Hotelaria 4 e 5 estrelas Algarve confiante face a 2011

2 01 2011

Leading Sustainable Tourism2

De acordo com a análise desenvolvida pela ILM Advisory, os hotéis de 4 e 5 estrelas do Algarve verificaram até ao final da época alta um aumento nas Taxas de Ocupação e RevPar.

Os dados recolhidos pela ILM junto de 26 hotéis 4 e 5 Estrelas, localizados na região do Algarve, permitiram não só traçar a sua performance, ao longo de 2010 e com especial incidência nos meses de Verão (Julho a Setembro) como também comparar a performance do ano de 2009 com a de 2010, e compreender quais as expectativas dos directores hoteleiros quanto à sua performance anual para 2010 e 2011.

Incidindo sobre indicadores de performance como o preço médio por quarto vendido, a taxa de ocupação e o revpar (lucro por quarto disponível), apresentam-se de seguida as principais conclusões para a oferta hoteleira nas categorias 4 e 5 estrelas.

CONCLUSÕES OFERTA HOTELEIRA DE 5 ESTRELAS
_Verifica-se que no período de Jan-Set 2010 a taxa de ocupação foi 2,39p.p. superior à de 2009 (44,99% vs 42,59%), no entanto os valores de 2010 não contemplam todavia o 4º trimestre do ano.
_No comparativo de 2009 vs Jan-Set 2010 assistiu-se a uma quebra no PMQV igual a 6,31€ (157,28€ vs 150,98€), motivada pela entrada de novos estabelecimentos hoteleiros no mercado e a descida de preços registada em cinco das onze unidades inquiridas.
_O Revpar registou um incremento no comparativo de 2009 vs Jan-Set 2010 igual a 3,22€, passando de 55,14€ para 58,36€, devendo-se salientar que no ano de 2010 falta considerar o último trimestre do ano.
_No que concerne às nacionalidades, os mercados mais relevantes são: Português (22,9% – 31,9%), Inglês (28,5% – 37,2%) e Alemão (9,2% e 17,1%). Alemães tendem a hospedar-se em unidades de topo, ou seja, naquelas que apresentam o maior PMQV com valores a partir dos 200€/noite. O mercado Nacional foi o principal responsável por atenuar as quebras na procura dos hotéis 5 estrelas. Este mercado representa aproximadamente um terço da procura dos hotéis inquiridos, evidenciando a sua predominância no destino.
_No que se refere aos canais de distribuição no comparativo 2009 vs Jan-Set 2010, verificou-se uma diminuição da dependência da Tour Operação. A crescente tendência do Last Minute poderá justificar o aumento em 5p.p. da procura directa (FIT/Walk-In), denotando-se ainda um crescimento da procura via Grupos MI/ Corporate. As Plataformas Online observaram igualmente um incremento no comparativo 2009 Vs. Jan-Set 2010.
_Em termos de Mix de Receitas, verifica-se que o alojamento é o maior responsável pela facturação total dos hotéis de 5 estrelas, seguido pelo departamento de Comidas e Bebidas. De referir ainda a quebra significativa do departamento golfe para o mix de receitas no período do verão 2010, facto que se justifica pelo aumento da procura de clientes motivados pelo produto sol & mar.
_No que concerne aos custos operacionais verifica-se que os custos com pessoal registou uma quebra de 3 p.p. no comparativo 2009 Vs Jan-Set 2010 absorvendo esta rubrica 41% das receitas geradas.
_O total de custos de Marketing foi equivalente a 6% das receitas geradas, tendo-se investido 1.280 €/mês por quarto ocupado.
_Tendo os custos de energia registado uma representatividade de 5% das receitas geradas, tendo-se consumido 25 € em energia por quarto ocupado.
_Quanto aos custos com Manutenção, estes apresentaram um custo médio de 28,5€ por quarto ocupado no período de Jan-Set 2010, devido às acções necessárias para manter o nível de produto e serviço 5 estrelas.
_No que concerne aos lucros operacionais (GOP), observou-se que para metade dos inquiridos o lucro operacional gerado em 2009 representou entre 21% e 30% das receitas. Comparando a performance de 2009 com Jan-Set de 2010 verifica-se que para 40% dos inquiridos a representatividade do lucro operacional aumentou e outros 40% diminuiu, devendo-se ressalvar a sensibilidade desta situação, uma vez que os valores de 2010 ainda não contabilizam o 4º trimestre, o qual regista normalmente prejuízos.
_Em termos de previsão de fecho de 2010 em rubricas como ocupação e preço médio, os hoteleiros de produtos 5 estrelas consideram que 2010 observará uma ocupação e preço médio de 53% e 170 € respectivamente.
_Relativamente às previsões para 2011, nas rubricas em questão prevê-se a manutenção dos índices de preço médio, porém com um ligeira quebra nas taxas de ocupação.
_Finalmente e relativamente às ameaças para o negócio, os hoteleiros consideram factores como o posicionamento de preço, as acessibilidades e o frágil contexto económico Europeu e Nacional como principais condicionantes à performance de 2011.

CONCLUSÕES OFERTA HOTELEIRA DE 4 ESTRELAS
_No acumulado do presente ano (2010) os hotéis inquiridos apresentam uma taxa de ocupação ligeiramente superior à do ano transacto (58,08% vs 55,93%), porém os dados de 2010 não contemplam todavia a performance do último trimestre do ano.
_O PMQV no comparativo Jan-Set de 2010 vs ano 2009, observou um incremento de 5,14€ cifrando-se nos 66,97€, no entanto os valores de 2010 não contemplam todavia o último trimestre do ano.
_No RevPar denota-se que no acumulado de Jan-Set 2010 os hotéis inquiridos obtiveram uma performance média superior à de 2009 (+6,06€), De sublinhar que o crescimento significativo do Revpar no Verão de 2010, face ao acumulado de Jan-Set de 2010 (32,14€), ficou-se principalmente a dever a uma variação mais acentuada da taxa de ocupação.
_Relativamente às nacionalidades verifica-se que os três mercados mais relevantes são: Português (29,9% – 38,5%), Inglês (15,6% – 24,6%) e Alemão (13,4% – 22,2%). Denota-se que Portugueses e Ingleses concentram-se nas regiões do Centro e Sotavento Algarvio, enquanto que os Alemães dispersam-se mais por todo o território Algarvio. Os mercados emissores tradicionais observaram quebras na procura – Ingleses menos 3,3.p.p., Alemães e Irlandeses menos 1,3p.p. cada, no comparativo de 2009 vs 2010 – enquanto que mercados como Espanha e Benelux observaram crescimentos (4 p.p. e 1 p.p., respectivamente), justificado, em parte, pela proximidade geográfica (Espanha) bem como pelo esforço promocional de diversificação de mercados realizado pela ATA (Benelux).
_A Tour Operação assume um peso significativo na operação dos hotéis 4 estrelas, sendo responsável por cerca de 37% da procura, verificando-se no entanto perda de representatividade deste canal, a par dos Grupos MI/ Corporate. Nas unidades em que os Tour Operadores são responsáveis por gerar mais de 50% das reservas, as Plataformas Online constituem o segundo canal de distribuição mais relevante com um peso de 11 a 20%, evidenciando a baixa performance de vendas directas, repercutindo-se nos resultados.
_Em termos de Mix de receitas verifica-se que o alojamento é o principal motor de facturação, seguido pelo departamento de comidas e bebidas, representando um intervalo de contribuição de 58% a 68% e 25% a 34% respectivamente; O departamento de alojamentos apresenta maior representatividade nas unidades pertencentes a cadeias hoteleiras face a hotéis independentes.
_No que concerne aos custos operacionais verifica-se que os custos com pessoal registaram uma quebra acentuada (4,7p.p.) no comparativo 2009 Vs Jan-Set 2010 diminuindo de 31,6% para 26,9%, das receitas geradas. Em média, por ano, os gastos com pessoal correspondem a 5.200€ por quarto.
_Os custos de Marketing registaram em média uma representatividade de 6% das receitas geradas, tendo-se investido 1.280 €/mês por quarto ocupado.
_Os custos de energia observaram uma diminuição de 0.6 p.p. no comparativo 2009, face ao período de Jan-Set 2010 tendo-se consumido diariamente 6.6 € em energia por quarto ocupado;
_No que concerne aos lucros operacionais verifica-se que 2009 assumiu um peso, para 40% dos inquiridos, de 31% a 40% do valor de receitas. No entanto o período Jan-Set 2010 o lucro operacional (GOP) foi em média 10p.p superior ao período de 2009, todavia referidos valores não contabilizam ainda os resultados do 4º Trimestre que observa habitualmente prejuízos operacionais.
_Em termos de previsão de fecho de 2010 em rubricas como ocupação e preço médio, os hoteleiros de produtos 4 estrelas consideram que 2010 observará uma ocupação e preço médio de 55% e 64 € respectivamente.
_Relativamente às previsões para 2011, estima-se uma estabilização em ambas as rubricas mencionadas.
_Finalmente e relativamente às ameaças para o negócio, os hoteleiros consideram factores como a redução de preços face ao aumento da concorrência, as acessibilidades e o frágil contexto económico Europeu e Nacional como principais condicionantes à performance de 2011.

A Research Note Algarve 2010 foi desenvolvida no âmbito das iniciativas de Market Intelligence da ILM Advisory, tendo como objectivo traçar a performance dos hotéis 4 e 5 estrelas, localizados na região do Algarve, ao longo do presente ano e com especial incidência nos meses de Verão (Julho a Setembro). Pretende-se ainda traçar e comparar a performance do ano de 2009 com a de 2010, e compreender quais as expectativas dos directores hoteleiros quanto à sua performance anual para 2010 e 2011.

Para a sua realização, elaborou-se um inquérito online a 26 hóteis da região, solicitando-se posteriormente a participação dos hoteleiros da região. A informação foi recolhida entre o dia 15 de Outubro e 15 de Novembro.

A iniciativa teve o propósito de contribuir para o enriquecimento do conhecimento de mercado, disponibilizando informação actualizada aos hoteleiros da região de modo a auxiliar as estratégias comerciais de abordagem de mercado e processos de tomada de decisão.

A Research Note Algarve 2010 foi dividida em duas grandes categorias, nomeadamente hotéis de 4 e 5 estrelas, elaborando-se uma análise independente para cada uma das tipologias mencionadas.
Relativamente às áreas de análise optou-se por incidir em indicadores exemplificativos dos níveis de performance das operações, estabelecendo deste modo um padrão demonstrativo da performance de mercado para as tipologias referidas. De salientar ainda que balizou-se posteriormente a amostra em dois grupos opostos – hotéis com performance acima e abaixo da média de mercado. Cada grupo é composto por três unidades hoteleiras, sendo os dados apresentados referentes à média observada no respectivo grupo. De sublinhar que a referida divisão foi efectuada com base no Revpar alcançado no ano de 2009.

Download – Algarve Hotel Market Performance – ILM Advisory Research Note 5 estrelas
Download – Algarve Hotel Market Performance – ILM Advisory Research Note 4 estrelas

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Março.Menos turistas.Mais pastel

17 11 2009

No mês de Março do corrente ano, a situação turística nacional do país apresentou valores negativos em comparação com igual período de 2008.

No mês em análise assistiu-se a uma quebra generalizada no número de turistas entrados em território nacional, quer via aérea, quer via marítima, tendo-se igualmente verificado uma diminuição de dormidas na hotelaria, assim como no número de visitantes nas distintas atracções turísticas analisadas.

AEROPORTOS

Aos 4 principais aeroportos nacionais – Lisboa, Faro, Funchal e Porto – chegaram menos 369. 730 passageiros do que em igual período de 2009, sendo que o aeroporto de Lisboa foi aquele que, em termos absolutos, registou a maior quebra – menos 195.626 passageiros. Verifica-se igualmente que os turistas continuam a optar por locais de destino mais perto dos seus locais de origem, algo evidenciado pela forte dependência dos aeroportos observados face a turistas europeus. O aeroporto de Lisboa foi o que apresentou o menor grau de dependência, sendo que esta foi igual a 75%. Espera-se que com a retoma económica esta situação se inverta, e que deste modo se assista a um aumento no número de viagens de longo curso a médio longo prazo.

A representatividade das companhias low cost é um factor igualmente interessante de se analisar no que concerne à entrada de turistas em território nacional. No período em causa estas companhias assumiram um peso superior do que em igual período de 2008, nos aeroportos analisados, porém o número de voos efectuados pelas mesmas diminuiu – cerca de menos 250 voos.

CRUZEIROS

Os turistas que viajam em cruzeiros são também um importante indicador turístico, sendo que aqueles que embarcam e/ou desembarcam nos portos nacionais assumem uma maior importância para a economia nacional. No mês em observação assistiu-se a uma diminuição no número total de passageiros que passaram nos portos de Lisboa e do Funchal, menos 11.951 passageiros, sendo que 84% destas quebras tiveram lugar no porto do Funchal.

HOTELARIA
A hotelaria a nível nacional registou também performances negativas em todas as rubricas analisadas – proveitos, taxa de ocupação/quarto e número de dormidas. Ao nível das dormidas, os residentes foram os responsáveis pela maior quebra registada (22.9%), no entanto esta descida não foi muito diferente da verificada pelos estrangeiros (22%). A redução na taxa de ocupação nacional cifrou-se nos 11%, sendo que na cidade de Lisboa esta foi igual a 20.7%, o que se traduziu numa forte quebra na ocupação da capital. As regiões do Algarve e do Centro, a par com a de Lisboa, foram as mais afectadas durante o mês em análise.
LAZER
No que diz respeito a todas as rubricas incluídas no ponto referente ao lazer – golfe, museus e palácios, Castelo de São Jorge, Fortaleza de Sagres, Convento de Cristo, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e Pastéis de Belém – constatamos que somente esta última não registou quebras no comparativo dos dois meses em causa. Ao nível das atracções turísticas as diminuições são justificadas pelo facto de no ano de 2008 a Páscoa ter tido lugar no mês de Março, enquanto que em 2009 esta festividade ocorreu no mês de Abril.

Destaque ainda para a modalidade do golfe e a Fortaleza de Sagres, que apesar de terem registado um menor número de jogadores e visitantes, respectivamente, assinalaram aumentos ao nível das receitas geradas por pessoa em cada uma das suas lojas dedicadas à venda de green-fees (golfe), informação sobre o monumento (Fortaleza de Sagres) e merchandise no geral.

A informação anteriormente exposta permite assim concluir que o mês de Março não foi de todo um mês positivo para o sector turístico nacional, no entanto espera-se que tal situação se venha a ajustar com o avançar do tempo e com o surgimento dos primeiros indícios da recuperação económica mundial.





Performance turística nacional continua em baixa

17 11 2009

O mês de Fevereiro, tal como o de Janeiro, não é um mês que apresente valores particularmente positivos ao nível da performance turística nacional, apesar de neste mês o mercado começar a despertar para o turismo de golfe e de negócios. Não obstante os incrementos registados no número total de voltas de golfe efectuadas nos campo da região de Lisboa, bem como no número de passageiros oriundos de cruzeiros, a ILM Advisory constatou que, na generalidade, o mês de Fevereiro de 2009, em comparação com o seu homólogo, registou performances negativas.
CRUZEIROS
No que toca à entrada de passageiros em território nacional, foram efectuadas análises ao nível da entrada de passageiros via aérea e marítima. Tal como se verificou no comparativo dos meses de Janeiro de 2008 e 2009, também nos meses de Fevereiro se assistiu a uma quebra no número de passageiros entrados via aérea nos cinco principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada) e a um incremento no número de passageiros chegados em cruzeiros ao Porto de Lisboa e do Funchal.
AEROPORTOS
Ao nível dos aeroportos assistiu-se a uma quebra de cerca de 10% no número total de passageiros, sendo que o aeroporto de Faro foi aquele que voltou a registar a quebra mais acentuada, de aproximadamente 20%, o que se traduziu em menos 42.497 passageiros, sendo que, deste total, 76% eram oriundos do Reino Unido. A actual instabilidade económica produziu igualmente efeitos ao nível do número total de lugares oferecidos nos três principais aeroportos localizados no Continente. Relativamente aos passageiros de cruzeiros assistiu-se a um incremento de 6.557 passageiros nos dois portos em observação, o que está directamente relacionado com o facto de em Fevereiro de 2009 terem atracado mais 6 cruzeiros nos portos de Lisboa (2) e do Funchal (4).
HOTELARIA
No que diz respeito à performance hoteleira nacional, a ILM Advisory constatou que esta sofreu quebras acentuadas, nomeadamente nas principais regiões turísticas nacionais – Algarve, Lisboa e Madeira. Em termos absolutos, em Fevereiro de 2009, registaram-se menos 14.3% das dormidas efectuadas no mesmo período de 2008. Apesar desta quebra, as regiões dos Açores e do Alentejo registaram performances positivas, tendo esta última obtido um incremento de 1.4% na rubrica em análise. Importa porém frisar que estas duas regiões apresentam um peso muito reduzido na procura global registada a nível nacional, não influenciando assim, em grande parte, os resultados alcançados nas restantes regiões. Um outro importante aspecto deve-se ao facto da quebra registada estar nomeadamente relacionada com os turistas internacionais (-19.4%), assistindo-se também a uma redução nas estadas médias por parte dos nacionais. Em termos globais registou-se ainda uma quebra de 20% nos proveitos da hotelaria nacional.
LAZER
As atracções turísticas, bem como as actividades de lazer, representam também importantes fontes de receita para o sector do turismo nacional, tendo a grande generalidade das entidades contactadas sofrido quebras no número total de visitantes. Tal como referenciado inicialmente, o golfe porém registou valores superiores aos alcançados em igual período de 2008, tendo-se assistido a um aumento no número de voltas jogadas por dia (mais 3.3) nos campos situados na região de Lisboa, tendo sido os jogadores nacionais e escandinavos aqueles que mais contribuíram para os valores atingidos. Os jogadores espanhóis e americanos registaram as maiores descidas, tendo ainda os ingleses sofrido uma quebra na ordem dos 37%. Por fim, no que concerne ao número total de visitantes nas atracções turísticas e nos distintos museus e palácios nacionais, verificaram-se quebras em todas as rubricas analisadas.
Assim, tendo em conta toda a informação anteriormente mencionada podemos constatar que o mês de Fevereiro de 2009 continuou a ser muito afectado pela actual instabilidade económica sentida a nível global, a qual produziu efeitos negativos no sector do turismo nacional. A nível nacional registaram-se quebras nos dois principais mercados emissores para Portugal (Espanha e Reino Unido), os quais estão a ser fortemente afectados pela actual situação mundial, optando ou por viajar para países onde o seu poder de compra seja superior ao alcançado em Portugal (Turquia, Egipto e Tunísia), caso dos turistas britânicos, ou por efectuar turismo a nível interno de maneira a se reduzirem os custos de deslocação, como é o caso do mercado espanhol. A tendência por estadias de menor duração tem igualmente repercussões na disponibilidade dos turistas para efectuarem visitas às distintas atracções turísticas localizadas num determinado destino, algo que também poderá ajudar a justificar as quebras registadas nas atracções turísticas nacionais analisadas.




Indicadores turísticos registam performances negativas no mês de Janeiro de 2009

17 11 2009

O mês de Janeiro, como é sabido, não é um mês de grande actividade económica turística a nível nacional quando comparado o seu resultado com os alcançados ao longo da época alta. Porém, o mês de Janeiro do corrente ano ficou marcado por uma performance turística ainda mais reduzida do que o habitual, tendo apresentado sinais de retracção nos distintos indicadores analisados pela ILM Advisory.

AEROPORTOS
Ao nível da entrada de passageiros via aérea assistiu-se a uma quebra de 3% nos cinco principais aeroportos nacionais – Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada – o que se traduziu em menos 53.352 passageiros em território nacional. De todos os aeroportos analisados, o de Faro, foi aquele que registou a maior quebra (13.637), sendo que deste total de passageiros 3.500 eram oriundos do Reino Unido. Esta diminuição acentuada de turistas oriundos deste país é justificada em parte pela actual crise económica e a consequente desvalorização da Libra Esterlina face ao Euro, o que leva a que os britânicos optem por destinos turísticos onde o seu poder de compra é mais elevado.

CRUZEIROS
A informação relativa ao número total de navios de cruzeiros que chegam aos distintos portos nacionais representa igualmente uma importante fonte de conhecimento sobre o número total de turistas entrados em território nacional. Dos três portos analisados – Lisboa, Funchal e Portimão – constatamos que o Porto de Lisboa recebeu 4 navios, um a menos do que no período homólogo em observação, o do Funchal manteve os seus 23 navios no mês de Janeiro e que o Porto de Portimão não recebeu nenhum paquete no mês em análise em ambos os anos.

Assim, a nível global e comparativamente com o mês de Janeiro de 2008, assistiu-se a um aumento de 3.733 passageiros. Importa porém mencionar que a grande maioria destes turistas se encontraram somente em trânsito no território nacional, não gerando desta forma receitas tão elevadas como aqueles que embarcam e desembarcam nos portos nacionais. A elevada afluência ao porto do Funchal, comparativamente com os restantes portos, é justificada pelo facto desta ilha albergar um dos maiores fogos de artifício na passagem de ano atraindo por isso um elevado número de turistas e cruzeiros até este destino no início do mês de Janeiro.

HOTELARIA
Tal como referido previamente, apesar do mês de Janeiro não ser considerado um mês forte para a hotelaria nacional, este foi ainda um mês mais fraco do que é habitual tendo-se assistido a quebras na ocupação/quarto de 18.1% na região de Lisboa, segundo dados da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), e de 8% na região do Algarve, conforme informação disponibilizada pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). As mesmas instituições mencionaram ainda que em termos absolutos a região de Lisboa alcançou uma taxa de ocupação de 38.35%, enquanto que a do Algarve obteve somente uma taxa igual a 28.8%, tendo sido nos estabelecimentos de categoria superior que se registaram as maiores quebras nesta rubrica. Assim, na região de Lisboa, foram os hotéis de 4 estrelas aqueles que registaram as melhores taxas de ocupação (41.74%), seguidos pelos de 3 estrelas (39.51%), enquanto que no Algarve foram estas últimas unidades de alojamento as que atingiram as maiores taxas de ocupação – 43.6%.

Situação que poderá traduzir o facto de cada vez mais o turista optar por unidades de alojamento com custos mais reduzidos.

Outra tendência iminente é o facto do turista, cada vez mais, optar por estadas mais curtas o que tem necessariamente repercussões ao nível das taxas de ocupação.

LAZER
Ao nível das actividades de lazer, onde se inclui o golfe e as visitas às distintas atracções turísticas nacionais, registaram-se igualmente quebras no comparativo do mês de Janeiro de 2009 face a 2008.

As reduções verificadas no golfe justificam-se pelo facto desta ser uma actividade dispendiosa. Na Região de Lisboa foram jogadas menos 5.5 voltas/dia, tendo sido os não sócios aqueles que mais contribuíram para esta quebra.

Actualmente encontram-se igualmente a surgir novos destinos de golfe que apresentam preços mais acessíveis e condições similares aos campos nacionais, os quais acabam por competir com Portugal e atrair um maior número de jogadores, como é o caso da Turquia e de Marrocos.

No que diz respeito aos museus e palácios a cargo do Instituto dos Museus e da Conservação assistiu-se a uma redução significativa no número de entradas registadas quer nos museus, quer nos palácios. A quebra registada ao nível dos museus foi porém menos expressiva com menos 15% de entradas, totalizando-se 57.924 entradas.

De todos os museus, o Museu Nacional dos Coches foi o mais visitado com 8.163 entradas. Por outro lado, ao nível dos palácios verificou-se uma redução de 44% no número de entradas passando-se de 71.799 visitantes em Janeiro de 2008 para 39.650 no período h0mólogo de 2009. O palácio mais visitado no primeiro mês do ano corrente foi o Palácio Nacional de Sintra, o qual registou 12.241 entradas, seguido de perto pelo Palácio Nacional de Mafra com 11.955 entradas.

Os dados anteriormente expostos permitem-nos assim concluir que o sector turístico nacional, no mês de Janeiro de 2009, sofreu com os efeitos da instabilidade económica sentida a nível global, a qual têm produzido repercussões negativas no sector em análise a nível mundial. Denota-se porém que, apesar do período em causa, os turistas mantêm a sua vontade de viajar visto só se ter verificado uma quebra de 3% nos cinco principais aeroportos nacionais analisados, mas que no entanto estes optam por viajar em companhias de voo low cost as quais aumentaram a sua representatividade a nível nacional. Os turistas começam igualmente a preferir unidades de alojamento com custos mais reduzidos de maneira a poderem continuar a viajar, optando também por efectuar estadas de menor duração, de maneira a reduzirem os seus custos de deslocação. Por fim, a redução do tempo disponível dos turistas nos seus locais de destino, produz também efeitos negativos ao nível do tempo que os mesmos dispõem para visitar as atracções turísticas locais e realizarem actividades de lazer regionais, o que explica, em parte, as quebras registadas nestas instituições no mês de Janeiro de 2009.