Hotelaria do 5* do Algarve Resiste à Crise

18 11 2009

Gonçalo Garcia

Quebra de preços inferior a 8 Euros nos meses de Verão

De acordo com uma análise desenvolvida pela ILM Advisory, os hotéis de 5 estrelas do Algarve estão a superar à crise económica internacional, tendo registado uma quebra média de apenas 7,38 euros no preço médio por quarto vendido (PMQV) no último Verão entre Junho e Agosto, face a período homólogo de 2008.

Os dados recolhidos pela ILM Advisory junto de 10 dos 17 hotéis de 5 Estrelas do Algarve tiveram especial enfoque nos meses de Verão – Junho, Julho e Agosto – incidindo sobre indicadores de performance como o preço médio por quarto vendido, a taxa de ocupação e o revpar (lucro por quarto disponível).

De acordo com a análise referida o nível médio da taxa de ocupação entre Janeiro e Agosto de 2009 foi de 45,52 %, inferior em 13,32% face a 2008, sendo que nos meses do verão esta diferença se situou nos 5,24%. Por sua vez o REVPAR médio foi inferior em 15% quando comparado com o período homologo de 2008. Apesar da variação observada os hotéis geridos ou franchisados por marcas internacionais a operar em Portugal registaram no mesmo período um REVPAR superior aos hotéis nacionais em 67 %, equivalente a uma diferença média de 78,39 euros por quarto.

Todos os hoteleiros entrevistados mencionaram que o mercado interno foi aquele que contribuiu de forma decisiva para a perfor­mance dos meses de Verão, compensando a substancial queda da procura oriunda dos mercados internacionais tradi­cionais. O mercado inglês, apesar de manter uma forte importância para o turismo algarvio, foi o principal responsável pelas quebras registadas.

Entre os directores de hotéis do Algarve entrevistados foi possível definir como estimativa para a facturação de 2009 uma descida entre 10 e 15% face ao acumulado de 2008. Em termos de ocupação, os entrevistados prevêem que o resultado acumulado de 2009 seja semelhante ao de 2008.

A previsão generalizada dos hoteleiros entrevistados é de que o período entre Setembro e Dezembro de 2009 será extremamente complicado, na medida em que confirmações de grupos de conferências e incentivos encontra-se substancialmente abaixo do observado no ano transacto, sendo este segmento um dos principais contri­buintes para as ocupações de 5 estrelas no Algarve no período em foco. Verifica-se na generalidade dos casos a existência de um sentimento de confiança face a 2010, com previsões de melhoria quer nas taxas de ocupação, quer ao nível do preço médio por quarto vendido praticado.

(Download) Algarve 5* Hotel Research Note

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Meetings Industry nacional está mais competitiva

18 11 2009

Embora ainda a dar os primeiros passos enquanto segmento estruturado, é justo afirmar-se que a Meetings Industry nacional – vulgo MI – parece estar no bom caminho. De uma forma geral, todas as regiões portuguesas e respectivos Convention Bureau e ARPT’s, as entidades públicas e privadas e os diversos players deste segmento, encaram a MI como um motor de desenvolvimento das economias regionais, e ao mesmo tempo um alvo de negócio rentável.

Tudo isto é assumido porque a MI é efectivamente um “fruto apetecido”, um produto altamente estratégico, seja para combater a sazonalidade de alguns destinos nacionais, seja para aumentar a notoriedade destes.

O nosso País tem, aliás, dado provas que não está nada mal neste segmento, e apresenta-se como mais competitivo em relação aos concorrentes. No ranking mundial da ICCA (International Congress & Congress and Convention Association) relativo a 2008, por exemplo, Portugal mantém o 15º lugar (o mesmo que em 2007), com um total de 145 eventos internacionais organizados. Os 145 eventos que tiveram lugar no nosso País no ano passado distribuíram‐se da seguinte forma pelo território nacional: 83 em Lisboa, 38 no Porto, 9 no Estoril, 8 no Funchal e 7 em Coimbra. A cidade de Lisboa (sendo a que representa a maioria da procura existente e a que tem maior visibilidade internacional), desceu quatro posições, ocupando actualmente o 10ª lugar ao ter organizado 83 eventos, segundo a ICCA. Note-se que o Porto neste mesmo ranking subiu da 56ª para a 39ª posição.

No relatório “Algarve Meeting Industry Market Survey”, a consultora ILM começa por fazer uma contextualização da MI em Portugal e cita um outro estudo que concluiu que o crescimento deste sector a nível nacional tem igualmente vindo a registar taxas de crescimento superiores às verificadas a nível mundial (8,4% contra 3,3%). Em 2006, a Organização Mundial do Turismo previu que num período de 10 anos, ou seja que em 2016, o volume de negócios gerado pelo segmento MI em Portugal poderia atingir um valor igual a 3.7 mil milhões de euros. Um estudo levado a cabo pela EIBTM e a The Right Solution Limited (”The Mood of the Market European Meetings Industry”), colocou Portugal na nona posição dos destinos mais utilizados para a organização de eventos durante o ano de 2008. A nível internacional, Portugal é também visto como um destino para viagens de incentivo, e não tanto como um destino para viagens corporate. Em abono da verdade, a Meetings Industry de Portugal está cada vez mais competitiva e é cada vez mais “o fruto apetecido”, não só ao nível nacional mas também internacional.

(Download) Algarve Meeting Industry Survey





Turismo Nacional em quebra contínua

17 11 2009


De acordo com a análise desenvolvida mensalmente pela ILM Advisory, especialista em assessoria a entidades públicas e privadas ligadas ao mercado turístico, o turismo nacional atravessa um ciclo de quebra contínua desde o início do ano.

A análise de desempenho turístico elaborada pela ILM no início do mês de Junho para o I-ON-TOURISM, conclui que “em todas as rubricas analisadas no último trimestre, apenas a venda dos Pastéis de Belém regista uma subida significativa na procura. O aumento registado nas vendas deste produto atingiu as 3.255 unidades em Março de 2009, face a igual período do ano anterior”. No seu conjunto foram analisados o tráfego aéreo nos principais aeroportos, movimento de cruzeiros nos portos de Lisboa e da Madeira, índices hoteleiros, número de voltas nos campos de golfe situados na região de Lisboa e número de visitantes em museus e palácios, registando-se na maioria das variáveis um claro decréscimo de actividade.

A análise do tráfego aéreo nos quatro principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro e Funchal) conclui que no mês de Março de 2009 se registou uma descida de 369.730 passageiros. Neste domínio salienta-se o aumento da dependência dos principais aeroportos nacionais face a turistas oriundos da União Europeia, com percentagens entre 75% e 95%.

Em relação ao movimento dos cruzeiros o estudo citado revela um decréscimo no número de embarcações em Março último, face a período homólogo do ano anterior. Na hotelaria a descida verificada em idêntico período, no número total de dormidas registadas a nível nacional, atinge os 22,3 %. Os hotéis de cinco estrelas registaram a maior quebra (-24,7%) e o pior desempenho (38,8%). Curiosamente o golfe registou em Março de 2009 um aumento de 11,8% nas receitas por volta, apesar da diminuição de voltas em 15.704. A visita de museus e palácios registou também um aumento de 8% no total de visitantes em Março de 2009, face a Março de 2008, sendo o Palácio de Sintra o mais visitado em ambos os meses.

De acordo com Andrew Coutts, CEO da ILM Advisory, “esta situação de quebra contínua no desempenho turístico nacional, espelha a preferência dos turistas por destinos mais perto dos seus locais de origem. Com a recuperação da economia, espera-se que esta dependência venha a alterar-se, assistindo-se a um incremento no número das viagens de longo curso”.

Para realizar o estudo descrito a ILM recorreu a dados fornecidos pela ANA Aeroportos e Aeroportos da Madeira, Associação de Turismo de Lisboa, Instituto dos Museus e da Conservação, Turismo de Portugal, IGESPAR, Administração do Porto de Lisboa, Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, Fortaleza de Sagres – Ministério da Cultura, Pastéis de Belém, Castelo de São Jorge – EGEAC, Convento de Cristo e Parques de Sintra, entidades a quem agradece a informação disponibilizada.





Março.Menos turistas.Mais pastel

17 11 2009

No mês de Março do corrente ano, a situação turística nacional do país apresentou valores negativos em comparação com igual período de 2008.

No mês em análise assistiu-se a uma quebra generalizada no número de turistas entrados em território nacional, quer via aérea, quer via marítima, tendo-se igualmente verificado uma diminuição de dormidas na hotelaria, assim como no número de visitantes nas distintas atracções turísticas analisadas.

AEROPORTOS

Aos 4 principais aeroportos nacionais – Lisboa, Faro, Funchal e Porto – chegaram menos 369. 730 passageiros do que em igual período de 2009, sendo que o aeroporto de Lisboa foi aquele que, em termos absolutos, registou a maior quebra – menos 195.626 passageiros. Verifica-se igualmente que os turistas continuam a optar por locais de destino mais perto dos seus locais de origem, algo evidenciado pela forte dependência dos aeroportos observados face a turistas europeus. O aeroporto de Lisboa foi o que apresentou o menor grau de dependência, sendo que esta foi igual a 75%. Espera-se que com a retoma económica esta situação se inverta, e que deste modo se assista a um aumento no número de viagens de longo curso a médio longo prazo.

A representatividade das companhias low cost é um factor igualmente interessante de se analisar no que concerne à entrada de turistas em território nacional. No período em causa estas companhias assumiram um peso superior do que em igual período de 2008, nos aeroportos analisados, porém o número de voos efectuados pelas mesmas diminuiu – cerca de menos 250 voos.

CRUZEIROS

Os turistas que viajam em cruzeiros são também um importante indicador turístico, sendo que aqueles que embarcam e/ou desembarcam nos portos nacionais assumem uma maior importância para a economia nacional. No mês em observação assistiu-se a uma diminuição no número total de passageiros que passaram nos portos de Lisboa e do Funchal, menos 11.951 passageiros, sendo que 84% destas quebras tiveram lugar no porto do Funchal.

HOTELARIA
A hotelaria a nível nacional registou também performances negativas em todas as rubricas analisadas – proveitos, taxa de ocupação/quarto e número de dormidas. Ao nível das dormidas, os residentes foram os responsáveis pela maior quebra registada (22.9%), no entanto esta descida não foi muito diferente da verificada pelos estrangeiros (22%). A redução na taxa de ocupação nacional cifrou-se nos 11%, sendo que na cidade de Lisboa esta foi igual a 20.7%, o que se traduziu numa forte quebra na ocupação da capital. As regiões do Algarve e do Centro, a par com a de Lisboa, foram as mais afectadas durante o mês em análise.
LAZER
No que diz respeito a todas as rubricas incluídas no ponto referente ao lazer – golfe, museus e palácios, Castelo de São Jorge, Fortaleza de Sagres, Convento de Cristo, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e Pastéis de Belém – constatamos que somente esta última não registou quebras no comparativo dos dois meses em causa. Ao nível das atracções turísticas as diminuições são justificadas pelo facto de no ano de 2008 a Páscoa ter tido lugar no mês de Março, enquanto que em 2009 esta festividade ocorreu no mês de Abril.

Destaque ainda para a modalidade do golfe e a Fortaleza de Sagres, que apesar de terem registado um menor número de jogadores e visitantes, respectivamente, assinalaram aumentos ao nível das receitas geradas por pessoa em cada uma das suas lojas dedicadas à venda de green-fees (golfe), informação sobre o monumento (Fortaleza de Sagres) e merchandise no geral.

A informação anteriormente exposta permite assim concluir que o mês de Março não foi de todo um mês positivo para o sector turístico nacional, no entanto espera-se que tal situação se venha a ajustar com o avançar do tempo e com o surgimento dos primeiros indícios da recuperação económica mundial.





Performance turística nacional continua em baixa

17 11 2009

O mês de Fevereiro, tal como o de Janeiro, não é um mês que apresente valores particularmente positivos ao nível da performance turística nacional, apesar de neste mês o mercado começar a despertar para o turismo de golfe e de negócios. Não obstante os incrementos registados no número total de voltas de golfe efectuadas nos campo da região de Lisboa, bem como no número de passageiros oriundos de cruzeiros, a ILM Advisory constatou que, na generalidade, o mês de Fevereiro de 2009, em comparação com o seu homólogo, registou performances negativas.
CRUZEIROS
No que toca à entrada de passageiros em território nacional, foram efectuadas análises ao nível da entrada de passageiros via aérea e marítima. Tal como se verificou no comparativo dos meses de Janeiro de 2008 e 2009, também nos meses de Fevereiro se assistiu a uma quebra no número de passageiros entrados via aérea nos cinco principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada) e a um incremento no número de passageiros chegados em cruzeiros ao Porto de Lisboa e do Funchal.
AEROPORTOS
Ao nível dos aeroportos assistiu-se a uma quebra de cerca de 10% no número total de passageiros, sendo que o aeroporto de Faro foi aquele que voltou a registar a quebra mais acentuada, de aproximadamente 20%, o que se traduziu em menos 42.497 passageiros, sendo que, deste total, 76% eram oriundos do Reino Unido. A actual instabilidade económica produziu igualmente efeitos ao nível do número total de lugares oferecidos nos três principais aeroportos localizados no Continente. Relativamente aos passageiros de cruzeiros assistiu-se a um incremento de 6.557 passageiros nos dois portos em observação, o que está directamente relacionado com o facto de em Fevereiro de 2009 terem atracado mais 6 cruzeiros nos portos de Lisboa (2) e do Funchal (4).
HOTELARIA
No que diz respeito à performance hoteleira nacional, a ILM Advisory constatou que esta sofreu quebras acentuadas, nomeadamente nas principais regiões turísticas nacionais – Algarve, Lisboa e Madeira. Em termos absolutos, em Fevereiro de 2009, registaram-se menos 14.3% das dormidas efectuadas no mesmo período de 2008. Apesar desta quebra, as regiões dos Açores e do Alentejo registaram performances positivas, tendo esta última obtido um incremento de 1.4% na rubrica em análise. Importa porém frisar que estas duas regiões apresentam um peso muito reduzido na procura global registada a nível nacional, não influenciando assim, em grande parte, os resultados alcançados nas restantes regiões. Um outro importante aspecto deve-se ao facto da quebra registada estar nomeadamente relacionada com os turistas internacionais (-19.4%), assistindo-se também a uma redução nas estadas médias por parte dos nacionais. Em termos globais registou-se ainda uma quebra de 20% nos proveitos da hotelaria nacional.
LAZER
As atracções turísticas, bem como as actividades de lazer, representam também importantes fontes de receita para o sector do turismo nacional, tendo a grande generalidade das entidades contactadas sofrido quebras no número total de visitantes. Tal como referenciado inicialmente, o golfe porém registou valores superiores aos alcançados em igual período de 2008, tendo-se assistido a um aumento no número de voltas jogadas por dia (mais 3.3) nos campos situados na região de Lisboa, tendo sido os jogadores nacionais e escandinavos aqueles que mais contribuíram para os valores atingidos. Os jogadores espanhóis e americanos registaram as maiores descidas, tendo ainda os ingleses sofrido uma quebra na ordem dos 37%. Por fim, no que concerne ao número total de visitantes nas atracções turísticas e nos distintos museus e palácios nacionais, verificaram-se quebras em todas as rubricas analisadas.
Assim, tendo em conta toda a informação anteriormente mencionada podemos constatar que o mês de Fevereiro de 2009 continuou a ser muito afectado pela actual instabilidade económica sentida a nível global, a qual produziu efeitos negativos no sector do turismo nacional. A nível nacional registaram-se quebras nos dois principais mercados emissores para Portugal (Espanha e Reino Unido), os quais estão a ser fortemente afectados pela actual situação mundial, optando ou por viajar para países onde o seu poder de compra seja superior ao alcançado em Portugal (Turquia, Egipto e Tunísia), caso dos turistas britânicos, ou por efectuar turismo a nível interno de maneira a se reduzirem os custos de deslocação, como é o caso do mercado espanhol. A tendência por estadias de menor duração tem igualmente repercussões na disponibilidade dos turistas para efectuarem visitas às distintas atracções turísticas localizadas num determinado destino, algo que também poderá ajudar a justificar as quebras registadas nas atracções turísticas nacionais analisadas.




Indicadores turísticos registam performances negativas no mês de Janeiro de 2009

17 11 2009

O mês de Janeiro, como é sabido, não é um mês de grande actividade económica turística a nível nacional quando comparado o seu resultado com os alcançados ao longo da época alta. Porém, o mês de Janeiro do corrente ano ficou marcado por uma performance turística ainda mais reduzida do que o habitual, tendo apresentado sinais de retracção nos distintos indicadores analisados pela ILM Advisory.

AEROPORTOS
Ao nível da entrada de passageiros via aérea assistiu-se a uma quebra de 3% nos cinco principais aeroportos nacionais – Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada – o que se traduziu em menos 53.352 passageiros em território nacional. De todos os aeroportos analisados, o de Faro, foi aquele que registou a maior quebra (13.637), sendo que deste total de passageiros 3.500 eram oriundos do Reino Unido. Esta diminuição acentuada de turistas oriundos deste país é justificada em parte pela actual crise económica e a consequente desvalorização da Libra Esterlina face ao Euro, o que leva a que os britânicos optem por destinos turísticos onde o seu poder de compra é mais elevado.

CRUZEIROS
A informação relativa ao número total de navios de cruzeiros que chegam aos distintos portos nacionais representa igualmente uma importante fonte de conhecimento sobre o número total de turistas entrados em território nacional. Dos três portos analisados – Lisboa, Funchal e Portimão – constatamos que o Porto de Lisboa recebeu 4 navios, um a menos do que no período homólogo em observação, o do Funchal manteve os seus 23 navios no mês de Janeiro e que o Porto de Portimão não recebeu nenhum paquete no mês em análise em ambos os anos.

Assim, a nível global e comparativamente com o mês de Janeiro de 2008, assistiu-se a um aumento de 3.733 passageiros. Importa porém mencionar que a grande maioria destes turistas se encontraram somente em trânsito no território nacional, não gerando desta forma receitas tão elevadas como aqueles que embarcam e desembarcam nos portos nacionais. A elevada afluência ao porto do Funchal, comparativamente com os restantes portos, é justificada pelo facto desta ilha albergar um dos maiores fogos de artifício na passagem de ano atraindo por isso um elevado número de turistas e cruzeiros até este destino no início do mês de Janeiro.

HOTELARIA
Tal como referido previamente, apesar do mês de Janeiro não ser considerado um mês forte para a hotelaria nacional, este foi ainda um mês mais fraco do que é habitual tendo-se assistido a quebras na ocupação/quarto de 18.1% na região de Lisboa, segundo dados da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), e de 8% na região do Algarve, conforme informação disponibilizada pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). As mesmas instituições mencionaram ainda que em termos absolutos a região de Lisboa alcançou uma taxa de ocupação de 38.35%, enquanto que a do Algarve obteve somente uma taxa igual a 28.8%, tendo sido nos estabelecimentos de categoria superior que se registaram as maiores quebras nesta rubrica. Assim, na região de Lisboa, foram os hotéis de 4 estrelas aqueles que registaram as melhores taxas de ocupação (41.74%), seguidos pelos de 3 estrelas (39.51%), enquanto que no Algarve foram estas últimas unidades de alojamento as que atingiram as maiores taxas de ocupação – 43.6%.

Situação que poderá traduzir o facto de cada vez mais o turista optar por unidades de alojamento com custos mais reduzidos.

Outra tendência iminente é o facto do turista, cada vez mais, optar por estadas mais curtas o que tem necessariamente repercussões ao nível das taxas de ocupação.

LAZER
Ao nível das actividades de lazer, onde se inclui o golfe e as visitas às distintas atracções turísticas nacionais, registaram-se igualmente quebras no comparativo do mês de Janeiro de 2009 face a 2008.

As reduções verificadas no golfe justificam-se pelo facto desta ser uma actividade dispendiosa. Na Região de Lisboa foram jogadas menos 5.5 voltas/dia, tendo sido os não sócios aqueles que mais contribuíram para esta quebra.

Actualmente encontram-se igualmente a surgir novos destinos de golfe que apresentam preços mais acessíveis e condições similares aos campos nacionais, os quais acabam por competir com Portugal e atrair um maior número de jogadores, como é o caso da Turquia e de Marrocos.

No que diz respeito aos museus e palácios a cargo do Instituto dos Museus e da Conservação assistiu-se a uma redução significativa no número de entradas registadas quer nos museus, quer nos palácios. A quebra registada ao nível dos museus foi porém menos expressiva com menos 15% de entradas, totalizando-se 57.924 entradas.

De todos os museus, o Museu Nacional dos Coches foi o mais visitado com 8.163 entradas. Por outro lado, ao nível dos palácios verificou-se uma redução de 44% no número de entradas passando-se de 71.799 visitantes em Janeiro de 2008 para 39.650 no período h0mólogo de 2009. O palácio mais visitado no primeiro mês do ano corrente foi o Palácio Nacional de Sintra, o qual registou 12.241 entradas, seguido de perto pelo Palácio Nacional de Mafra com 11.955 entradas.

Os dados anteriormente expostos permitem-nos assim concluir que o sector turístico nacional, no mês de Janeiro de 2009, sofreu com os efeitos da instabilidade económica sentida a nível global, a qual têm produzido repercussões negativas no sector em análise a nível mundial. Denota-se porém que, apesar do período em causa, os turistas mantêm a sua vontade de viajar visto só se ter verificado uma quebra de 3% nos cinco principais aeroportos nacionais analisados, mas que no entanto estes optam por viajar em companhias de voo low cost as quais aumentaram a sua representatividade a nível nacional. Os turistas começam igualmente a preferir unidades de alojamento com custos mais reduzidos de maneira a poderem continuar a viajar, optando também por efectuar estadas de menor duração, de maneira a reduzirem os seus custos de deslocação. Por fim, a redução do tempo disponível dos turistas nos seus locais de destino, produz também efeitos negativos ao nível do tempo que os mesmos dispõem para visitar as atracções turísticas locais e realizarem actividades de lazer regionais, o que explica, em parte, as quebras registadas nestas instituições no mês de Janeiro de 2009.