Autenticidade, Património, Heróis, Ícones e Turismo Cultural, o que falta a Portugal?

13 12 2010

Rita Antonieta Neves

Respondemos apenas “valorizar, cooperar e integrar, contar histórias, empacotar e capitalizar”, podendo estas ser consideradas as grandes linhas de orientação a curto prazo resultantes do Seminário “Promover Turismo – Capitalizar Cultura” organizado pela ILM na passada sexta-feira, 3 de Dezembro, na Torre do Tombo.

Valorizar o DNA cultural nacional, ou seja todos os seus recursos históricos, culturais, ambientais e sociais que caracterizam o destino e a sua autenticidade, sendo estes heróis (ex: Infante D. Henrique), ícones, locais especiais (ex: Sagres/promontório sagrado, Belém ou Guimarães enquanto berço da nacionalidade), eventos históricos (ex: guerras peninsulares), personagens (ex: Pedro e Inês ou mesmo as pinturas rupestres do Côa), entre outros suficientemente fortes para dar origem a uma viagem de descoberta e a um story telling diferenciador e catalisador de experiências.

Cooperar e integrar de forma sustentada turismo, cultura e todos os recursos, infra-estruturas e serviços que dão resposta aos requisitos base da operação de um destino turístico, potenciando um efeito hub catalisador do desenvolvimento económico local sustentável, o qual pressupõe uma integração do alojamento, da gastronomia e vinhos, das artes e ofícios e das múltiplas experiências que uma determinada região pode oferecer, etc. A diversidade de recursos existentes em território nacional não poderia ser mais atractiva para o turismo, nomeadamente para o cross-selling entre produtos e destinos e a exploração de produtos ligados ao “touring”.

Um bom exemplo desta cooperação e integração foi o apresentado por Linda Tuttiet, CEO da Hadrians Wall, cuja função visa a coordenação e agregação dos diferentes proprietários das áreas percorridas pela Muralha de Adriano, de modo a harmonizar um produto coerente ao longo de toda a Muralha. Um trabalho onde o envolvimento genuíno da comunidade, a criação de uma marca unificadora em todo o percurso da muralha, e os programas de actividades e informação foram igualmente apresentados como factores críticos de sucesso. Segundo Linda existem actualmente cerca de 15.000 negócios em torno da Muralha e a percepção de que cerca de 79% desses negócios beneficiaram com a associação à marca “Muralha de Adriano”, a qual lhes permitiu catalisar o negócio. A Muralha de Adriano compreende uma extensão aproximada de 240 km, envolvendo 4 regiões de turismo, 9 autoridades locais e 107 proprietários privados.

Contar histórias autênticas do passado e presente de uma forma atractiva, educativa, interactiva, divertida, envolvente e ajustada aos diferentes targets. As histórias e a informação têm de estar sempre disponíveis e devem estar relacionadas entre si. Aqui o envolvimento da comunidade pode e deve assumir-se como uma peça fundamental, devendo ser criados mecanismos de interacção com a comunidade para que esta constitua o maior entusiasta do produto e assumir o papel de embaixador.

Empacotar e capitalizar turismo cultural! Luis Patrão, presidente do Turismo de Portugal, salientou, durante a sua intervenção no seminário, que Portugal está na lista dos 20 maiores destinos turísticos do mundo, mas não na lista dos maiores destinos turístico cultural! Urge empacotar o Destino enquanto destino de turismo cultural, rico em autenticidade, património, locais de interesse histórico-cultural, ícones e heróis! Um esforço que só faz sentido se coordenado com os 3 requisitos anteriores em acções conjuntas entre os diferentes “players” do turismo e da cultura. É preciso colocar Portugal, enquanto destino cultural, no “top of the mind” do turista internacional e vender. Joss Croft, da visitbritain, falou na eficácia da comunicação e na concentração de esforços públicos e privados na criação de experiências/actividades combinadas, como por exemplo património arquitectónico com actividades contemporâneas, concertos em castelos ou desfiles de moda em museus, etc, no sentido de superar as expectativas dos turistas que já vêm Inglaterra um como destino Cultural e optimizar a sua performance.

Em suma e considerando que Autenticidade, Património, Heróis, Ícones e recursos afins, Portugal tem para dar e vender, o que falta mesmo a Portugal é ser capaz de “valorizar, cooperar e integrar, contar histórias, empacotar e capitalizar”, para de uma vez por todas se afirmar enquanto destino líder de Turismo Cultural!





Luís Patrão quer visitas guiadas ao património cultural nacional

6 12 2010

Leading Sustainable Tourism2

Lisboa, 03 dez (Lusa) – O presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, defendeu hoje, em Lisboa, o investimento em visitas guiadas ao património cultural do país, “para contar a sua história“, e desta forma atrair mais turistas.

O responsável falava no Seminário “Promover Turismo – Capitalizar Cultura”, que decorre durante o dia de hoje na Torre do Tombo, iniciativa do Grupo ILM (Leading Sustainable Tourism) com o apoio do Turismo de Portugal e do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

O turismo tem tudo a ganhar com a actividade cultural. Nós temos um bom produto, a História, o clima, o património, mas não somos ainda capazes de explorar devidamente estas potencialidades“, avaliou Luís Patrão perante uma audiência composta por agentes do sector da cultura e do turismo.

Elogiou projectos do IGESPAR como o da Rota das Catedrais – resultado da cooperação com a Igreja Católica, que envolve 25 Catedrais de todo o país, incluindo Açores e Madeira – mas apontou que “não têm a espectacularidade de outras capitais europeias, portanto não podemos competir com elas”.

O que temos em Portugal é a autenticidade e a História, que deve ser contada no próprio local“, sustentou, defendendo uma maior aposta nas visitas guiadas aos turistas que visitam o país.

Recordou dados de um inquérito realizado em Agosto deste ano, que apontava para a avaliação positiva de 91% dos inquiridos que tinham visitado Portugal, 44% dos quais com expectativas acima do esperado.

Luís Patrão recordou que, desde a criação do Turismo de Portugal, em 2007, tem vindo a apostar numa área nova de actividade: a da ligação entre turismo e cultura, através de projectos que estabeleçam pontes entre os dois sectores.

O turismo não pode andar a pedir a chave à senhora que mora ao lado do castelo porque umas vezes ela está e outras não“, exemplificou, entre as dificuldades o sector enfrenta em Portugal.

Luís Patrão apontou ainda que “há casos em que são exigidas obras, outros em que só falta animação e vontade” para realizar iniciativas de atracção turística.

Uma visita guiada a um monumento durante a qual se conta a sua história pode ser inesquecível“, salientou o presidente do Turismo de Portugal, apontando ainda que o país está na lista dos 20 maiores destinos turísticos do mundo, mas não na lista dos 20 maiores destinos turístico culturais.

Joss Croft, diretor regional europeu da Visit Britain, um organismo que promove o Reino Unido como destino turístico, referiu que 50% das pessoas que visitam o país passam apenas por Londres.

O grande objectivo desta entidade financiada pelo Governo britânico “levar os turistas a explorar o país“.

Nos estudos de mercado que têm efectuado, descobriram que “poucos visitantes se classificam como turistas culturais, mas os seus interesses vão habitualmente lá parar“.

Joss Croft indicou que o Reino Unido é sobretudo procurado pelos museus, pelos pubs (bares populares), pelo futebol e pela história.
(AG)





Especial – Seminário Promover Turismo. Capitalizar Cultura

25 11 2010

Seminário ILM - Promover Turismo, Capitalizar Cultura

Caros Amigos,

A pouco mais de uma semana da realização do Seminário Promover Turismo – Capitalizar Cultura, que o Grupo ILM está a organizar com o apoio do Turismo de Portugal e IGESPAR, tomamos a liberdade de preparar uma selecção de notas de opinião desenvolvidas pela nossa Equipa do Laboratório de Turismo Cultural relacionadas sob a temática deste seminário.

O Seminário Promover o Turismo – Capitalizar a Cultura pretende constituir uma oportunidade de reforçar o diálogo entre turismo e cultura como forma de criar sinergias e simbioses sustentáveis com efeitos práticos, produzindo benefícios socioeconómicos para todos os seus stakeholders.

Serão apresentados exemplos de boas práticas em cooperação, organização, gestão e financiamento através dos casos de sucesso incluindo da VisitBritain, Hadrian’s Wall Country e Heritage Lottery Fund UK.

ALGUNS DOS ORADORES CONFIRMADOS:
_Luís Patrão, Turismo de Portugal
_Gonçalo Couceiro, IGESPAR
_Joss Croft, Visit Britain
_Emma Carver, English Heritage
_Gareth Maeer, Heritage Lottery Fund
_Linda Tuttiett, Hadrians Wall Country
_Alisdair Hinshelwood, HaleySharpDesign
_Simon Ody, The Visitor Attraction Company

Fazendo votos que a esta iniciativa e o programa de seminário proposto pela nossa Equipa do Laboratório de Turismo Cultural vá ao encontro das vossas expectativas, desde já agradecemos a atenção dispensada e relembramos que se ainda não teve oportunidade de fazer a sua inscrição basta preencher e nos devolver o Programa e Ficha de inscrição de acordo com os moldes de participação disponíveis.

Contamos com a participação!

Melhores cumprimentos,
Simon Punter

ESPECIAL SEMINÁRIO PROMOVER TURISMO CAPITALIZAR CULTURA

O património cultural é único a cada país e espelha a sua identidade (turística) – Entrevista Ambitur com Simon Punter e Andrew Coutts
No final de 2009, a ILM decidiu avançar com a criação de um Laboratório de Turismo Cultural (LTC) concentrando esforços internos e reunindo um conjunto de parceiros especialistas em áreas como o planeamento, design, sustentabilidade e operação de “heritage visitor attractions”, no desenvolvimento de uma abordagem crítica de análise e optimização e valorização do património histórico cultural nacional. Apesar de Sagres, Sintra e Belém serem dos locais mais visitados do país, com milhões de turistas, estão sub-aproveitados ao nível do contributo que dão à projecção da imagem nacional e ao nível das receitas que conseguem gerar.

Turismo, sustentabilidade, cultura e património
A noção de sustentabilidade da cultura e património enquanto negócio não é nova em Portugal, havendo claramente casos de sucesso como por exemplo a Fundação Serralves ou a Parques Sintra Monte da Lua. No entanto estas são ainda excepções uma vez que a maioria das atracções culturais apenas mantém portas abertas por via de financiamento/subsídio, seja ele local ou central.

O Mundo já lhe chama Culturtainment
Um pouco por todo lado o património histórico-cultural de grande interesse turístico tem vindo a ser desenvolvido e gerido de forma a promover verdadeiras experiências culturais – culturtainment. A forma como se contam a(s) história(s) dos objectos, os eventos, as personagens, o cuidado do design que serve de palco à exibição do acervo cultural e a forma como se promove a interacção entre o visitante e este, proporcionam um contexto único e diferenciador de aprendizagem e(m) lazer.

Simon Punter explica Laboratório de Turismo Cultural
Desde 1999 que a ILM desenvolve exclusivamente projectos de turismo, sejam estes de puro planeamento turístico (a nível macro) ou hoteleiros, resort, golfe e spa, por exemplo. Ainda que a sua notoriedade e curriculum estejam muito associada ao desenvolvimento de resorts integrados, a nossa ligação e o nosso compromisso é com o desenvolvimento sustentável do turismo em Portugal, e é esse compromisso que tentamos sempre respeitar quando estamos a trabalhar num novo projecto independentemente do seu tipo e que já tem incluído âncoras de desporto, saúde, retalho e por aí fora .

ILM Advisory reforça área de consultoria a património histórico-cultural
A ILM Advisory oficializou a sua parceria com Simon Ody da “The Visitor Attraction Company”, com o objectivo de poder dar uma resposta especializada às necessidades decorrentes do desenvolvimento, implementação e gestão de equipamentos de lazer e património “visitor attractions”, cuja eficiência seja essencial à sua sustentabilidade. (https://ilmadvisory.wordpress.com/2010/11/04/ilm-advisory-reforca-area-de-consultoria-a-patrimonio-historico-cultural/)

Para download do programa e ficha de inscrição clique AQUI

Para mais informações, por favor contactar:
Organização Seminário
ILM Group
Nelson Carvalheiro
Av. da Liberdade Nº230, 1º Piso, 1250-148 Lisboa
Tel: 210 305 027(8)
E-mail: ncarvalheiro@ilm-group.com

Logistica Seminário
CPL Events
Rua das Calçadas, Vivenda Pereira, 1º andar, 2755‐277 Cascais
Tel: 21 400 35 40
Fax: 21 406 08 29
E‐mail: heritage@cplevents.pt

Comunicação Seminário
Fonte-Consultores de Comunicação
Maria João Pinto Coelho
Rua de S. Bernardo, 60 C, 1200-826 Lisboa
Tel: 21 392 99 90
Fax: +351 21 392 99 99
E-mail: maria.coelho@fontecomunicacao.pt





O património cultural é único a cada país e espelha a sua identidade (turística)

17 11 2010

Leading Sustainable Tourism2

No final de 2009, a ILM decidiu avançar com a criação de um Laboratório de Turismo Cultural (LTC) concentrando esforços internos e reunindo um conjunto de parceiros especialistas em áreas como o planeamento, design, sustentabilidade e operação de “heritage visitor attractions”, no desenvolvimento de uma abordagem crítica de análise e optimização e valorização do património histórico cultural nacional. Apesar de Sagres, Sintra e Belém serem dos locais mais visitados do país, com milhões de turistas, estão sub-aproveitados ao nível do contributo que dão à projecção da imagem nacional e ao nível das das receitas que conseguem gerar. Esta é a visão dos responsáveis da ILM, Andrew Coutts e Simon Punter (responsável pelo Laboratório), que, nesta entrevista, defendem que o Património Histórico Cultural nacional é sem dúvida o nosso recurso mais valioso e com maior potencial de desenvolvimento enquanto argumento de captação de turistas e de posicionamento autêntico e diferenciado do destino Portugal no mapa turístico internacional.

AMBITUR O Grupo ILM está a apostar numa nova área de actuação, a que diz respeito?
ILM – A nossa aposta no LTC tem por base a consciência do estado actual de subaproveitamento do património nacional enquanto âncora de desenvolvimento económico e social, ou seja enquanto atracção de visitantes competitiva, sustentável e fiel aos factos histórico e culturais que lhe deram origem. É um facto que temos um património com um potencial enorme para ser uma âncora de desenvolvimento, com um efeito multiplicador na economia e sociedade. A sua optimização permitirá, por um lado, envolver a sociedade na sua preservação e dinamização e por outro lado captar e reter um turista informado e motivado para entender e divulgar mais sobre o país.

Nos últimos anos tem se verificado um movimento internacional crescente neste sentido. Veja-se por exemplo a aposta feita em Inglaterra pelo Estado, através de vários fundos, no património. Desde castelos a centros de interpretação, entre outros, procurou-se dar um novo ângulo de abordagem ao património e turismo. Ou seja, existem agora em Inglaterra “heritage visitor attractions” (museus, castelos, entre outros) que são infra-estruturas fundamentais em qualquer destino. Temos recursos, infra-estruturas base, mas falta uma reengenharia do património, na óptica do visitante, por forma a optimizar a sua performance e a experiência do visitante, seja este local, nacional ou internacional. O que se pretende é que um visitante tenha uma experiência autêntica, memorável, educativa e de entretenimento q.b. seguindo a tendência internacional de “culturtainment”. Esta abordagem operacional vai resultar na captação de um maior número de visitantes qualificado que vão querer explorar a componente histórica e cultural, e que ao saírem satisfeitos com a(s) experiência(s) vão passar a palavra. A arte reside na capacidade de elevar o património, operando-o enquanto uma “visitor attraction” sem comprometer a sua nobreza ou desvirtuar o seu papel.

A questão de se tornar uma “visitor attraction” é mesmo importante, e peço desculpa por utilizar esta denominação tão funcional na língua inglesa e para qual desistimos de procurar a tradução adequada. E a nossa referência a “visitor attactions” tem por base o património, onde a reengenharia do mesmo (restauro, sinalética, informação, exposições, interactividades e mutações dos mesmos etc.) permite tornar a experiencia do visitante ao património mais atraente, gratificante e por sua tenha provoque um efeito positivo na rentabilidade do mesmo.

Portugal tem que parar e analisar qual a percepção que existe do país ao nível externo. Sol e Mar, Golfe, MI, obviamente, sempre foram e sempre serão importantes. Mas Portugal tem a oportunidade de explorar activos base que podem realmente marcar a diferença, e esta é uma oportunidade ímpar. Se temos este património, de museus a castelos, construções romanas, entre muitos outros exemplos de uma longa lista, temos que repensar como podemos usar este manancial na óptica do visitante tendo por objectivo uma sustentabilidade de excelência.

O património (leia-se património edificado) em Portugal foi ignorado durante anos. Isto pode constituir uma vantagem por não ter tido um excesso de intervenções que comprometeram as suas inerentes qualidades. Associando este estado “original” com uma procura turística que busca conhecimento e autenticidade, permite concluir que estamos perante uma oportunidade única para o país desenvolver este argumento e para atrair novos mercados através desta diferenciação.

Podemos aqui criar uma dinâmica de investimento que tem um enorme impacte económico e social na envolvente. Por exemplo, o investimento feito em Foz Côa deverá servir para ancorar um novo desenvolvimento da actividade económica nesta região. Não basta criar um museu standard. É necessário desenvolver um plano operacional de integração deste activo com o verdadeiro museu arqueológico que é o Parque Arqueológico do Vale do Côa e com todos os recursos turísticos da sua envolvente, ou seja, este tem de ser operado como uma “visitor attraction”, para que consiga proporcionar uma experiência marcante ao visitante, na óptica do ”edutainment” e do “culturtainment”.

O plano de integração implica envolver a comunidade, proporcionar múltiplas experiências em torno dos múltiplos recursos – património, natureza, história, vinho, tradições, gastronomia, entre outros.

Urge pensar em produtos e sub-produtos de nicho e em cross-selling entre produtos e regiões. Existe uma relação fundamental entre o touring cultural, gastronomia, natureza, património e cultura. Temos que estruturar, na estratégia de desenvolvimento do destino, vários produtos em torno do património. Só assim conseguiremos um produto muito bem definido para um concelho, uma região e para um país. Precisamos de um produto turístico estruturado, que na maioria das situações não acontece.

A ILM considera que é fundamental uma reengenharia do património nacional para criar interessantes, competitivas e sustentáveis “heritage visitor attractions”. Sendo esta uma maneira de capitalizar e optimizar estes recursos de grande interesse turístico.

AMBITUR – O que pretendem, e resumindo a nossa conversa, é fazer a reengenharia do património na óptica do visitante nacional e internacional?
ILM – Sim. Desenvolvemos no LTC o modelo Cultural Experience Hub (CEH), que tem por base o património, a sua valorização e o seu desenvolvimento no contexto do turismo e da comunidade onde está inserido. Nitidamente um caso em que “a soma das partes é maior do que o todo” devido às possíveis sinergias e às mais-valias criadas entre todos aos mais variados níveis. A aplicação do modelo CEH ao património confere-lhe um poder suficiente forte e estruturado para motivar, informar e fomentar a descoberta dos outros atractivos locais, regionais ou nacionais, por parte dos visitantes/turistas. Este modelo tem um forte impacte na comunidade local, pelo seu carácter catalizador cultural, económico e social, potenciando a procura turística. O destino, neste contexto, é um todo e o monumento âncora assume um papel preponderante enquanto catalizador do desenvolvimento da vila, concelho, cidade, região onde se encontra, e de todas as experiencias que esse território proporciona ao turista desde a gastronomia ao contacto com o artesanato e os artesãos.

Esta abordagem sistematizada do turismo e da cultura foi construída com base no nosso conhecimento de business planning, no nosso compromisso com a sustentabilidade e na capacidade de ler as necessidades do mercado, identificar as oportunidades e procurar sinergias.

AMBITUR – O que a ILM está a fazer então no terreno a este nível?
ILM – Fizemos um grande investimento, um “trabalho de casa” cuidado, este ano. Nós fazemos consultoria/advisory e temos que estar bem fundamentados nas nossas áreas de intervenção, conhecer o terreno e as pessoas que estão no meio. Depois de termos encarado esta área como prioritária para nós, fomos para o terreno pesquisar, tanto no país como no estrangeiro. Começámos em desenvolver a nossa rede para cobrir todas as áreas de especialização que não detínhamos no nosso núcleo local, com destaque para dois associados em Inglaterra com quem já trabalhámos há anos, um líder ao nível do conceito, negócio e operações na área de visitor attractions, outro de design do visitor attractions sendo uma das mais conceituadas empresas mundiais na projecção das partes expositivas. Tivemos recentemente uma experiencia gratificante com uma outra empresa, desta vez nacional ligada à arqueologia que complementou a nossa equipa nesta área específica e comprovámos que há boas práticas e visão em Portugal também. Começámos também para construir conhecimentos a nível institucional, investindo no nosso próprio aprendizagem e sensibilização para os desafios que o sector enfrenta para melhor ajudar na procura das soluções. Sem excepção fomos muito bem recebidos. Há uma necessidade de convivência entre património e turismo que traz benefícios mútuos, além dos outros impactos que possa produzir nas comunidades etc. As autoridades começam a reconhecer a oportunidade e a necessidade para esta valorização ser feita com profissionalismo e qualidade. Actualmente não só temos conhecimentos próprios no sector, como também criamos uma rede de profissionais que partilham da nossa visão e rigor na execução. Aliando isto aos conhecimentos já conhecidos da ILM de estratégia e mastrer-planning para os projectos, constituímos uma força única neste mercado.

AMBITUR – Balanço do que viram no terreno relativamente ao aproveitamento do nosso património?
ILM – Hoje em dia as instituições estão ao par das melhores práticas existentes quer a nível nacional como internacional, e facilmente conseguem referências. Não obstante ainda há bastante trabalho por fazer, em todo o lado, infelizmente ou felizmente. Existe potencial para diferenciar o nosso destino de outros. Temos activos, agora temos de pensar como os utilizar e optimizar enquanto recursos também turísticos e sustentáveis. Estamos atrasados face a outros países europeus. Por exemplo, voltando ao recente investimento feito em Inglaterra, este não visou apenas intervenções em grandes monumentos, mas também em pequenas vilas no interior. Através das suas “heritage visitor attractions”, Inglaterra conseguiu posicionar-se enquanto destino cultural e isso é público.

Em Portugal há muitas oportunidades. Estudámos, por nossa iniciativa, a zona entre Lagos e Sagres e existe ali um património deveras importante; que nos faz regressar ao Promontório Sagrado, hoje em dia mais conhecido pela Fortaleza de Sagres. Silves é outra referência, tantas peças, tantos activos de património, mas uma história imperceptível para a maioria dos países. Qualquer turista que visite o Algarve pelo Sol e Mar ou o Golfe, recebe resposta à sua motivação, mas se procurar conhecer mais, saber mais do país, depara-se com uma barreira. Existe a oportunidade de dar a conhecer aos turistas mais sobre as nossas origens, a nossa cultura, a nossa história, e garantir que quando estes regressam a casa carregam consigo este conhecimento e a vontade de partilhar e até mesmo regressar para viver outras experiências.

Estamos no país dos exploradores que desbravaram o mundo, dizemos isso aos turistas, mas eles querem que lhes contemos e lhes mostremos mais.

AMBITUR – Dos contactos e rede de conhecimentos que criaram a nível nacional aperceberam-se que as pessoas estão sensibilizadas para esta temática? Ou seja, para tornar o património acessível a todos, com as condições ideais?
ILMÉ necessária uma troca de conhecimento, abrir os olhos das pessoas, é necessária uma filosofia de Barak Obama “Yes, we can!”. Não quero minimizar os passos já tomados – tentativas significativas e bem-intencionadas no campo de património, recorrendo a um dos orçamentos mais pequenos do estado português.
Trazemos um novo olhar à integração do património com o turismo gerando à sua volta o essencial à sua sustentabilidade e convivência com sucesso. É preciso educar sobre o impacte que um investimento deste nível tem para o turismo, para as economias locais, para a preservação da história, dos valores culturais, das tradições, etc. O nosso papel é tentar transmitir estas mensagens e conceber e implementar as necessárias soluções a nível local e regional. Sabemos que o contexto económico não é o melhor, mas urge pensar no futuro. O importante é que esta matéria seja colocada nos planos estratégicos dos organismos que tutelam estas áreas. Este é o grande desafio, que pode ser aceite ou não. Se houver vontade tem de se traçar o caminho. A crise financeira, por outro lado, também pode criar condições para uma mudança de mentalidades, estes responsáveis devem preparar agora o seu futuro. Precisamos de uma mudança de mind-set, o nosso papel é demonstrar como podemos ser úteis nesta nova dinâmica, espero eu.

AMBITUR – Consegue identificar algum exemplo no país que corresponda de uma estratégia integrada do património com a vertente turística e social?
ILM – Acho que Belém tem um potencial enorme, porque é em si mesmo um cluster “natural” de “heritage visitor attractions”. É possível reter a atenção de um visitante naquele espaço durante dois ou três dias se forem proporcionadas todas as condições à sua descoberta. Há pessoas que vão a Paris com o objectivo de procurar uma experiência cultural e precisam de efectuar enormes deslocações dentro da própria cidade. Em Belém temos uma concentração de 8/10 atracções, com variados temas e abordagens. Este local é uma surpresa para a maioria das pessoas que vem a Lisboa. O potencial existe e, no nosso entender, existe também a obrigatoriedade de optimizar a experiência do visitante e turista. Porque esta zona não tem um masterplan específico, a sua oferta não está integrada, tem no seu meio linhas de comboio e estradas e tem que se atravessar um túnel para chegar à zona ribeirinha, que não é uma boa experiência, não há estacionamento, nem sinalética. Há formas económicas e pragmáticas de minimizar estes obstáculos, sem precisar de ir até a utopia de seguir soluções como rebaixar a linha ferroviária etc, e que valorizam a experiencia de quem a visita. Se o turista visitar Belém, sai com uma impressão muito favorável, mas garanto que podia sair muito mais educado, informado e motivado sobre o país e a sua história. Uma maior motivação pode fazê-lo voltar a Lisboa ou divulgá-lo junto dos seus. Por outro lado, o papel de hub implícita numa atracão desta importância, é de fomentar a vontade do visitante continuar a sua experiencia junto das outras “visitor attractions” nacionais com base em património, sendo que o património com a reengenharia que propomos deve promover outros centros de património do país.

AMBITUR – Estamos aqui a falar numa área onde estão duas das entidades que os empresários turísticos consideram mais burocráticas e “empecilhos” ao desenvolvimento da actividade turística, o IGESPAR e IPPAR. Num curto espaço de tempo será possível fazer mudanças nesta área, ou seja, colocar os empresários turísticos a falar a mesma língua que estas entidades?
ILMTem sido uma experiência muito interessante e gratificante trabalhar com o IGESPAR e ver do outro lado do espelho as dificuldades com que se debatem constantemente. A nossa experiência com o IGESPAR indica que há esta abertura. Não tenho qualquer dúvida que vai demorar tempo, e o papel da ILM, neste caso, é no sentido de ajudar a estabelecer a ponte. Pouco a pouco podemos integrar o turismo com o património e cultura. Saber o custo, o benefício e o impacto. E dentro do “mind-set” do Ministério da Economia saber como podemos criar um modelo mais sustentável economicamente. Há visitantes. Há turistas. Pode haver mais? Podem gastar mais? Querem ter uma “Value for Money Experience”? Então temos de cobrar mais, mas assegurar que essa experiência é correspondida com a qualidade devida. Esta é uma oportunidade para optimizar a experiência dos turistas e aumentar as receitas do sector.

Para além do IPAR, IGESPAR, incidem nestas áreas CCDR, autarquias, Estado, Ministérios….
Juntar estas entidades é um desafio enorme. Alguém tem que assumir aqui o papel do promotor. O nosso (ILM) mind-set será de promotor, ou seja, o papel de juntar as várias entidades. Com vontade e visão todos iremos conseguir ultrapassar as dificuldades.





O Mundo já lhe chama Culturtainment

17 11 2010

Rita Antonieta Neves

A cultura é sem dúvida uma das mais importantes motivações de visita a uma região. De forma a alimentar o Laboratório de Turismo Cultural, a ILM analisa todos os meses as entradas de visitantes em Museus, Monumentos e outros activos culturais, confirmando que estes facilmente atraem diferentes tipos de públicos, desde os mais jovens aos mais velhos, venham estes sozinhos, em casal ou em grupos de amigos, familiares ou escolas.
Um pouco por todo lado o património histórico-cultural de grande interesse turístico tem vindo a ser desenvolvido e gerido de forma a promover verdadeiras experiências culturais – culturtainment. A forma como se contam a(s) história(s) dos objectos, os eventos, as personagens, o cuidado do design que serve de palco à exibição do acervo cultural e a forma como se promove a interacção entre o visitante e este, proporcionam um contexto único e diferenciador de aprendizagem e(m) lazer.

A nível mundial a cultura tornou-se um importante factor soft de motivação da visita em qualquer destino, e um factor chave de competitividade e aumento da atractividade económica e social a nível regional e local. A economia das experiências, definida como a oferta de experiências que conjugam aprendizagem com entretenimento, deu origem a uma competição crescente entre activos culturais e outras infra-estruturas de lazer.

O turismo educacional apresenta-se sem dúvida como uma tendência de consumo. O turista procura cada vez mais experiências que promovam a mudança entre estados de espírito, que lhe permitam desenvolver o pensamento, lhe sirvam de inspiração e ao mesmo tempo o divirtam. Destaca-se a vontade crescente de partilha dos conhecimentos sobre uma determinada cultura, facto que contribui para o aumento da sua compreensão e consequente importância.

Mas o desenvolvimento deste turismo cultural de carácter educativo através da interacção pode estar seriamente condicionado se continuar a ser gerido unilateralmente e se não for optimizado pelo destino global. As condicionantes ao seu desenvolvimento incluem o aumento da concorrência, a ausência de uma gestão profissional, quer a nível operacional como de planeamento de experiências, e a pressão crescente em conseguir despertar o interesse de um visitante cada vez mais sofisticado, que tem cada vez menos tempo, mais hipóteses de escolha e que sabe tirar o melhor partido das diferentes ferramentas de informação que tem ao seu dispor, nomeadamente da internet.
De salientar que na economia das experiências em que vivemos os produtos são desenvolvidos em função das necessidades da procura e não da oferta, contrariando o que se verifica em muitos dos nossos activos culturais. A tendência crescente é para que a oferta e a procura caminhem a par e passo, não comprometendo a riqueza da herança histórica e cultural mas sim valorizando-a, optimizando-a e promovendo o seu desenvolvimento económico e social sustentável.

O Turismo cultural é portanto um excelente veículo para estimular a cooperação entre os diferentes agentes públicos (entidades do Turismo, do património, dos museus, autarquias…) e privados (investidores, mecenas, fundações, hotelaria), promover o desenvolvimento sustentável atraindo mais turistas para uma região e consequentemente aumentar as receitas locais, gerar mais emprego e outras mais-valias sociais. A cultura deverá ser então usada como base à optimização da identidade regional e o marketing de destino deverá ser a ferramenta de gestão de eleição promovendo a identificação de uma identidade única e distintiva através da analise do DNA cultural de um destino, ou seja de todos os recursos históricos, culturais, ambientais e sociais que caracterizam o destino e a sua autenticidade. Estes recursos podem ser ícones, locais especiais (ex: promontório sagrado), eventos históricos (ex: guerras peninsulares), personagens (ex: Pedro e Inês ou mesmo as pinturas rupestres do Côa), entre outros suficientemente fortes para dar origem a uma viagem de descoberta, a um story telling diferenciador e catalisador de experiências.

Este potencial de catalisador deve ser optimizado ao ponto de promover a ligação através da história e da cultura entre destinos mesmo a nível transfronteiriço (ex: os descobrimentos), pelo que a criação de “hubs” culturais é vital e exige cooperação na perseguição de um objectivo global que trará benefícios para todos: para a hotelaria que precisa de vender camas com valor acrescentado, para o Turismo do destino que precisa de ancorar os seus esforços em factores de autenticidade únicos e memoráveis, para o sector das viagens que está velozmente a adaptar-se às necessidades de experiências do turista do séc. XXI.

O desenvolvimento conjunto de produto turístico diferenciador fortalece, torna visível e tangível a identidade do destino e acarreta benefícios para todos, incluindo para um património que tantas vezes teima em viver de costas voltadas para a prosperidade que a economia do turismo lhe pode garantir, ou mesmo para uma região que teima em ser destino mas não consegue entender que a cultura local pode ser o seu maior trunfo.