Autenticidade, Património, Heróis, Ícones e Turismo Cultural, o que falta a Portugal?

13 12 2010

Rita Antonieta Neves

Respondemos apenas “valorizar, cooperar e integrar, contar histórias, empacotar e capitalizar”, podendo estas ser consideradas as grandes linhas de orientação a curto prazo resultantes do Seminário “Promover Turismo – Capitalizar Cultura” organizado pela ILM na passada sexta-feira, 3 de Dezembro, na Torre do Tombo.

Valorizar o DNA cultural nacional, ou seja todos os seus recursos históricos, culturais, ambientais e sociais que caracterizam o destino e a sua autenticidade, sendo estes heróis (ex: Infante D. Henrique), ícones, locais especiais (ex: Sagres/promontório sagrado, Belém ou Guimarães enquanto berço da nacionalidade), eventos históricos (ex: guerras peninsulares), personagens (ex: Pedro e Inês ou mesmo as pinturas rupestres do Côa), entre outros suficientemente fortes para dar origem a uma viagem de descoberta e a um story telling diferenciador e catalisador de experiências.

Cooperar e integrar de forma sustentada turismo, cultura e todos os recursos, infra-estruturas e serviços que dão resposta aos requisitos base da operação de um destino turístico, potenciando um efeito hub catalisador do desenvolvimento económico local sustentável, o qual pressupõe uma integração do alojamento, da gastronomia e vinhos, das artes e ofícios e das múltiplas experiências que uma determinada região pode oferecer, etc. A diversidade de recursos existentes em território nacional não poderia ser mais atractiva para o turismo, nomeadamente para o cross-selling entre produtos e destinos e a exploração de produtos ligados ao “touring”.

Um bom exemplo desta cooperação e integração foi o apresentado por Linda Tuttiet, CEO da Hadrians Wall, cuja função visa a coordenação e agregação dos diferentes proprietários das áreas percorridas pela Muralha de Adriano, de modo a harmonizar um produto coerente ao longo de toda a Muralha. Um trabalho onde o envolvimento genuíno da comunidade, a criação de uma marca unificadora em todo o percurso da muralha, e os programas de actividades e informação foram igualmente apresentados como factores críticos de sucesso. Segundo Linda existem actualmente cerca de 15.000 negócios em torno da Muralha e a percepção de que cerca de 79% desses negócios beneficiaram com a associação à marca “Muralha de Adriano”, a qual lhes permitiu catalisar o negócio. A Muralha de Adriano compreende uma extensão aproximada de 240 km, envolvendo 4 regiões de turismo, 9 autoridades locais e 107 proprietários privados.

Contar histórias autênticas do passado e presente de uma forma atractiva, educativa, interactiva, divertida, envolvente e ajustada aos diferentes targets. As histórias e a informação têm de estar sempre disponíveis e devem estar relacionadas entre si. Aqui o envolvimento da comunidade pode e deve assumir-se como uma peça fundamental, devendo ser criados mecanismos de interacção com a comunidade para que esta constitua o maior entusiasta do produto e assumir o papel de embaixador.

Empacotar e capitalizar turismo cultural! Luis Patrão, presidente do Turismo de Portugal, salientou, durante a sua intervenção no seminário, que Portugal está na lista dos 20 maiores destinos turísticos do mundo, mas não na lista dos maiores destinos turístico cultural! Urge empacotar o Destino enquanto destino de turismo cultural, rico em autenticidade, património, locais de interesse histórico-cultural, ícones e heróis! Um esforço que só faz sentido se coordenado com os 3 requisitos anteriores em acções conjuntas entre os diferentes “players” do turismo e da cultura. É preciso colocar Portugal, enquanto destino cultural, no “top of the mind” do turista internacional e vender. Joss Croft, da visitbritain, falou na eficácia da comunicação e na concentração de esforços públicos e privados na criação de experiências/actividades combinadas, como por exemplo património arquitectónico com actividades contemporâneas, concertos em castelos ou desfiles de moda em museus, etc, no sentido de superar as expectativas dos turistas que já vêm Inglaterra um como destino Cultural e optimizar a sua performance.

Em suma e considerando que Autenticidade, Património, Heróis, Ícones e recursos afins, Portugal tem para dar e vender, o que falta mesmo a Portugal é ser capaz de “valorizar, cooperar e integrar, contar histórias, empacotar e capitalizar”, para de uma vez por todas se afirmar enquanto destino líder de Turismo Cultural!

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2 responses

14 12 2010
Martha Seabra

A organização está de parabéns, pois tudo neste seminário correu da melhor maneira.

Num raro ambiente descontraído e amigável, quer em termos de relações interpessoais e mesmo físicos / materiais, reuniram-se grandes nomes ligados à cultura e apresentaram-se inspiradores exemplos de sucesso.

Embora a escalas incomparáveis, e enraizados em tradições e hábitos díspares, os casos apresentados ainda deixam entrever alguma esperança para Portugal; quanto mais não seja, são excelentes directrizes para um eventual “bem fazer”.

Se os ingleses conseguiram desvincular-se do rótulo “grey and boring”, os portugueses também têm que lutar contra a desculpa de estar na cauda da Europa e contra a imagem rural e pouco desenvolvida que transmitem. O património, a cultura e o turismo cultural são a nossa oportunidade.

Igredientes não faltam, por isso, vamos pôr as “mãos na massa”!

17 12 2010
Muito obrigado! « I-blog

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