Hotelaria 4 e 5 estrelas Algarve confiante face a 2011

2 01 2011

Leading Sustainable Tourism2

De acordo com a análise desenvolvida pela ILM Advisory, os hotéis de 4 e 5 estrelas do Algarve verificaram até ao final da época alta um aumento nas Taxas de Ocupação e RevPar.

Os dados recolhidos pela ILM junto de 26 hotéis 4 e 5 Estrelas, localizados na região do Algarve, permitiram não só traçar a sua performance, ao longo de 2010 e com especial incidência nos meses de Verão (Julho a Setembro) como também comparar a performance do ano de 2009 com a de 2010, e compreender quais as expectativas dos directores hoteleiros quanto à sua performance anual para 2010 e 2011.

Incidindo sobre indicadores de performance como o preço médio por quarto vendido, a taxa de ocupação e o revpar (lucro por quarto disponível), apresentam-se de seguida as principais conclusões para a oferta hoteleira nas categorias 4 e 5 estrelas.

CONCLUSÕES OFERTA HOTELEIRA DE 5 ESTRELAS
_Verifica-se que no período de Jan-Set 2010 a taxa de ocupação foi 2,39p.p. superior à de 2009 (44,99% vs 42,59%), no entanto os valores de 2010 não contemplam todavia o 4º trimestre do ano.
_No comparativo de 2009 vs Jan-Set 2010 assistiu-se a uma quebra no PMQV igual a 6,31€ (157,28€ vs 150,98€), motivada pela entrada de novos estabelecimentos hoteleiros no mercado e a descida de preços registada em cinco das onze unidades inquiridas.
_O Revpar registou um incremento no comparativo de 2009 vs Jan-Set 2010 igual a 3,22€, passando de 55,14€ para 58,36€, devendo-se salientar que no ano de 2010 falta considerar o último trimestre do ano.
_No que concerne às nacionalidades, os mercados mais relevantes são: Português (22,9% – 31,9%), Inglês (28,5% – 37,2%) e Alemão (9,2% e 17,1%). Alemães tendem a hospedar-se em unidades de topo, ou seja, naquelas que apresentam o maior PMQV com valores a partir dos 200€/noite. O mercado Nacional foi o principal responsável por atenuar as quebras na procura dos hotéis 5 estrelas. Este mercado representa aproximadamente um terço da procura dos hotéis inquiridos, evidenciando a sua predominância no destino.
_No que se refere aos canais de distribuição no comparativo 2009 vs Jan-Set 2010, verificou-se uma diminuição da dependência da Tour Operação. A crescente tendência do Last Minute poderá justificar o aumento em 5p.p. da procura directa (FIT/Walk-In), denotando-se ainda um crescimento da procura via Grupos MI/ Corporate. As Plataformas Online observaram igualmente um incremento no comparativo 2009 Vs. Jan-Set 2010.
_Em termos de Mix de Receitas, verifica-se que o alojamento é o maior responsável pela facturação total dos hotéis de 5 estrelas, seguido pelo departamento de Comidas e Bebidas. De referir ainda a quebra significativa do departamento golfe para o mix de receitas no período do verão 2010, facto que se justifica pelo aumento da procura de clientes motivados pelo produto sol & mar.
_No que concerne aos custos operacionais verifica-se que os custos com pessoal registou uma quebra de 3 p.p. no comparativo 2009 Vs Jan-Set 2010 absorvendo esta rubrica 41% das receitas geradas.
_O total de custos de Marketing foi equivalente a 6% das receitas geradas, tendo-se investido 1.280 €/mês por quarto ocupado.
_Tendo os custos de energia registado uma representatividade de 5% das receitas geradas, tendo-se consumido 25 € em energia por quarto ocupado.
_Quanto aos custos com Manutenção, estes apresentaram um custo médio de 28,5€ por quarto ocupado no período de Jan-Set 2010, devido às acções necessárias para manter o nível de produto e serviço 5 estrelas.
_No que concerne aos lucros operacionais (GOP), observou-se que para metade dos inquiridos o lucro operacional gerado em 2009 representou entre 21% e 30% das receitas. Comparando a performance de 2009 com Jan-Set de 2010 verifica-se que para 40% dos inquiridos a representatividade do lucro operacional aumentou e outros 40% diminuiu, devendo-se ressalvar a sensibilidade desta situação, uma vez que os valores de 2010 ainda não contabilizam o 4º trimestre, o qual regista normalmente prejuízos.
_Em termos de previsão de fecho de 2010 em rubricas como ocupação e preço médio, os hoteleiros de produtos 5 estrelas consideram que 2010 observará uma ocupação e preço médio de 53% e 170 € respectivamente.
_Relativamente às previsões para 2011, nas rubricas em questão prevê-se a manutenção dos índices de preço médio, porém com um ligeira quebra nas taxas de ocupação.
_Finalmente e relativamente às ameaças para o negócio, os hoteleiros consideram factores como o posicionamento de preço, as acessibilidades e o frágil contexto económico Europeu e Nacional como principais condicionantes à performance de 2011.

CONCLUSÕES OFERTA HOTELEIRA DE 4 ESTRELAS
_No acumulado do presente ano (2010) os hotéis inquiridos apresentam uma taxa de ocupação ligeiramente superior à do ano transacto (58,08% vs 55,93%), porém os dados de 2010 não contemplam todavia a performance do último trimestre do ano.
_O PMQV no comparativo Jan-Set de 2010 vs ano 2009, observou um incremento de 5,14€ cifrando-se nos 66,97€, no entanto os valores de 2010 não contemplam todavia o último trimestre do ano.
_No RevPar denota-se que no acumulado de Jan-Set 2010 os hotéis inquiridos obtiveram uma performance média superior à de 2009 (+6,06€), De sublinhar que o crescimento significativo do Revpar no Verão de 2010, face ao acumulado de Jan-Set de 2010 (32,14€), ficou-se principalmente a dever a uma variação mais acentuada da taxa de ocupação.
_Relativamente às nacionalidades verifica-se que os três mercados mais relevantes são: Português (29,9% – 38,5%), Inglês (15,6% – 24,6%) e Alemão (13,4% – 22,2%). Denota-se que Portugueses e Ingleses concentram-se nas regiões do Centro e Sotavento Algarvio, enquanto que os Alemães dispersam-se mais por todo o território Algarvio. Os mercados emissores tradicionais observaram quebras na procura – Ingleses menos 3,3.p.p., Alemães e Irlandeses menos 1,3p.p. cada, no comparativo de 2009 vs 2010 – enquanto que mercados como Espanha e Benelux observaram crescimentos (4 p.p. e 1 p.p., respectivamente), justificado, em parte, pela proximidade geográfica (Espanha) bem como pelo esforço promocional de diversificação de mercados realizado pela ATA (Benelux).
_A Tour Operação assume um peso significativo na operação dos hotéis 4 estrelas, sendo responsável por cerca de 37% da procura, verificando-se no entanto perda de representatividade deste canal, a par dos Grupos MI/ Corporate. Nas unidades em que os Tour Operadores são responsáveis por gerar mais de 50% das reservas, as Plataformas Online constituem o segundo canal de distribuição mais relevante com um peso de 11 a 20%, evidenciando a baixa performance de vendas directas, repercutindo-se nos resultados.
_Em termos de Mix de receitas verifica-se que o alojamento é o principal motor de facturação, seguido pelo departamento de comidas e bebidas, representando um intervalo de contribuição de 58% a 68% e 25% a 34% respectivamente; O departamento de alojamentos apresenta maior representatividade nas unidades pertencentes a cadeias hoteleiras face a hotéis independentes.
_No que concerne aos custos operacionais verifica-se que os custos com pessoal registaram uma quebra acentuada (4,7p.p.) no comparativo 2009 Vs Jan-Set 2010 diminuindo de 31,6% para 26,9%, das receitas geradas. Em média, por ano, os gastos com pessoal correspondem a 5.200€ por quarto.
_Os custos de Marketing registaram em média uma representatividade de 6% das receitas geradas, tendo-se investido 1.280 €/mês por quarto ocupado.
_Os custos de energia observaram uma diminuição de 0.6 p.p. no comparativo 2009, face ao período de Jan-Set 2010 tendo-se consumido diariamente 6.6 € em energia por quarto ocupado;
_No que concerne aos lucros operacionais verifica-se que 2009 assumiu um peso, para 40% dos inquiridos, de 31% a 40% do valor de receitas. No entanto o período Jan-Set 2010 o lucro operacional (GOP) foi em média 10p.p superior ao período de 2009, todavia referidos valores não contabilizam ainda os resultados do 4º Trimestre que observa habitualmente prejuízos operacionais.
_Em termos de previsão de fecho de 2010 em rubricas como ocupação e preço médio, os hoteleiros de produtos 4 estrelas consideram que 2010 observará uma ocupação e preço médio de 55% e 64 € respectivamente.
_Relativamente às previsões para 2011, estima-se uma estabilização em ambas as rubricas mencionadas.
_Finalmente e relativamente às ameaças para o negócio, os hoteleiros consideram factores como a redução de preços face ao aumento da concorrência, as acessibilidades e o frágil contexto económico Europeu e Nacional como principais condicionantes à performance de 2011.

A Research Note Algarve 2010 foi desenvolvida no âmbito das iniciativas de Market Intelligence da ILM Advisory, tendo como objectivo traçar a performance dos hotéis 4 e 5 estrelas, localizados na região do Algarve, ao longo do presente ano e com especial incidência nos meses de Verão (Julho a Setembro). Pretende-se ainda traçar e comparar a performance do ano de 2009 com a de 2010, e compreender quais as expectativas dos directores hoteleiros quanto à sua performance anual para 2010 e 2011.

Para a sua realização, elaborou-se um inquérito online a 26 hóteis da região, solicitando-se posteriormente a participação dos hoteleiros da região. A informação foi recolhida entre o dia 15 de Outubro e 15 de Novembro.

A iniciativa teve o propósito de contribuir para o enriquecimento do conhecimento de mercado, disponibilizando informação actualizada aos hoteleiros da região de modo a auxiliar as estratégias comerciais de abordagem de mercado e processos de tomada de decisão.

A Research Note Algarve 2010 foi dividida em duas grandes categorias, nomeadamente hotéis de 4 e 5 estrelas, elaborando-se uma análise independente para cada uma das tipologias mencionadas.
Relativamente às áreas de análise optou-se por incidir em indicadores exemplificativos dos níveis de performance das operações, estabelecendo deste modo um padrão demonstrativo da performance de mercado para as tipologias referidas. De salientar ainda que balizou-se posteriormente a amostra em dois grupos opostos – hotéis com performance acima e abaixo da média de mercado. Cada grupo é composto por três unidades hoteleiras, sendo os dados apresentados referentes à média observada no respectivo grupo. De sublinhar que a referida divisão foi efectuada com base no Revpar alcançado no ano de 2009.

Download – Algarve Hotel Market Performance – ILM Advisory Research Note 5 estrelas
Download – Algarve Hotel Market Performance – ILM Advisory Research Note 4 estrelas





O Mundo já lhe chama Culturtainment

17 11 2010

Rita Antonieta Neves

A cultura é sem dúvida uma das mais importantes motivações de visita a uma região. De forma a alimentar o Laboratório de Turismo Cultural, a ILM analisa todos os meses as entradas de visitantes em Museus, Monumentos e outros activos culturais, confirmando que estes facilmente atraem diferentes tipos de públicos, desde os mais jovens aos mais velhos, venham estes sozinhos, em casal ou em grupos de amigos, familiares ou escolas.
Um pouco por todo lado o património histórico-cultural de grande interesse turístico tem vindo a ser desenvolvido e gerido de forma a promover verdadeiras experiências culturais – culturtainment. A forma como se contam a(s) história(s) dos objectos, os eventos, as personagens, o cuidado do design que serve de palco à exibição do acervo cultural e a forma como se promove a interacção entre o visitante e este, proporcionam um contexto único e diferenciador de aprendizagem e(m) lazer.

A nível mundial a cultura tornou-se um importante factor soft de motivação da visita em qualquer destino, e um factor chave de competitividade e aumento da atractividade económica e social a nível regional e local. A economia das experiências, definida como a oferta de experiências que conjugam aprendizagem com entretenimento, deu origem a uma competição crescente entre activos culturais e outras infra-estruturas de lazer.

O turismo educacional apresenta-se sem dúvida como uma tendência de consumo. O turista procura cada vez mais experiências que promovam a mudança entre estados de espírito, que lhe permitam desenvolver o pensamento, lhe sirvam de inspiração e ao mesmo tempo o divirtam. Destaca-se a vontade crescente de partilha dos conhecimentos sobre uma determinada cultura, facto que contribui para o aumento da sua compreensão e consequente importância.

Mas o desenvolvimento deste turismo cultural de carácter educativo através da interacção pode estar seriamente condicionado se continuar a ser gerido unilateralmente e se não for optimizado pelo destino global. As condicionantes ao seu desenvolvimento incluem o aumento da concorrência, a ausência de uma gestão profissional, quer a nível operacional como de planeamento de experiências, e a pressão crescente em conseguir despertar o interesse de um visitante cada vez mais sofisticado, que tem cada vez menos tempo, mais hipóteses de escolha e que sabe tirar o melhor partido das diferentes ferramentas de informação que tem ao seu dispor, nomeadamente da internet.
De salientar que na economia das experiências em que vivemos os produtos são desenvolvidos em função das necessidades da procura e não da oferta, contrariando o que se verifica em muitos dos nossos activos culturais. A tendência crescente é para que a oferta e a procura caminhem a par e passo, não comprometendo a riqueza da herança histórica e cultural mas sim valorizando-a, optimizando-a e promovendo o seu desenvolvimento económico e social sustentável.

O Turismo cultural é portanto um excelente veículo para estimular a cooperação entre os diferentes agentes públicos (entidades do Turismo, do património, dos museus, autarquias…) e privados (investidores, mecenas, fundações, hotelaria), promover o desenvolvimento sustentável atraindo mais turistas para uma região e consequentemente aumentar as receitas locais, gerar mais emprego e outras mais-valias sociais. A cultura deverá ser então usada como base à optimização da identidade regional e o marketing de destino deverá ser a ferramenta de gestão de eleição promovendo a identificação de uma identidade única e distintiva através da analise do DNA cultural de um destino, ou seja de todos os recursos históricos, culturais, ambientais e sociais que caracterizam o destino e a sua autenticidade. Estes recursos podem ser ícones, locais especiais (ex: promontório sagrado), eventos históricos (ex: guerras peninsulares), personagens (ex: Pedro e Inês ou mesmo as pinturas rupestres do Côa), entre outros suficientemente fortes para dar origem a uma viagem de descoberta, a um story telling diferenciador e catalisador de experiências.

Este potencial de catalisador deve ser optimizado ao ponto de promover a ligação através da história e da cultura entre destinos mesmo a nível transfronteiriço (ex: os descobrimentos), pelo que a criação de “hubs” culturais é vital e exige cooperação na perseguição de um objectivo global que trará benefícios para todos: para a hotelaria que precisa de vender camas com valor acrescentado, para o Turismo do destino que precisa de ancorar os seus esforços em factores de autenticidade únicos e memoráveis, para o sector das viagens que está velozmente a adaptar-se às necessidades de experiências do turista do séc. XXI.

O desenvolvimento conjunto de produto turístico diferenciador fortalece, torna visível e tangível a identidade do destino e acarreta benefícios para todos, incluindo para um património que tantas vezes teima em viver de costas voltadas para a prosperidade que a economia do turismo lhe pode garantir, ou mesmo para uma região que teima em ser destino mas não consegue entender que a cultura local pode ser o seu maior trunfo.





Apresentado o Algarve Meeting Industry Market Survey 2010

11 10 2010

Pelo segundo ano consecutivo a ILM Advisory e a Associação de Turismo do Algarve desenvolvem em parceria uma análise à performance do produto estratégico Turismo de Negócio, denominada Algarve Meeting Industry Market Survey 2010.

A sessão de apresentação do estudo contou com a presença de Nuno Aires, Presidente da Associação de Turismo do Algarve, bem como outras personalidades do Turismo nacional, ficando a apresentação dos resultados do a cargo de Andrew Coutts e Gonçalo Garcia da ILM Advisory, entidade parceira no desenvolvimento desta iniciativa.

Para Nuno Aires, as conclusões do estudo a apresentar vão permitir “compreender melhor as alterações sofridas no âmbito do produto turístico estratégico MI, e o seu desempenho a nível regional”. Nuno Aires ressalta ainda que “a colaboração e apport das diversas entidades e especialistas, que forneceram importante informação, consubstanciou a pesquisa e análise de mercado efectuada pela ILM, que se traduz numa importante ferramenta de consulta e trabalho para as empresas do sector e para o Turismo do Algarve, face aos resultados e indicadores apresentados, que são em boa medida aquilo que seria expectável face à concorrência e à retracção no investimento.”

Num momento em que o turismo sofre profundas alterações ao nível da oferta, da procura e dos canais de distribuição, as implicações são óbvias em matéria do circuito de comercialização. A actual conjuntura económica, obriga a que sejamos cada vez mais empreendedores, criativos e inovadores, para fazer face à nova procura de mercado, competitivo por natureza. Segundo o Presidente da Associação de Turismo do Algarve “torna-se imperioso que tenhamos a noção exacta de onde nos situamos, para que possamos definir a estratégia de abordagem a um segmento de mercado tão importante como seja o MI”.

Sendo o Meeting Industry (MI), tendencialmente, um dos produtos do PENT (Plano Estratégico Nacional do Turismo), que mais contribui para o esbatimento da sazonalidade, apresentando um forte potencial de crescimento, quando confrontados com uma quebra, face a anos anteriores, fruto da desaceleração económica que obrigou as empresas a reduzir drasticamente os custos em incentivos, acções de marketing empresarial, e outras actividades corporativas organizadas em destinos turísticos como o Algarve, é obrigatório avaliar a situação, para agir assertivamente.

O estudo a apresentar vem dar continuidade ao trabalho iniciado no ano transacto com a realização da primeira monitorização do segmento Meeting Industry no Algarve.

Como principais conclusões, salienta-se o surgimento moderado de novas instalações para a exploração do segmento Meeting Industry com localização nos concelhos identificados pelos DMC’s nacionais – aquando da realização do Algarve Meeting Industry Market Survey 2009 – como regiões com elevado potencial para a exploração do segmento, e a inexistência de uma mudança significativa no perfil do consumidor assim como nas motivações e critérios de decisão pelo destino Algarve, face à análise efectuada anteriormente.

A indústria farmacêutica manteve a sua predominância, em termos de sector de actividade que mais recorre ao consumo de produtos Meeting Industry, seguido da “Banca e Seguros”.

No comparativo anual assistiu-se a uma redistribuição da dimensão dos grupos, tendo os grupos de maior dimensão dado lugar a grupos de dimensões mais reduzidas, observando-se de forma transversal o aumento no número de grupos de menores dimensões, seguindo uma vez mais a tendência mundial instalada para grupos de menores dimensões.

O estudo analisa ainda variáveis como a nacionalidade, a distribuição, sazonalidade, motivações, duração dos eventos, preços médios praticados, % do segmento MI no volume total de negócios e concorrência.
Algarve Meeting Industry Market Survey 2010





Imobiliário e turismo factores críticos de convergência

16 07 2010

Andrew Coutts

O volume da oferta de imobiliário turístico e a taxa de absorção de vendas verificada permite concluir que existe actualmente um desequilíbrio gerado pela fraca procura de mercado, verificada desde 2008. O proprietário movido pelo investimento, ou seja, pelo retorno proveniente das soluções de arrendamento (“buy to let”) ou pela rápida valorização da propriedade verificada até ao inicio da actual crise económica não está activo no Mercado. Os valores do imobiliário turístico verificaram um decréscimo de 10% e 20%, e até o mercado não mostrar sinais de recuperação, a procura existente é motivada por baixas de preços/descontos – “value seekers”.

É certo que, a fraca procura e o consequente estado actual de falta de confiança do mercado é resultante da situação económica vivida nos principais mercados emissores e das fortes medidas de austeridade implementadas por toda a Europa. Por exemplo, no Reino Unido o FTSE caiu 4% na primeira semana de Julho, a quebra dramática do valor das acções da BP teve um forte impacte nos fundos de pensão ingleses, atingindo todo o tipo de investidores, incluindo os “baby boomers”. Quase 1 milhão dos novos desempregados são jovens que voltaram a estar economicamente dependentes dos pais. O receio do aumento das taxas de juro e dos impostos está instalado. Mas as notícias positivas referentes ao mercado imobiliário no Reino Unido, começam a aparecer, tendo o preço médio, em 2010, verificado já um aumento de 3%. Ainda assim, esta leitura macro e micro da situação económica não nos fornece uma imagem clara das condições actuais para efeitos de marketing e deixa os promotores/investidores numa situação em que pouco podem fazer para alterar esta situação ainda que a sua actividade não possa parar. Para onde deverão então ser direccionados os seus esforços? Na minha opinião urge questionar até que ponto o perfil do proprietário de imobiliário turístico terá mudado ou estará a mudar com esta crise, em termos de comportamento. Quais os mercados geográficos emissores que mantêm a apetência de compra de propriedade de imobiliário turístico? Qual o perfil destes potenciais compradores – o que os motiva? Qual o “budget” que têm disponível, que tipo de produtos procuram e para que usos? Quais são os seus hábitos de recolha de informação? Quais são os seus hábitos diários em termos de lazer e de consumo de media? Etc.

Parece-me lógico afirmar que um mercado com menor procura exige que sejamos mais competitivos, a todos os níveis da cadeia de marketing. No contexto dos 4 P’s do marketing mix, produto, preço, promoção e distribuição, considero haver oportunidades para Portugal melhorar o seu posicionamento em termos de produto e distribuição, e isto aplica-se aos diferentes tipos de oferta.

A segmentação, o “targeting”, o “customer relationship management”, a cooperação entre “players” e entidades envolvidas na cadeia de valor assumem agora uma importância acrescida.

Na minha opinião o marketing do turismo residencial do Algarve tem de ser revisitado e urge agarrar a oportunidade de tornar o Destino de novo “moda” e isto deverá ser alvo de uma visão partilhada e de um esforço conjunto de reposicionamento do Algarve enquanto Destino de Turismo Residencial; de cooperação na criação de “buzz” em novos mercados e de uma estratégia conjunta de “e-destination marketing”.

Neste sentido aponto como oportunidades a curto prazo:

Actualização do “market intelligence” existente – quem são os novos potenciais proprietários? Onde estão? O que procuram? Para que fins? Como os vamos atingir de forma eficaz? Quais as condicionantes que temos de ultrapassar? Como podemos ajudar na compra?

Inovação de produto e no “pricing” – produtos “tailor made” e estruturas de preço flexíveis e integradas com a utilização de infra-estruturas de lazer – golfe, centros de wellness, equipamentos náuticos. Entrarão os “fractionals” nas soluções “low cost” que o mercado procura? Um artigo recente do Financial Times, assinado por Graham Norwood, identifica os fractionals como a solução de sonho para quem quer gozar uma propriedade de férias por um periodo anual limitado, uma vez que permite que o custo da propriedade seja dividido por mais do que um proprietário e como tal baixar substancialmente o valor individual do investimento. É um facto que em épocas de recessão o número de pessoas que se pode dar ao luxo de comprar uma unidade de imobiliário turistico no valor de 1 milhão, 1 milhão e meio e por aí em diante é ainda mais limitado. Mas está o sector preparado para agarrar esta oportunidade?

Nichos de mercado – focar em nichos de mercado, sejam eles os “boomers”, a geração Y, os amantes de golfe ou do mar; agrupar perfis de procura de forma a customizar as acções e a comunicação às suas motivações e interesses. Focando por exemplo os “boomers”. É sabido que a América já os trata por “snowbirds”, onde estão? O que procuram? Quais são as suas necessidades? Sofreram alterações no poder de compra? Quais são os seus planos para a reforma? Está o destino preparado para os receber?

Marketing integrado – em qualquer organização o retorno do investimento deverá ser sempre o maior objectivo. Todos os materiais e acções de marketing deverão funcionar de forma integrada, consistente e directamente com as vendas.

Cooperação – há custos que são uma necessidade do sector e que servem cada “player” da cadeia de valor, como sejam a informação de mercado actualizada, a promoção do destino como um todo, etc, e estes custos devem ser optimizados através da cooperação. A mesma cooperação deve estar na base de uma estratégia de comunicação de destino concertada, optimizada, eficaz e “buzzie”. A base para a criação de uma “product management company” regional que tenha por objectivo valorizar a economia turístico residencial do Algarve e integrar de uma vez por todas o turismo residencial na actividade turística.





Ano turístico 2009 com balanço negativo

4 03 2010

A análise da ILM Advisory aos principais indicadores de performance do sector permite concluir que o ano de 2009 foi um ano complicado para o mercado turístico nacional, com fortes impactes ao nível da aviação e da hotelaria, destacando-se no entanto a boa performance verificada ao nível da rubrica dos cruzeiros, ao nível do número de visitantes nos museus nacionais, assim como na venda dos tradicionais pastéis de Belém.

O balanço do ano turístico vivenciado em Portugal apresentado cobriu importantes rubricas do sector, tais como – número de passageiros nos aeroportos e portos nacionais, dormidas efectuadas em estabelecimentos hoteleiros, número de visitantes em atracções turísticas nacionais, entre outras.

A conjuntura de crise económica teve grandes consequências no sector turístico nacional mas foi igualmente sentida na maioria dos destinos turísticos internacionais, com repercussões não só em distintas actividades económicas bem como nos hábitos de lazer dos turistas.

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Portugal 2.010 – ODISSEIA NO ESPAÇO

20 01 2010

Rita Antonieta Neves

O trabalho de estratégia, planeamento e estruturação que o Turismo de Portugal tem vindo a desenvolver, nomeadamente com a criação de instrumentos de trabalho como o PENT ou o “business plan” dos 10 produtos estratégicos, foi crucial na afirmação do Turismo enquanto uma das mais importantes actividades económicas nacionais.
Infelizmente todos temos consciência que se trata de um sector de actividade muito transversal, logo com variáveis em termos de estruturação do produto e optimização da oferta que não são facilmente controláveis. E a tão afamada, desejada e necessária cooperação ao fortalecimento de Portugal enquanto destino turístico no panorama global tem sido uma missão que depreendemos ser difícil de alcançar pois também nós constatamos que a oferta no destino Nacional continua muito centrada em sim mesma, nos seus objectivos individuais e altamente dependente de uma operação turística baseada num modelo de massas, e que insiste em continuar a ignorar as tendências globais em termos da organização da oferta em função dos perfis individuais da procura na busca por experiências únicas, autênticas e memoráveis.
A crise, as preocupações ambientais, a segurança, a democratização da informação, das novas tecnologias e dos transportes aéreos, a escassez de tempo e as novas formas de socializar e comunicar são alguns dos factores que tem vindo a romper com o status quo instalado da operação turística, provocando grandes alterações ao nível da gestão dos destinos e de cada recurso turístico, seja este um hotel, resort, operador turístico, museu, monumento nacional, meio de transporte ou sistema de informação, impondo a necessidade de re´pensar estratégias, modelos de desenvolvimento, gestão, marketing e vendas.

Da entidade máxima responsável pelo desenvolvimento do destino, sub-destinos e produtos e sub-produtos, espera-se uma estrutura cada vez mais clara, aberta e de fácil acesso. Reforçando, por um lado, o seu papel de parceiro que deverá disponibilizar e partilhar informação actualizada sobre as alterações e tendências do mercado e os objectivos traçados por destino e produto. E por outro, o papel de líder responsável por colocar Portugal no “top of the mind” dos turistas nacionais, espanhóis e de todo o mundo, independentemente da sua motivação, promovendo Portugal não apenas como um espaço geográfico mas acima de tudo como um palco de experiências únicas e memoráveis. O líder que deverá ter a capacidade de envolver a comunidade na definição da mensagem que melhor descreve o destino e na partilha de histórias, imagens e das experiências turísticas que a “primeira aldeia global” tem para oferecer, tirando partido do capital humano hospitaleiro que nos caracteriza.

A procura por autenticidade e “edutainment” já há muito que deixou de ser uma tendência. O turista é cada vez mais independente. Não tem tempo para planear, é um cidadão do mundo e tem consciência do quanto a vida é efémera. Vive intensamente, partilha experiências e pertence a grupos de interesse. E Portugal para o conquistar vai ter obrigatoriamente de se adaptar às suas necessidades.

A oferta indiferenciada deixou de fazer sentido e hoje a compra de uma viagem turística não se resume à escolha de um destino, um voo, e um hotel. A viagem começa online, é influenciada por opiniões, fotografias, vídeos, etc e é ditada por uma motivação, sendo que a força do destino e da experiência turística que este proporciona será tão forte quanto a capacidade que este tem em: 1) Captar a atenção do turista, 2) Articular a oferta global em função das necessidades e motivações individuais de cada turista. Seja esta oferta composta por mega resorts, hóteis 5 estrelas ou alojamento local, empresas de animação ou de gestão de património, experiências ou de contadores de histórias, tour operadores, aviação, DMC´s, rent-a-car ou rent-a-burro. 3) Garantir a qualidade da experiência no local, 4) Capacidade de reter este novo “amigo”, manter a relação que iniciou com esta viagem mesmo após o seu regresso e a capacidade de o envolver ao ponto de garantir a partilha da experiência que este teve no destino. Em termos de produto ajustado, o sucesso passará por organizar toda oferta e garantir que quer o turista directamente quer um agente de viagem têm acesso a uma ferramenta que espelha de forma virtual a riqueza e malha consolidada da oferta que cá existe e lhes permite construir de uma forma prática, objectiva e completa uma experiência turística única e ajustada às suas necessidades. Uma ferramenta que agregue toda a oferta e que a disponibiliza de forma prática, fácil, memorável, individual e de fácil acesso, a todos os potenciais turistas para Portugal, agregando recursos e distribuindo-os de forma composta em função da experiência que cada turista deseja viver, no tempo que tem disponível e em função do orçamento que deseja gastar.

A não aplicação das novas técnicas IT na composição deste produto, na comunicação, marketing e vendas é hoje um entrave à afirmação e performance de qualquer destino turístico. O marketing como o conhecemos está gradualmente a ser substituído por um novo marketing que utiliza ferramentas inovadoras que entre outras incluem CRM, geo-marketing, marketing viral, buzz marketing e comunicação 2.0, e-marketing, e-commerce, mobile marketing etc. e o mix destas novas ferramentas, maioritariamente low cost de efeito rápido tende a ter um peso cada vez maior na persecução dos objectivos nacionais.