Luís Patrão quer visitas guiadas ao património cultural nacional

6 12 2010

Leading Sustainable Tourism2

Lisboa, 03 dez (Lusa) – O presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, defendeu hoje, em Lisboa, o investimento em visitas guiadas ao património cultural do país, “para contar a sua história“, e desta forma atrair mais turistas.

O responsável falava no Seminário “Promover Turismo – Capitalizar Cultura”, que decorre durante o dia de hoje na Torre do Tombo, iniciativa do Grupo ILM (Leading Sustainable Tourism) com o apoio do Turismo de Portugal e do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

O turismo tem tudo a ganhar com a actividade cultural. Nós temos um bom produto, a História, o clima, o património, mas não somos ainda capazes de explorar devidamente estas potencialidades“, avaliou Luís Patrão perante uma audiência composta por agentes do sector da cultura e do turismo.

Elogiou projectos do IGESPAR como o da Rota das Catedrais – resultado da cooperação com a Igreja Católica, que envolve 25 Catedrais de todo o país, incluindo Açores e Madeira – mas apontou que “não têm a espectacularidade de outras capitais europeias, portanto não podemos competir com elas”.

O que temos em Portugal é a autenticidade e a História, que deve ser contada no próprio local“, sustentou, defendendo uma maior aposta nas visitas guiadas aos turistas que visitam o país.

Recordou dados de um inquérito realizado em Agosto deste ano, que apontava para a avaliação positiva de 91% dos inquiridos que tinham visitado Portugal, 44% dos quais com expectativas acima do esperado.

Luís Patrão recordou que, desde a criação do Turismo de Portugal, em 2007, tem vindo a apostar numa área nova de actividade: a da ligação entre turismo e cultura, através de projectos que estabeleçam pontes entre os dois sectores.

O turismo não pode andar a pedir a chave à senhora que mora ao lado do castelo porque umas vezes ela está e outras não“, exemplificou, entre as dificuldades o sector enfrenta em Portugal.

Luís Patrão apontou ainda que “há casos em que são exigidas obras, outros em que só falta animação e vontade” para realizar iniciativas de atracção turística.

Uma visita guiada a um monumento durante a qual se conta a sua história pode ser inesquecível“, salientou o presidente do Turismo de Portugal, apontando ainda que o país está na lista dos 20 maiores destinos turísticos do mundo, mas não na lista dos 20 maiores destinos turístico culturais.

Joss Croft, diretor regional europeu da Visit Britain, um organismo que promove o Reino Unido como destino turístico, referiu que 50% das pessoas que visitam o país passam apenas por Londres.

O grande objectivo desta entidade financiada pelo Governo britânico “levar os turistas a explorar o país“.

Nos estudos de mercado que têm efectuado, descobriram que “poucos visitantes se classificam como turistas culturais, mas os seus interesses vão habitualmente lá parar“.

Joss Croft indicou que o Reino Unido é sobretudo procurado pelos museus, pelos pubs (bares populares), pelo futebol e pela história.
(AG)

Anúncios




Especial – Seminário Promover Turismo. Capitalizar Cultura

25 11 2010

Seminário ILM - Promover Turismo, Capitalizar Cultura

Caros Amigos,

A pouco mais de uma semana da realização do Seminário Promover Turismo – Capitalizar Cultura, que o Grupo ILM está a organizar com o apoio do Turismo de Portugal e IGESPAR, tomamos a liberdade de preparar uma selecção de notas de opinião desenvolvidas pela nossa Equipa do Laboratório de Turismo Cultural relacionadas sob a temática deste seminário.

O Seminário Promover o Turismo – Capitalizar a Cultura pretende constituir uma oportunidade de reforçar o diálogo entre turismo e cultura como forma de criar sinergias e simbioses sustentáveis com efeitos práticos, produzindo benefícios socioeconómicos para todos os seus stakeholders.

Serão apresentados exemplos de boas práticas em cooperação, organização, gestão e financiamento através dos casos de sucesso incluindo da VisitBritain, Hadrian’s Wall Country e Heritage Lottery Fund UK.

ALGUNS DOS ORADORES CONFIRMADOS:
_Luís Patrão, Turismo de Portugal
_Gonçalo Couceiro, IGESPAR
_Joss Croft, Visit Britain
_Emma Carver, English Heritage
_Gareth Maeer, Heritage Lottery Fund
_Linda Tuttiett, Hadrians Wall Country
_Alisdair Hinshelwood, HaleySharpDesign
_Simon Ody, The Visitor Attraction Company

Fazendo votos que a esta iniciativa e o programa de seminário proposto pela nossa Equipa do Laboratório de Turismo Cultural vá ao encontro das vossas expectativas, desde já agradecemos a atenção dispensada e relembramos que se ainda não teve oportunidade de fazer a sua inscrição basta preencher e nos devolver o Programa e Ficha de inscrição de acordo com os moldes de participação disponíveis.

Contamos com a participação!

Melhores cumprimentos,
Simon Punter

ESPECIAL SEMINÁRIO PROMOVER TURISMO CAPITALIZAR CULTURA

O património cultural é único a cada país e espelha a sua identidade (turística) – Entrevista Ambitur com Simon Punter e Andrew Coutts
No final de 2009, a ILM decidiu avançar com a criação de um Laboratório de Turismo Cultural (LTC) concentrando esforços internos e reunindo um conjunto de parceiros especialistas em áreas como o planeamento, design, sustentabilidade e operação de “heritage visitor attractions”, no desenvolvimento de uma abordagem crítica de análise e optimização e valorização do património histórico cultural nacional. Apesar de Sagres, Sintra e Belém serem dos locais mais visitados do país, com milhões de turistas, estão sub-aproveitados ao nível do contributo que dão à projecção da imagem nacional e ao nível das receitas que conseguem gerar.

Turismo, sustentabilidade, cultura e património
A noção de sustentabilidade da cultura e património enquanto negócio não é nova em Portugal, havendo claramente casos de sucesso como por exemplo a Fundação Serralves ou a Parques Sintra Monte da Lua. No entanto estas são ainda excepções uma vez que a maioria das atracções culturais apenas mantém portas abertas por via de financiamento/subsídio, seja ele local ou central.

O Mundo já lhe chama Culturtainment
Um pouco por todo lado o património histórico-cultural de grande interesse turístico tem vindo a ser desenvolvido e gerido de forma a promover verdadeiras experiências culturais – culturtainment. A forma como se contam a(s) história(s) dos objectos, os eventos, as personagens, o cuidado do design que serve de palco à exibição do acervo cultural e a forma como se promove a interacção entre o visitante e este, proporcionam um contexto único e diferenciador de aprendizagem e(m) lazer.

Simon Punter explica Laboratório de Turismo Cultural
Desde 1999 que a ILM desenvolve exclusivamente projectos de turismo, sejam estes de puro planeamento turístico (a nível macro) ou hoteleiros, resort, golfe e spa, por exemplo. Ainda que a sua notoriedade e curriculum estejam muito associada ao desenvolvimento de resorts integrados, a nossa ligação e o nosso compromisso é com o desenvolvimento sustentável do turismo em Portugal, e é esse compromisso que tentamos sempre respeitar quando estamos a trabalhar num novo projecto independentemente do seu tipo e que já tem incluído âncoras de desporto, saúde, retalho e por aí fora .

ILM Advisory reforça área de consultoria a património histórico-cultural
A ILM Advisory oficializou a sua parceria com Simon Ody da “The Visitor Attraction Company”, com o objectivo de poder dar uma resposta especializada às necessidades decorrentes do desenvolvimento, implementação e gestão de equipamentos de lazer e património “visitor attractions”, cuja eficiência seja essencial à sua sustentabilidade. (https://ilmadvisory.wordpress.com/2010/11/04/ilm-advisory-reforca-area-de-consultoria-a-patrimonio-historico-cultural/)

Para download do programa e ficha de inscrição clique AQUI

Para mais informações, por favor contactar:
Organização Seminário
ILM Group
Nelson Carvalheiro
Av. da Liberdade Nº230, 1º Piso, 1250-148 Lisboa
Tel: 210 305 027(8)
E-mail: ncarvalheiro@ilm-group.com

Logistica Seminário
CPL Events
Rua das Calçadas, Vivenda Pereira, 1º andar, 2755‐277 Cascais
Tel: 21 400 35 40
Fax: 21 406 08 29
E‐mail: heritage@cplevents.pt

Comunicação Seminário
Fonte-Consultores de Comunicação
Maria João Pinto Coelho
Rua de S. Bernardo, 60 C, 1200-826 Lisboa
Tel: 21 392 99 90
Fax: +351 21 392 99 99
E-mail: maria.coelho@fontecomunicacao.pt





ILM, Turismo de Portugal e IGESPAR organizam Seminário Promover Turismo, Capitalizar Cultura

11 11 2010

ILM, Turismo de Portugal e IGESPAR organizam Seminário Promover Turismo, Capitalizar Cultura

O Grupo ILM, com o apoio do Turismo de Portugal e do IGESPAR, está a organizar o SeminárioPromover o Turismo ~ Capitalizar a Cultura” dirigido especialmente aos intervenientes das áreas do Turismo e Cultura em Portugal, que se realiza no dia 3 de Dezembro na Torre do Tombo em Lisboa.

O Seminário, de um dia, promete fomentar o debate entre entidades chave do sector público e privado do Turismo e da Cultura sobre a importância da sustentabilidade do património cultural, seu planeamento, estratégia e visão, em função da experiência do visitante e turista enquanto factores críticos e catalisador de sucesso ao seu desenvolvimento.

O tema contextualiza-se na optimização do património cultural nacional recorrendo à sua recuperação e/ou operação sustentável, com foco nas necessidades de experiências educacionais e culturais dos visitantes, sem comprometer a autenticidade e nobreza do património e da cultura.

Promover o Turismo ~ Capitalizar a Cultura” pretende constituir uma oportunidade de reforçar o diálogo entre turismo e cultura como forma de criar sinergias e simbioses sustentáveis, produzindo benefícios socioeconómicos para todos os seus stakeholders.

Serão apresentados exemplos de boas práticas em cooperação, organização, gestão e financiamento através dos casos de sucesso de VisitBritain, Hadrian’s Wall Country e Heritage Lottery Fund UK.

ALGUNS DOS ORADORES CONFIRMADOS:
_Luís Patrão – Presidente Turismo de Portugal
_Gonçalo Couceiro – Director – IGESPAR
_Joss Croft, Visit Britain
_Emma Carver, English Heritage
_Gareth Maeer, Heritage Lottery Fund
_Linda Tuttiett, C.E.O Hadrians Wall Country
_Alisdair Hinshelwood, Director HaleySharpDesign
_Simon Ody, Director The Visitor Attraction Company

Para download do programa e ficha de incrição clique AQUI

Para mais informações, por favor contactar:

Organização Seminário
ILM Group
Nelson Carvalheiro
Av. da Liberdade Nº230, 1º Piso, 1250-148 Lisboa
Tel: 210 305 027(8)
E-mail: ncarvalheiro@ilm-group.com

Logistica Seminário
CPL Events
Linda Pereira
Rua das Calçadas, Vivenda Pereira, 1º andar, 2755‐277 Cascais
Tel: 21 400 35 40
Fax: 21 406 08 29
E‐mail: heritage@cplevents.pt

Comunicação Seminário
Fonte-Consultores de Comunicação
Maria João Pinto Coelho
Rua de S. Bernardo, 60 C, 1200-826 Lisboa
Tel: 21 392 99 90
Fax: +351 21 392 99 99
E-mail: maria.coelho@fontecomunicacao.pt





ILM Advisory reforça área de consultoria a património histórico-cultural

4 11 2010

Leading Sustainable Tourism2

A ILM Advisory oficializou a sua parceria com Simon Ody da “The Visitor Attraction Company”, com o objectivo de poder dar uma resposta especializada às necessidades decorrentes do desenvolvimento, implementação e gestão de equipamentos de lazer e património “visitor attractions”, cuja eficiência seja essencial à sua sustentabilidade.

As “visitor attractions”, atracções turísticas, são actualmente reconhecidas em todo o mundo como uma das mais relevantes motivações das visitas a um determinado equipamento e à região da sua implantação, tanto por parte da população local/regional como por turistas.

A empresa britânica “The Visitor Attraction Company” é precisamente especializada nesta vertente, contando no seu portfolio com “atracções turísticas” de renome, como The Tower of London, The National Museum of New Zealand, os parques Legoland ou o Ferrari Theme Park, em Abu Dhabi.

Segundo Simon Punter, responsável pelo Laboratório de Turismo Cultural da ILM, a oficialização desta parceria com a The Visitor Attraction Company “acontece naturalmente, na sequência da integração do seu consultor, Simon Ody, em vários projectos da ILM, que apresentam uma grande necessidade de conhecimento especializado em desenvolvimento de conceito e sustentabilidade operacional de atracções, à semelhança do já verificado com a Haley Sharpe Design e a ATIVE/ERA Arqueologia”.

De entre diversos trabalhos ligados ao património, em Portugal, desenvolvidos pela equipa do Laboratório de Turismo Cultural da ILM, destacam-se a colaboração com o Museu do Côa, para o IGESPAR e o projecto de reengenharia da frente ribeirinha de Vila Real de Santo António”.

As atracções podem consistir em locais históricos, monumentos, museus, zoos, jardins botânicos, parques naturais e florestas, património cultural imaterial e eventos culturais. Pela sua natureza, características particulares e diferenciadoras, quaisquer exemplos de património podem ser, e na grande generalidade são-no, potenciados turisticamente de forma a atrair visitantes, o que contribui para a sua sustentabilidade.

A oferta de alojamento, gastronomia, experiências, artesanato, acessibilidades e outras componentes são premissas para o visitante poder desfrutar em pleno de uma atracção, e região envolvente. Ora, agregando o conjunto de possibilidades, potencia-se a capacidade de captar visitantes, o que vai gerar um efeito económico multiplicador com significativas consequências socioeconómicas, a nível local ou regional.

Quando executado de forma correcta, o desenvolvimento sustentado de “atracções” constitui uma ferramenta eficiente, não só para a estimulação do turismo e do crescimento económico, como para a conservação da biodiversidade, preservação da cultura e tradições e ainda na criação de emprego para comunidades locais, com especial impacto naquelas que possuem recursos em que o potencial está em bruto.

O compromisso da ILM Advisory com o desenvolvimento sustentável revê-se na oficialização desta parceria, que vem reforçar a sua capacidade de resposta eficaz e eficiente às necessidades tão específicas da operacionalização de activos de lazer.





Turismo, sustentabilidade, cultura e património

26 10 2010

Nelson Carvalheiro

A noção de sustentabilidade da cultura e património enquanto negócio não é nova em Portugal, havendo claramente casos de sucesso como por exemplo a Fundação Serralves ou a Parques Sintra Monte da Lua. No entanto estas são ainda excepções uma vez que a maioria das atracções culturais apenas mantém portas abertas por via de financiamento/subsídio, seja ele local ou central.

Torna-se pertinente constatar alguns factos: 1)A Cultura representa apenas 1,7% do valor do OE que é distribuído por cada entidade dependente do Ministério da Cultura; 2)No caso do IMCInstituto de Museus e Conservação, apenas 38% do total de proveitos são gerados por actividade própria, traduzindo-se em dependência completa por financiamento/subsídio do Estado; 3)O valor correspondente às 34 dependências da Rede Nacional de Museus sob a responsabilidade do IMC, no ano de 2009, não foi suficiente para cobrir as despesas com as remunerações com o pessoal, sendo ainda necessário executar 28% das receitas próprias geradas pelas 34 dependências; 4)A rede nacional de museus registou 2.382.182 entradas em 2009 (um aumento de 12% em relação a 2008) sendo que 62% são gratuitas e 30% das pagas são feitas com 50% de desconto; 5)A soma de visitantes dos equipamentos CCB, Fundação Serralves, Parques de Sintra totaliza cerca de 2.200.000 visitantes por ano.

Tomemos como perspectiva o exemplo do Reino Unido e a sua estratégia concertada para tornar o património e a cultura como um veículo de desenvolvimento. O turismo de base cultural e patrimonial representa uma parte importante na actividade económica do Reino Unido (5ª maior em contribuição para o PIB). Instituições como o VisitBritain, Heritage UK, TheNationalTrust e Heritage Lottery Fundation são precursores de uma política e estratégia sustentável de dinamização do património e cultura para o turista do sec. XXI, onde a interacção pessoal, o storytelling, as experiências e a tecnologia dão resposta às necessidades, curiosidades e expectativas deste visitante.

A capacidade de planear e organizar uma estratégia, envolvendo todos os stakeholders de uma atracção de visitantes (Visitor Attraction), é a chave do sucesso, obrigando a operação destes equipamentos, como em qualquer outro negócio, a uma orientação para a competitividade, garantindo a necessária viabilidade económica da atracção cultural e patrimonial.
Portugal, país com um património e cultura física e imaterial formada durante 900 anos, apresenta um potencial ímpar para o desenvolvimento da actividade turística em torno destes recursos e é de notar e dar valor ao esforço que as instituições centrais e regionais estão a realizar com o intuito de transformar atracções culturais e de património em espaços vivos. O futuro do turismo de base cultural tem de passar pelo fortalecimento desta filosofia e estratégia de dinamização e optimização do potencial de adaptação do património e cultura em “Visitor Attractions” de sucesso. E esta realização não pode depender apenas da disponibilidade financeira do Estado e Autarquias, sendo peremptório a criação de mecanismos que permitam o envolvimento das mais variadas entidades e “stakeholders” neste desenvolvimento. Parcerias, sociedades gestoras e fundações são exemplos de entidades que poderão ser dotadas das capacidades estratégicas, planeamento e gestão do negócio de modo a transformar a atracção cultural numa “Visitor Attraction” de grande interesse turístico, promovendo a autenticidade, a originalidade e a história cultural e patrimonial de Portugal. Não obstante a atracção cultural poder ser o principal motivo de visita, há nesta lógica a oportunidade de promover a gastronomia, artesanato e hotelaria local, e a participação em actividades e experiências na região.

A integração de diferentes experiências potencia o número de visitantes, contribuindo para o aumento das receitas e autonomia do equipamento e das diferentes actividades de suporte (restauração, alojamento, artesanato, “Tours”, actividades entre outros). Com este aumento da receita, novos investimentos poderão ser efectuados tornando-o mais dinâmico e atractivo, garantindo a sua manutenção, competitividade e visibilidade no mercado.

Em forma de conclusão, saliento a importância do planeamento, da estratégia e da visão em função da experiência do visitante. A incorporação de Equipas gestoras profissionais é essencial para que a estratégia e o planeamento sejam exequíveis, gerindo uma atracção cultural como um negócio que não tem apenas que sobreviver, mas sim afirmar-se no mercado, através da criação de mais-valias para o negócio e comunidade.





Experiência Açores. Bastará a substância para proporcionar umas férias inesquecíveis?

3 08 2010

Gonçalo Garcia

Quem me conhece sabe que gosto de passar os meus tempos livres em contacto com a natureza. É algo que me preenche e que me deixa num estado de tranquilidade único.

Sempre que tenho oportunidade, faço por fugir do ritmo acelerado de Lisboa, para paragens mais tranquilas, sem que isso implique necessariamente fazer muito quilómetros, um passeio por Sintra, um tour pelas paisagens bucólicas do Oeste, uma manhã de BTT na Apostiça, uma viagem de ferry para a Comporta ou até mesmo uma corrida no passeio marítimo de Oeiras ao final do dia, é o bastante para despertar a minha atenção para os maravilhosos recursos naturais que o nosso país tem para oferecer.

Movido por esta motivação, tive, no passado mês de Junho, a oportunidade de passar uns dias em família num local onde andava, há já algum tempo, a planear ir – Ilha das Flores – Açores.

Não foi a primeira vez que estive nos Açores, mas foi certamente a mais marcante de todas, positiva e negativamente.

Para um amante da natureza como eu, as Flores são sem dúvida um santuário vivo. A força e exuberância da natureza são por demais. A simplicidade e genuína simpatia das gentes faz-nos sentir bem-vindos. Todo o enquadramento da ilha com o Mar, as enormes quedas de Água, as fajãs, as lagoas, as grutas, os locais de nidificação dos Garajaus, os trilhos e estradas demarcadas pelas Hortenses roxas, rosas e azuis, e claro está os golfinhos e baleias, estabelecem recursos turísticos fabulosos para um destino de eleição.

Mas bastará a substância para proporcionar umas férias inesquecíveis? Será que os recursos turísticos justificam por si só um destino numa ilha de 17km por 12Km, no meio do oceano atlântico, sendo o avião o meio de transporte mais eficiente para chegar, operado por uma única companhia aérea, e onde o clima é uma verdadeira “roleta russa”, em que num dia se pode experienciar as quatro estações do ano.

É evidente que não se podem fazer “omeletas sem ovos”, mas por maior qualidade e certificação que os ovos tenham, há que saber extrair e potenciar o sabor dos mesmos.

A Ilha é de facto extraordinária. Alugando um carro, ou utilizando um táxi, consegue-se percorrer a ilha e visitar os pontos mais interessantes num só dia. Se quisermos mesmo abrandar o ritmo e usufruir de toda a energia que a natureza nos proporciona até o poderemos estender a visita a dois dias. E isto já incluindo., claro está, sair das estradas, entrar nos trilhos e visitar o menos óbvio. Ver as coisas numa outra perspectiva.

Um passeio de Barco, uma ida ao Corvo, ver os Golfinhos, visitar as grutas e nadar em pleno Oceano Atlântico representa mais um dia. Podemos ainda revisitar as localidades da ilha, os parques e os miradouros (isto se o nevoeiro deixar), Jantar no restaurante Pôr do Sol com vista para a América (ali já a 3500 km), ou almoçar em Ponta Delgada, do lado mais agreste e expostos aos ventos do Norte, no restaurante do Meireles com peixe acabado de pescar.

Para mim, tudo isto é espectacular, e dou-o como tempo muito bem empregue.

Agora o que fazer, quando a única companhia aérea que voa inter-ilhas, está a braços com uma greve de 4 dias, e os serviços mínimos (mesmo mínimos) representam um avião diário de 80 lugares que quando chega às Flores já vem na sua capacidade máxima proveniente das outras Ilhas e sem possibilidade de colocar os passageiros nos seus destinos nas datas previstas, e subitamente uma estadia que seria de 5 dias passa para 9 dias? Será que é um brinde numas férias bem passadas?

Estaria a enganar-me se não assumisse que sabe bem termos umas férias prolongadas, pagas por terceiros. Mas o que fazer quando tudo o que está à nossa disposição no destino já foi feito?

Uma experiência que poderia ter sido extraordinária, foi apenas boa. É nestas alturas que se sente falta da integração e da sustentabilidade. Sustentabilidade não é só manter os recursos intocáveis e incrivelmente bem preservados. Tem igualmente a ver com o equilíbrio do uso que se faz destes recursos, e da forma como as comunidades locais poderão beneficiar economicamente com a sua presença e partilha.

É certo que se diz que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, mas devem ter começado num certo dia. O mesmo acredito para esta ilha extraordinária. Não se irá alterar de um momento para o outro, mas coisas simples como, possibilitar a participação em workshops de produção de produtos locais como queijos ou doçaria, viver uma manhã com os pastores locais, alugar duas bicicletas em qualquer localidade da ilha ou participar no desembarque do pescado da faina nocturna, são exemplos de realidades existentes que poderão ser abertas ao turista, proporcionando deste modo uma experiência mais abrangente, completa, integrada e ao serviço da comunidade local.

A médio-longo prazo outras evoluções poderão ser consideradas, especialmente no que concerne à minimização do estatuto periférico da ilha em relação ao arquipélago, e neste sentido, um sistema de transportes inter-ilhas ou algo que nós continentais tomamos por garantido “Internet de Banda Larga” poderão contribuir para elevar a ilha a um destino de excelência.

O Turismo é a forma mais clara onde estas dinâmicas se encontram, e neste sentido, apesar de ter adorado estar nas Flores, acredito que o potencial de desenvolvimento turístico daquela Ilha é enorme – Ilha boutique.

Não é, nem deve ser um local de massas, mas sim um palco de experiências autênticas e inesquecíveis, possibilitando um usufruto pleno de todos os recursos da Ilha, convertendo esta dinâmica para o aumento da qualidade de vida da comunidade local.

Agora só já falta conhecer a Graciosa e Santa Maria……..





É com um gosto especial que a ILM assistiu hoje à inauguração do Museu do Côa.

30 07 2010

Museu do Côa, um projecto no qual nos orgulhamos ter recentemente trabalhado em Equipa com a Haley Sharp Design e a Visitor Attraction Company.

O Museu do Côa representa sem dúvida o primeiro passo na construção de um Destino com mais de 25.000 anos de história e de histórias sobre a idade do gelo, a arte, a comunicação e as gentes que juntas conseguiram travar a construção de uma barragem.

Os nossos mais sinceros parabéns aos Amigos do Côa, aos municípios do Vale do Côa, ao IGESPAR, à UNESCO e a todos nós Portugueses que temos a honra de ter um património arqueológico tão vasto, rico, bem preservado e agora potenciado como o do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Que este equipamento seja sinónimo do tão esperado e merecido desenvolvimento económico da Região.