ano para o outro foi somente igual a 3,52€, passando de 33,48€ em 2008 para 29,96€ em 2009. Assim sendo pode-se concluir que o ano de 2009 não foi um ano positivo para as unidades hoteleiras situadas na área promocional de Lisboa, e especialmente para aquelas que se enquadram nas categorias superiores.

  • Algarve

Já no que diz respeito à performance do destino Algarve esta região sofreu quebras ao nível das taxas de ocupação, dormidas e proveitos. Segundo os dados da AHETA (Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve), o Algarve sofreu uma quebra na ordem dos 12% ao nível das taxas de ocupação no comparativo de 2009 face a 2008 ao obter taxas de ocupação iguais a 51,6% e 59,1%, respectivamente. Ao nível das dormidas, e de acordo com os dados disponibilizados pelo INE, esta região registou aproximadamente menos 1.2M de dormidas o que representou uma diminuição igual a 9,1%. Importa porém mencionar que, apesar das quebras registadas, o ano turístico de 2009 foi precedido por dois anos turísticos em que se alcançaram boas performances na região. Ingleses, Alemães e Irlandeses foram os principais responsáveis pelas quebras verificadas (23,9%, 6,9% e 5,7% correspondentes a menos 1.337.939, 83.847 e 45.097 dormidas, respectivamente), tendo o mercado nacional e espanhol registado aumentos ao nível da procura, ambos na ordem dos 12,5%, mas que no entanto se traduziram em diferentes pesos ao nível das dormidas efectuadas em 2009 – mais 383.931 por parte dos residentes e 75.483 por parte dos espanhóis. Importa porém referir que estes valores não foram suficientemente expressivos para contrabalançar as perdas sentidas ao nível das restantes nacionalidades. Este aumento por parte do mercado ibérico é justificado pelas fortes campanhas promocionais efectuadas ao longo do ano de 2009 e especificamente direccionadas para este mercado.

Assim, e de acordo com os dados do INE, no global do ano o Algarve registou 12,9 milhões de dormidas em 2009 face às 14,2 milhões obtidas em 2008 e 2,7 milhões de turistas face aos 2,9 milhões em 2008.

Segundo a AHETA, em 2009, as zonas do Algarve que obtiveram as melhores taxas de ocupação foram Vila Real de Santo António/ Monte Gordo, Albufeira, Vilamoura e Quinta do Lago/ Quarteira. Em termos de tipologias de estabelecimentos verificou-se que os hotéis e aparthotéis de 3 estrelas foram os estabelecimentos hoteleiros que registaram as taxas de ocupação mais elevadas, tendo sido seguidos pelos estabelecimentos de 4 estrelas.

De tal modo, é possível constatar que, à semelhança da Região da Grande Lisboa, também no Algarve os estabelecimentos de categoria superior (5 estrelas) foram os mais afectados no ano transacto (2009).

Atracções turísticas

Para além das rubricas anteriormente analisadas e que nos permitem saber em concreto os fluxos turísticos em território nacional no ano de 2009, existem igualmente outros indicadores turísticos relevantes, tais como o número de voltas de golfe jogadas e o número total de visitantes em atracções turísticas, os quais contribuem igualmente para a economia turística nacional.

Golfe

O golfe, aquando da definição do PENT (Plano Estratégico Nacional do Turismo), foi considerado um produto estratégico para o turismo nacional, sendo por isso relevante verificar a performance desta rubrica, sendo que, no entanto, só se possuem dados relativos aos campos localizados na região da Grande Lisboa. Assim, e de acordo com os dados disponibilizados pela ATL, no acumulado do ano de 2009 face a 2008, assistiu-se a um decréscimo no número de voltas de golfe jogadas (menos 6 voltas por campo/dia), bem como no valor dos \green fees, os quais sofreram uma redução de preço igual a 10%, ou seja menos 1,80€. Já no que concerne às receitas totais geradas assistiu-se a um incremento das mesmas em 5% (1,5€), o que se ficou a dever ao aumento dos valores dispendidos em distintos pontos de venda, destacando-se os alugueres de equipamentos e as vendas de merchandise na pro-shop.

Museus e Palácios

Nesta rubrica foram analisados os dados referentes ao número total de visitantes nos museus e palácios nacionais que se encontram a cargo do Instituto dos Museus e da Conservação. A amostra em causa é composta por 28 museus e 5 palácios.

No que diz respeito aos museus, o Museu Nacional dos Coches foi o mais visitado em ambos os anos em análise, porém de 2008 para 2009 este registou menos 30.852 visitantes, o que se traduziu numa quebra igual a 13,5%.

Apesar das quebras registadas ao nível do Museu Nacional dos Coches, a rubrica dos Museus assinalou um aumento no número total de visitantes, sendo que estas instituições no global receberam mais 89.032 visitantes, o equivalente a um crescimento igual a 7,3%. O Museu Nacional de Arte Antiga foi aquele que mais contribuiu para os aumentos verificados ao receber mais 70.421 visitantes em 2009 face a 2008. Analisando as variações mensais do número de visitantes neste estabelecimento constatamos que as grandes subidas se concentraram entre os meses de Julho e Outubro, período no qual esteve presente no Museu a exposição temporária designada por: “Encompassing the Globe. Portugal e o Mundo nos séculos XVI e XVII”, a qual retratou “a importância magna de Portugal, nos séculos XVI e XVII, na criação de redes de comunicação em tempo real, o estabelecimento de mercados internacionais e o intercâmbio cultural, artístico, científico e linguístico que permitiram à Europa, através de Portugal, influenciar e ser influenciada por culturas transcontinentais”.

Por outro lado, no que toca aos Palácios, o Palácio Nacional de Sintra foi o mais visitado em ambos os anos tendo porém igualmente registado um menor número de entradas em 2009, quando comparadas com 2008. (372.932 visitantes vs. 408.712 visitantes). Ao contrário do verificado nos museus, nesta rubrica registou-se um decréscimo global no número de visitantes, tendo-se verificado menos 19.490 entradas (-1,8%), não se considerando para o efeito o número total de visitantes na Galeria do Rei D. Luís I uma vez que só se possuem dados relativos à mesma para o ano de 2008. O Palácio Nacional de Mafra foi o único nesta categoria que obteve um incremento no número total de visitantesmais 56.358 visitantes (30%).

Castelo de São Jorge

O Castelo de São Jorge, monumento ícone da cidade de Lisboa, registou uma quebra pouco expressiva no número total de visitantes na ordem de 1% (967.7225 visitantes em 2009 vs 977.199 em 2008). Em média, durante o ano de 2009, este monumento recebeu 2.687 visitantes/dia.

Pastéis de Belém

O nosso país é igualmente conhecido pela qualidade e autenticidade da sua gastronomia, sendo que os pastéis de Belém constituem um dos doces tradicionais portugueses mais conhecidos além-fronteiras. Assim, e apesar da instabilidade económica sentida durante o ano de 2009, o mais delicioso dos indicadores desta análise escapou à designada crise tendo-se assistido ao aumento do número de pastéis vendidos. De tal modo, no comparativo do ano de 2009 vs 2008 venderam-se mais 151.100 pastéis o que representou um incremento de 2,1% nas vendas, totalizando cerca de 7.2M de pastéis vendidos no ano de 2009.

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