O destino MADEIRA e a necessidade da adopção de políticas de reposicionamento turístico

3 08 2010

Maria João Silva

Desde o final do mês de Junho que o destino turístico da Madeira tem sido referenciado nas notícias devido à venda iminente da unidade hoteleira Choupana Hills, a uma cadeia hoteleira nacional.

Os principais motivos apontados para tal prendem-se com a inadequada promoção do destino para produtos de nicho, o facto do imóvel em questão não pertencer a uma cadeia de gestão não beneficiando como tal de uma rede de distribuição e marketing, e à dificuldade do destino em ultrapassar a imagem de devastação deixada pelas chuvas torrenciais que se fizeram sentir na região no mês de Fevereiro do corrente ano.

De acordo com um levantamento de mercado efectuado pela ILM no início do mês de Julho, junto de vários especialistas do sector turístico e imobiliário da Madeira, o destino em questão debate-se actualmente com alguns problemas derivados da actual instabilidade económica, os quais tem contribuído para comprometer a visibilidade e competitividade do destino em causa, e que poderá afectar a actividade futura do sector do turismo, caso não se adoptem medidas de acção.

O destino Madeira encontra-se na fase de Maturidade do designado ciclo de vida do produto, sendo essencial adoptarem-se novas estratégias de reposicionamento do destino, para que a Madeira não entre na fase subsequente de Declínio. Este reposicionamento do destino deverá passar, entre outros aspectos, pela captação de novos segmentos de mercado (famílias, casais jovens, meeting industry,…) e de diferentes nacionalidades, de forma a atenuar a forte dependência de um limitado número de mercados – Inglês, Alemão e Português.

Um outro handicap do destino em causa prende-se com a sua forte dependência da Tour Operação, o que associado à localização insular do destino, limita desde logo as ofertas turísticas disponibilizadas pelos tour operadores. É certo que a entrada da companhia aérea low cost Easyjet veio atenuar a forte dependência do destino em Operadores Turísticos, e permitir uma maior visibilidade do mesmo, assim como flexibilidade para o cliente Free Independent Traveler, no entanto a realidade é que o sector turístico da região está ainda muito dependente da actividade e das ofertas efectuadas pelos Operadores Turísticos.

A instabilidade económica e a consequente quebra na procura turística registada na passagem de 2008 para 2009, menos 690 mil dormidas, conduziram os estabelecimentos hoteleiros locais a competirem de uma forma mais agressiva entre si, nomeadamente os estabelecimentos de 5 estrelas, à procura de garantir uma quota de mercado que justificasse a operação dos seus imóveis e a geração de um volume de negócios que lhes permitisse cumprir as responsabilidades assumidas por um investimento substancial, competição essa que passou principalmente por uma redução nos preços praticados. Esta conjuntura conduziu a uma canibalização do mercado, sendo que actualmente os hotéis 5 estrelas praticam preços de 4 estrelas, os quais começam igualmente a praticar preços de 3 estrelas, o que tem necessariamente implicações na imagem e percepção do destino, situação esta que atingiu não só os hotéis independentes, bem como os inseridos em cadeias hoteleiras.

No que toca à promoção do destino Madeira a consulta de mercado desenvolvida pela ILM permite concluir que esta foca-se maioritariamente nos segmentos e produtos tradicionais do destino (Natureza e Sol & Mar) e que é necessário diversificar a promoção para nichos de mercado específicos, os quais estão dispostos a pagar mais por uma experiência única e diferenciadora, algo que se verifica não só na unidade hoteleira actualmente à venda, bem como em tantas outras pequenas unidades de charme localizadas na ilha da Madeira.

Constata-se, desta forma, que o destino Madeira depara-se actualmente com uma valiosa oportunidade de reposicionamento e redefinição de estratégias, públicas e privadas, de combate à actual situação de diminuição do nível da procura, sendo o momento presente determinante para o sucesso futuro do destino.

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Turismo Nacional em quebra contínua

17 11 2009


De acordo com a análise desenvolvida mensalmente pela ILM Advisory, especialista em assessoria a entidades públicas e privadas ligadas ao mercado turístico, o turismo nacional atravessa um ciclo de quebra contínua desde o início do ano.

A análise de desempenho turístico elaborada pela ILM no início do mês de Junho para o I-ON-TOURISM, conclui que “em todas as rubricas analisadas no último trimestre, apenas a venda dos Pastéis de Belém regista uma subida significativa na procura. O aumento registado nas vendas deste produto atingiu as 3.255 unidades em Março de 2009, face a igual período do ano anterior”. No seu conjunto foram analisados o tráfego aéreo nos principais aeroportos, movimento de cruzeiros nos portos de Lisboa e da Madeira, índices hoteleiros, número de voltas nos campos de golfe situados na região de Lisboa e número de visitantes em museus e palácios, registando-se na maioria das variáveis um claro decréscimo de actividade.

A análise do tráfego aéreo nos quatro principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro e Funchal) conclui que no mês de Março de 2009 se registou uma descida de 369.730 passageiros. Neste domínio salienta-se o aumento da dependência dos principais aeroportos nacionais face a turistas oriundos da União Europeia, com percentagens entre 75% e 95%.

Em relação ao movimento dos cruzeiros o estudo citado revela um decréscimo no número de embarcações em Março último, face a período homólogo do ano anterior. Na hotelaria a descida verificada em idêntico período, no número total de dormidas registadas a nível nacional, atinge os 22,3 %. Os hotéis de cinco estrelas registaram a maior quebra (-24,7%) e o pior desempenho (38,8%). Curiosamente o golfe registou em Março de 2009 um aumento de 11,8% nas receitas por volta, apesar da diminuição de voltas em 15.704. A visita de museus e palácios registou também um aumento de 8% no total de visitantes em Março de 2009, face a Março de 2008, sendo o Palácio de Sintra o mais visitado em ambos os meses.

De acordo com Andrew Coutts, CEO da ILM Advisory, “esta situação de quebra contínua no desempenho turístico nacional, espelha a preferência dos turistas por destinos mais perto dos seus locais de origem. Com a recuperação da economia, espera-se que esta dependência venha a alterar-se, assistindo-se a um incremento no número das viagens de longo curso”.

Para realizar o estudo descrito a ILM recorreu a dados fornecidos pela ANA Aeroportos e Aeroportos da Madeira, Associação de Turismo de Lisboa, Instituto dos Museus e da Conservação, Turismo de Portugal, IGESPAR, Administração do Porto de Lisboa, Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, Fortaleza de Sagres – Ministério da Cultura, Pastéis de Belém, Castelo de São Jorge – EGEAC, Convento de Cristo e Parques de Sintra, entidades a quem agradece a informação disponibilizada.





Março.Menos turistas.Mais pastel

17 11 2009

No mês de Março do corrente ano, a situação turística nacional do país apresentou valores negativos em comparação com igual período de 2008.

No mês em análise assistiu-se a uma quebra generalizada no número de turistas entrados em território nacional, quer via aérea, quer via marítima, tendo-se igualmente verificado uma diminuição de dormidas na hotelaria, assim como no número de visitantes nas distintas atracções turísticas analisadas.

AEROPORTOS

Aos 4 principais aeroportos nacionais – Lisboa, Faro, Funchal e Porto – chegaram menos 369. 730 passageiros do que em igual período de 2009, sendo que o aeroporto de Lisboa foi aquele que, em termos absolutos, registou a maior quebra – menos 195.626 passageiros. Verifica-se igualmente que os turistas continuam a optar por locais de destino mais perto dos seus locais de origem, algo evidenciado pela forte dependência dos aeroportos observados face a turistas europeus. O aeroporto de Lisboa foi o que apresentou o menor grau de dependência, sendo que esta foi igual a 75%. Espera-se que com a retoma económica esta situação se inverta, e que deste modo se assista a um aumento no número de viagens de longo curso a médio longo prazo.

A representatividade das companhias low cost é um factor igualmente interessante de se analisar no que concerne à entrada de turistas em território nacional. No período em causa estas companhias assumiram um peso superior do que em igual período de 2008, nos aeroportos analisados, porém o número de voos efectuados pelas mesmas diminuiu – cerca de menos 250 voos.

CRUZEIROS

Os turistas que viajam em cruzeiros são também um importante indicador turístico, sendo que aqueles que embarcam e/ou desembarcam nos portos nacionais assumem uma maior importância para a economia nacional. No mês em observação assistiu-se a uma diminuição no número total de passageiros que passaram nos portos de Lisboa e do Funchal, menos 11.951 passageiros, sendo que 84% destas quebras tiveram lugar no porto do Funchal.

HOTELARIA
A hotelaria a nível nacional registou também performances negativas em todas as rubricas analisadas – proveitos, taxa de ocupação/quarto e número de dormidas. Ao nível das dormidas, os residentes foram os responsáveis pela maior quebra registada (22.9%), no entanto esta descida não foi muito diferente da verificada pelos estrangeiros (22%). A redução na taxa de ocupação nacional cifrou-se nos 11%, sendo que na cidade de Lisboa esta foi igual a 20.7%, o que se traduziu numa forte quebra na ocupação da capital. As regiões do Algarve e do Centro, a par com a de Lisboa, foram as mais afectadas durante o mês em análise.
LAZER
No que diz respeito a todas as rubricas incluídas no ponto referente ao lazer – golfe, museus e palácios, Castelo de São Jorge, Fortaleza de Sagres, Convento de Cristo, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e Pastéis de Belém – constatamos que somente esta última não registou quebras no comparativo dos dois meses em causa. Ao nível das atracções turísticas as diminuições são justificadas pelo facto de no ano de 2008 a Páscoa ter tido lugar no mês de Março, enquanto que em 2009 esta festividade ocorreu no mês de Abril.

Destaque ainda para a modalidade do golfe e a Fortaleza de Sagres, que apesar de terem registado um menor número de jogadores e visitantes, respectivamente, assinalaram aumentos ao nível das receitas geradas por pessoa em cada uma das suas lojas dedicadas à venda de green-fees (golfe), informação sobre o monumento (Fortaleza de Sagres) e merchandise no geral.

A informação anteriormente exposta permite assim concluir que o mês de Março não foi de todo um mês positivo para o sector turístico nacional, no entanto espera-se que tal situação se venha a ajustar com o avançar do tempo e com o surgimento dos primeiros indícios da recuperação económica mundial.





Performance turística nacional continua em baixa

17 11 2009

O mês de Fevereiro, tal como o de Janeiro, não é um mês que apresente valores particularmente positivos ao nível da performance turística nacional, apesar de neste mês o mercado começar a despertar para o turismo de golfe e de negócios. Não obstante os incrementos registados no número total de voltas de golfe efectuadas nos campo da região de Lisboa, bem como no número de passageiros oriundos de cruzeiros, a ILM Advisory constatou que, na generalidade, o mês de Fevereiro de 2009, em comparação com o seu homólogo, registou performances negativas.
CRUZEIROS
No que toca à entrada de passageiros em território nacional, foram efectuadas análises ao nível da entrada de passageiros via aérea e marítima. Tal como se verificou no comparativo dos meses de Janeiro de 2008 e 2009, também nos meses de Fevereiro se assistiu a uma quebra no número de passageiros entrados via aérea nos cinco principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada) e a um incremento no número de passageiros chegados em cruzeiros ao Porto de Lisboa e do Funchal.
AEROPORTOS
Ao nível dos aeroportos assistiu-se a uma quebra de cerca de 10% no número total de passageiros, sendo que o aeroporto de Faro foi aquele que voltou a registar a quebra mais acentuada, de aproximadamente 20%, o que se traduziu em menos 42.497 passageiros, sendo que, deste total, 76% eram oriundos do Reino Unido. A actual instabilidade económica produziu igualmente efeitos ao nível do número total de lugares oferecidos nos três principais aeroportos localizados no Continente. Relativamente aos passageiros de cruzeiros assistiu-se a um incremento de 6.557 passageiros nos dois portos em observação, o que está directamente relacionado com o facto de em Fevereiro de 2009 terem atracado mais 6 cruzeiros nos portos de Lisboa (2) e do Funchal (4).
HOTELARIA
No que diz respeito à performance hoteleira nacional, a ILM Advisory constatou que esta sofreu quebras acentuadas, nomeadamente nas principais regiões turísticas nacionais – Algarve, Lisboa e Madeira. Em termos absolutos, em Fevereiro de 2009, registaram-se menos 14.3% das dormidas efectuadas no mesmo período de 2008. Apesar desta quebra, as regiões dos Açores e do Alentejo registaram performances positivas, tendo esta última obtido um incremento de 1.4% na rubrica em análise. Importa porém frisar que estas duas regiões apresentam um peso muito reduzido na procura global registada a nível nacional, não influenciando assim, em grande parte, os resultados alcançados nas restantes regiões. Um outro importante aspecto deve-se ao facto da quebra registada estar nomeadamente relacionada com os turistas internacionais (-19.4%), assistindo-se também a uma redução nas estadas médias por parte dos nacionais. Em termos globais registou-se ainda uma quebra de 20% nos proveitos da hotelaria nacional.
LAZER
As atracções turísticas, bem como as actividades de lazer, representam também importantes fontes de receita para o sector do turismo nacional, tendo a grande generalidade das entidades contactadas sofrido quebras no número total de visitantes. Tal como referenciado inicialmente, o golfe porém registou valores superiores aos alcançados em igual período de 2008, tendo-se assistido a um aumento no número de voltas jogadas por dia (mais 3.3) nos campos situados na região de Lisboa, tendo sido os jogadores nacionais e escandinavos aqueles que mais contribuíram para os valores atingidos. Os jogadores espanhóis e americanos registaram as maiores descidas, tendo ainda os ingleses sofrido uma quebra na ordem dos 37%. Por fim, no que concerne ao número total de visitantes nas atracções turísticas e nos distintos museus e palácios nacionais, verificaram-se quebras em todas as rubricas analisadas.
Assim, tendo em conta toda a informação anteriormente mencionada podemos constatar que o mês de Fevereiro de 2009 continuou a ser muito afectado pela actual instabilidade económica sentida a nível global, a qual produziu efeitos negativos no sector do turismo nacional. A nível nacional registaram-se quebras nos dois principais mercados emissores para Portugal (Espanha e Reino Unido), os quais estão a ser fortemente afectados pela actual situação mundial, optando ou por viajar para países onde o seu poder de compra seja superior ao alcançado em Portugal (Turquia, Egipto e Tunísia), caso dos turistas britânicos, ou por efectuar turismo a nível interno de maneira a se reduzirem os custos de deslocação, como é o caso do mercado espanhol. A tendência por estadias de menor duração tem igualmente repercussões na disponibilidade dos turistas para efectuarem visitas às distintas atracções turísticas localizadas num determinado destino, algo que também poderá ajudar a justificar as quebras registadas nas atracções turísticas nacionais analisadas.