Porto e Norte de Portugal: Um destino em expansão

9 02 2010

Maria João Silva

De acordo com uma análise efectuada pela ILM Advisory aos principais indicadores turísticos da região Norte de Portugal, é possível afirmar que estamos perante um destino em expansão, tendo registado performances positivas ao nível das chegadas de turistas, dormidas e número total de visitantes nas atracções turísticas locais.

Assim, no que diz respeito ao número total de passageiros que passaram pelo aeroporto do Porto nos meses de Outubro e Novembro de 2009, registou-se um incremento comparativamente aos períodos homólogos de 2008 – mais 6,3% e 14,5%, respectivamente. A nova rota da companhia aérea low cost Ryanair, que estabelece a ligação entre Porto e Faro e que começou a operar no dia 26 de Outubro, poderá ter contribuído para os resultados alcançados no mês de Novembro, visto que em apenas três semanas de operação os voos em causa registaram uma taxa de ocupação de 80% nos quatro voos semanais, o que se traduziu em cerca de 3.600 passageiros transportados.

Por outro lado, os dados relativos à performance hoteleira das unidades de alojamento localizadas num determinado destino são um indicador igualmente importante da performance turística desse destino. De acordo com os dados disponibilizados pelo INE, a região Norte foi aquela que no mês de Outubro do corrente ano registou a maior variação positiva no número de dormidas a nível nacional (8,8%), correspondendo a um aumento de 33.400 dormidas em relação ao mês homólogo de 2008. Os resultados positivos alcançados por esta região, também expressos no incremento dos proveitos totais gerados, devem-se nomeadamente ao aumento da procura registada pelo mercado nacional (12,4%), espanhol e francês e às campanhas regionais de promoção turísticas levadas a cabo.

Uma das regiões que tem registado maior crescimento ao nível da zona Norte do país é a do Douro, sendo que diversos esforços têm sido efectuados para aumentar a visibilidade desta região a nível nacional e internacional. No dia 14 de Dezembro do corrente ano, dia em que se assinalou o oitavo ano do reconhecimento do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, a Região do Douro reforçou as suas acções de promoção no sentido de incrementar a visibilidade internacional deste destino, tendo assinado um protocolo com a National Geographic Society. Segundo o protocolo firmado, a Região do Douro vai começar a ser difundida nas edições mensais da revista National Geographic, bem como no website desta publicação.

Um outro importante dado estatístico que espelha o aumento da procura de que esta região tem sido alvo, é o aumento verificado no número de turistas a efectuarem cruzeiros no rio Douro. De acordo com a empresa Douro Azul, principal empresa organizadora de cruzeiros na região, no mês de Novembro registou-se um aumento de 21% no número total de turistas nestas embarcações em relação ao mês homólogo de 2008, o que correspondeu a 184 mil turistas transportados. Consciente do potencial turístico da região a empresa em causa assinou um protocolo com uma operadora de cruzeiros norte-americana – Uniworld – com o intuito de no período compreendido entre 2011 e 2015 assegurar a presença de 136.500 turistas na região do Douro.

Para além do incremento da procura turística registada no Douro, também na cidade do Porto se assistiu a um aumento do número de turistas em atracções turísticas, como é o caso da Fundação de Serralves. Assim, no período 2007 – 2009 este monumento registou cerca de 1.200.000 visitantes o que se traduziu num incremento de 20% face ao período homólogo. Só no ano de 2008 Serralves recebeu 412.550 visitantes, o que o coloca no primeiro lugar da lista dos Museus nacionais com entradas pagas mais visitados em Portugal, chegando mesmo a ultrapassar o Museu Nacional dos Coches o qual obteve somente 228.570 visitantes.

Deste modo, e tendo em conta toda a informação anteriormente exposta, é razoável assumir-se que a Região Norte de Portugal é um destino em expansão e que tem vindo a registar aumentos significativos na procura fruto dos investimentos realizados nas mais distintas áreas.

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Março.Menos turistas.Mais pastel

17 11 2009

No mês de Março do corrente ano, a situação turística nacional do país apresentou valores negativos em comparação com igual período de 2008.

No mês em análise assistiu-se a uma quebra generalizada no número de turistas entrados em território nacional, quer via aérea, quer via marítima, tendo-se igualmente verificado uma diminuição de dormidas na hotelaria, assim como no número de visitantes nas distintas atracções turísticas analisadas.

AEROPORTOS

Aos 4 principais aeroportos nacionais – Lisboa, Faro, Funchal e Porto – chegaram menos 369. 730 passageiros do que em igual período de 2009, sendo que o aeroporto de Lisboa foi aquele que, em termos absolutos, registou a maior quebra – menos 195.626 passageiros. Verifica-se igualmente que os turistas continuam a optar por locais de destino mais perto dos seus locais de origem, algo evidenciado pela forte dependência dos aeroportos observados face a turistas europeus. O aeroporto de Lisboa foi o que apresentou o menor grau de dependência, sendo que esta foi igual a 75%. Espera-se que com a retoma económica esta situação se inverta, e que deste modo se assista a um aumento no número de viagens de longo curso a médio longo prazo.

A representatividade das companhias low cost é um factor igualmente interessante de se analisar no que concerne à entrada de turistas em território nacional. No período em causa estas companhias assumiram um peso superior do que em igual período de 2008, nos aeroportos analisados, porém o número de voos efectuados pelas mesmas diminuiu – cerca de menos 250 voos.

CRUZEIROS

Os turistas que viajam em cruzeiros são também um importante indicador turístico, sendo que aqueles que embarcam e/ou desembarcam nos portos nacionais assumem uma maior importância para a economia nacional. No mês em observação assistiu-se a uma diminuição no número total de passageiros que passaram nos portos de Lisboa e do Funchal, menos 11.951 passageiros, sendo que 84% destas quebras tiveram lugar no porto do Funchal.

HOTELARIA
A hotelaria a nível nacional registou também performances negativas em todas as rubricas analisadas – proveitos, taxa de ocupação/quarto e número de dormidas. Ao nível das dormidas, os residentes foram os responsáveis pela maior quebra registada (22.9%), no entanto esta descida não foi muito diferente da verificada pelos estrangeiros (22%). A redução na taxa de ocupação nacional cifrou-se nos 11%, sendo que na cidade de Lisboa esta foi igual a 20.7%, o que se traduziu numa forte quebra na ocupação da capital. As regiões do Algarve e do Centro, a par com a de Lisboa, foram as mais afectadas durante o mês em análise.
LAZER
No que diz respeito a todas as rubricas incluídas no ponto referente ao lazer – golfe, museus e palácios, Castelo de São Jorge, Fortaleza de Sagres, Convento de Cristo, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém e Pastéis de Belém – constatamos que somente esta última não registou quebras no comparativo dos dois meses em causa. Ao nível das atracções turísticas as diminuições são justificadas pelo facto de no ano de 2008 a Páscoa ter tido lugar no mês de Março, enquanto que em 2009 esta festividade ocorreu no mês de Abril.

Destaque ainda para a modalidade do golfe e a Fortaleza de Sagres, que apesar de terem registado um menor número de jogadores e visitantes, respectivamente, assinalaram aumentos ao nível das receitas geradas por pessoa em cada uma das suas lojas dedicadas à venda de green-fees (golfe), informação sobre o monumento (Fortaleza de Sagres) e merchandise no geral.

A informação anteriormente exposta permite assim concluir que o mês de Março não foi de todo um mês positivo para o sector turístico nacional, no entanto espera-se que tal situação se venha a ajustar com o avançar do tempo e com o surgimento dos primeiros indícios da recuperação económica mundial.