Performance turística nacional continua em baixa

17 11 2009

O mês de Fevereiro, tal como o de Janeiro, não é um mês que apresente valores particularmente positivos ao nível da performance turística nacional, apesar de neste mês o mercado começar a despertar para o turismo de golfe e de negócios. Não obstante os incrementos registados no número total de voltas de golfe efectuadas nos campo da região de Lisboa, bem como no número de passageiros oriundos de cruzeiros, a ILM Advisory constatou que, na generalidade, o mês de Fevereiro de 2009, em comparação com o seu homólogo, registou performances negativas.
CRUZEIROS
No que toca à entrada de passageiros em território nacional, foram efectuadas análises ao nível da entrada de passageiros via aérea e marítima. Tal como se verificou no comparativo dos meses de Janeiro de 2008 e 2009, também nos meses de Fevereiro se assistiu a uma quebra no número de passageiros entrados via aérea nos cinco principais aeroportos nacionais (Porto, Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada) e a um incremento no número de passageiros chegados em cruzeiros ao Porto de Lisboa e do Funchal.
AEROPORTOS
Ao nível dos aeroportos assistiu-se a uma quebra de cerca de 10% no número total de passageiros, sendo que o aeroporto de Faro foi aquele que voltou a registar a quebra mais acentuada, de aproximadamente 20%, o que se traduziu em menos 42.497 passageiros, sendo que, deste total, 76% eram oriundos do Reino Unido. A actual instabilidade económica produziu igualmente efeitos ao nível do número total de lugares oferecidos nos três principais aeroportos localizados no Continente. Relativamente aos passageiros de cruzeiros assistiu-se a um incremento de 6.557 passageiros nos dois portos em observação, o que está directamente relacionado com o facto de em Fevereiro de 2009 terem atracado mais 6 cruzeiros nos portos de Lisboa (2) e do Funchal (4).
HOTELARIA
No que diz respeito à performance hoteleira nacional, a ILM Advisory constatou que esta sofreu quebras acentuadas, nomeadamente nas principais regiões turísticas nacionais – Algarve, Lisboa e Madeira. Em termos absolutos, em Fevereiro de 2009, registaram-se menos 14.3% das dormidas efectuadas no mesmo período de 2008. Apesar desta quebra, as regiões dos Açores e do Alentejo registaram performances positivas, tendo esta última obtido um incremento de 1.4% na rubrica em análise. Importa porém frisar que estas duas regiões apresentam um peso muito reduzido na procura global registada a nível nacional, não influenciando assim, em grande parte, os resultados alcançados nas restantes regiões. Um outro importante aspecto deve-se ao facto da quebra registada estar nomeadamente relacionada com os turistas internacionais (-19.4%), assistindo-se também a uma redução nas estadas médias por parte dos nacionais. Em termos globais registou-se ainda uma quebra de 20% nos proveitos da hotelaria nacional.
LAZER
As atracções turísticas, bem como as actividades de lazer, representam também importantes fontes de receita para o sector do turismo nacional, tendo a grande generalidade das entidades contactadas sofrido quebras no número total de visitantes. Tal como referenciado inicialmente, o golfe porém registou valores superiores aos alcançados em igual período de 2008, tendo-se assistido a um aumento no número de voltas jogadas por dia (mais 3.3) nos campos situados na região de Lisboa, tendo sido os jogadores nacionais e escandinavos aqueles que mais contribuíram para os valores atingidos. Os jogadores espanhóis e americanos registaram as maiores descidas, tendo ainda os ingleses sofrido uma quebra na ordem dos 37%. Por fim, no que concerne ao número total de visitantes nas atracções turísticas e nos distintos museus e palácios nacionais, verificaram-se quebras em todas as rubricas analisadas.
Assim, tendo em conta toda a informação anteriormente mencionada podemos constatar que o mês de Fevereiro de 2009 continuou a ser muito afectado pela actual instabilidade económica sentida a nível global, a qual produziu efeitos negativos no sector do turismo nacional. A nível nacional registaram-se quebras nos dois principais mercados emissores para Portugal (Espanha e Reino Unido), os quais estão a ser fortemente afectados pela actual situação mundial, optando ou por viajar para países onde o seu poder de compra seja superior ao alcançado em Portugal (Turquia, Egipto e Tunísia), caso dos turistas britânicos, ou por efectuar turismo a nível interno de maneira a se reduzirem os custos de deslocação, como é o caso do mercado espanhol. A tendência por estadias de menor duração tem igualmente repercussões na disponibilidade dos turistas para efectuarem visitas às distintas atracções turísticas localizadas num determinado destino, algo que também poderá ajudar a justificar as quebras registadas nas atracções turísticas nacionais analisadas.
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