Luís Patrão quer visitas guiadas ao património cultural nacional

6 12 2010

Leading Sustainable Tourism2

Lisboa, 03 dez (Lusa) – O presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, defendeu hoje, em Lisboa, o investimento em visitas guiadas ao património cultural do país, “para contar a sua história“, e desta forma atrair mais turistas.

O responsável falava no Seminário “Promover Turismo – Capitalizar Cultura”, que decorre durante o dia de hoje na Torre do Tombo, iniciativa do Grupo ILM (Leading Sustainable Tourism) com o apoio do Turismo de Portugal e do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

O turismo tem tudo a ganhar com a actividade cultural. Nós temos um bom produto, a História, o clima, o património, mas não somos ainda capazes de explorar devidamente estas potencialidades“, avaliou Luís Patrão perante uma audiência composta por agentes do sector da cultura e do turismo.

Elogiou projectos do IGESPAR como o da Rota das Catedrais – resultado da cooperação com a Igreja Católica, que envolve 25 Catedrais de todo o país, incluindo Açores e Madeira – mas apontou que “não têm a espectacularidade de outras capitais europeias, portanto não podemos competir com elas”.

O que temos em Portugal é a autenticidade e a História, que deve ser contada no próprio local“, sustentou, defendendo uma maior aposta nas visitas guiadas aos turistas que visitam o país.

Recordou dados de um inquérito realizado em Agosto deste ano, que apontava para a avaliação positiva de 91% dos inquiridos que tinham visitado Portugal, 44% dos quais com expectativas acima do esperado.

Luís Patrão recordou que, desde a criação do Turismo de Portugal, em 2007, tem vindo a apostar numa área nova de actividade: a da ligação entre turismo e cultura, através de projectos que estabeleçam pontes entre os dois sectores.

O turismo não pode andar a pedir a chave à senhora que mora ao lado do castelo porque umas vezes ela está e outras não“, exemplificou, entre as dificuldades o sector enfrenta em Portugal.

Luís Patrão apontou ainda que “há casos em que são exigidas obras, outros em que só falta animação e vontade” para realizar iniciativas de atracção turística.

Uma visita guiada a um monumento durante a qual se conta a sua história pode ser inesquecível“, salientou o presidente do Turismo de Portugal, apontando ainda que o país está na lista dos 20 maiores destinos turísticos do mundo, mas não na lista dos 20 maiores destinos turístico culturais.

Joss Croft, diretor regional europeu da Visit Britain, um organismo que promove o Reino Unido como destino turístico, referiu que 50% das pessoas que visitam o país passam apenas por Londres.

O grande objectivo desta entidade financiada pelo Governo britânico “levar os turistas a explorar o país“.

Nos estudos de mercado que têm efectuado, descobriram que “poucos visitantes se classificam como turistas culturais, mas os seus interesses vão habitualmente lá parar“.

Joss Croft indicou que o Reino Unido é sobretudo procurado pelos museus, pelos pubs (bares populares), pelo futebol e pela história.
(AG)





ILM Advisory reforça área de consultoria a património histórico-cultural

4 11 2010

Leading Sustainable Tourism2

A ILM Advisory oficializou a sua parceria com Simon Ody da “The Visitor Attraction Company”, com o objectivo de poder dar uma resposta especializada às necessidades decorrentes do desenvolvimento, implementação e gestão de equipamentos de lazer e património “visitor attractions”, cuja eficiência seja essencial à sua sustentabilidade.

As “visitor attractions”, atracções turísticas, são actualmente reconhecidas em todo o mundo como uma das mais relevantes motivações das visitas a um determinado equipamento e à região da sua implantação, tanto por parte da população local/regional como por turistas.

A empresa britânica “The Visitor Attraction Company” é precisamente especializada nesta vertente, contando no seu portfolio com “atracções turísticas” de renome, como The Tower of London, The National Museum of New Zealand, os parques Legoland ou o Ferrari Theme Park, em Abu Dhabi.

Segundo Simon Punter, responsável pelo Laboratório de Turismo Cultural da ILM, a oficialização desta parceria com a The Visitor Attraction Company “acontece naturalmente, na sequência da integração do seu consultor, Simon Ody, em vários projectos da ILM, que apresentam uma grande necessidade de conhecimento especializado em desenvolvimento de conceito e sustentabilidade operacional de atracções, à semelhança do já verificado com a Haley Sharpe Design e a ATIVE/ERA Arqueologia”.

De entre diversos trabalhos ligados ao património, em Portugal, desenvolvidos pela equipa do Laboratório de Turismo Cultural da ILM, destacam-se a colaboração com o Museu do Côa, para o IGESPAR e o projecto de reengenharia da frente ribeirinha de Vila Real de Santo António”.

As atracções podem consistir em locais históricos, monumentos, museus, zoos, jardins botânicos, parques naturais e florestas, património cultural imaterial e eventos culturais. Pela sua natureza, características particulares e diferenciadoras, quaisquer exemplos de património podem ser, e na grande generalidade são-no, potenciados turisticamente de forma a atrair visitantes, o que contribui para a sua sustentabilidade.

A oferta de alojamento, gastronomia, experiências, artesanato, acessibilidades e outras componentes são premissas para o visitante poder desfrutar em pleno de uma atracção, e região envolvente. Ora, agregando o conjunto de possibilidades, potencia-se a capacidade de captar visitantes, o que vai gerar um efeito económico multiplicador com significativas consequências socioeconómicas, a nível local ou regional.

Quando executado de forma correcta, o desenvolvimento sustentado de “atracções” constitui uma ferramenta eficiente, não só para a estimulação do turismo e do crescimento económico, como para a conservação da biodiversidade, preservação da cultura e tradições e ainda na criação de emprego para comunidades locais, com especial impacto naquelas que possuem recursos em que o potencial está em bruto.

O compromisso da ILM Advisory com o desenvolvimento sustentável revê-se na oficialização desta parceria, que vem reforçar a sua capacidade de resposta eficaz e eficiente às necessidades tão específicas da operacionalização de activos de lazer.





Turismo, sustentabilidade, cultura e património

26 10 2010

Nelson Carvalheiro

A noção de sustentabilidade da cultura e património enquanto negócio não é nova em Portugal, havendo claramente casos de sucesso como por exemplo a Fundação Serralves ou a Parques Sintra Monte da Lua. No entanto estas são ainda excepções uma vez que a maioria das atracções culturais apenas mantém portas abertas por via de financiamento/subsídio, seja ele local ou central.

Torna-se pertinente constatar alguns factos: 1)A Cultura representa apenas 1,7% do valor do OE que é distribuído por cada entidade dependente do Ministério da Cultura; 2)No caso do IMCInstituto de Museus e Conservação, apenas 38% do total de proveitos são gerados por actividade própria, traduzindo-se em dependência completa por financiamento/subsídio do Estado; 3)O valor correspondente às 34 dependências da Rede Nacional de Museus sob a responsabilidade do IMC, no ano de 2009, não foi suficiente para cobrir as despesas com as remunerações com o pessoal, sendo ainda necessário executar 28% das receitas próprias geradas pelas 34 dependências; 4)A rede nacional de museus registou 2.382.182 entradas em 2009 (um aumento de 12% em relação a 2008) sendo que 62% são gratuitas e 30% das pagas são feitas com 50% de desconto; 5)A soma de visitantes dos equipamentos CCB, Fundação Serralves, Parques de Sintra totaliza cerca de 2.200.000 visitantes por ano.

Tomemos como perspectiva o exemplo do Reino Unido e a sua estratégia concertada para tornar o património e a cultura como um veículo de desenvolvimento. O turismo de base cultural e patrimonial representa uma parte importante na actividade económica do Reino Unido (5ª maior em contribuição para o PIB). Instituições como o VisitBritain, Heritage UK, TheNationalTrust e Heritage Lottery Fundation são precursores de uma política e estratégia sustentável de dinamização do património e cultura para o turista do sec. XXI, onde a interacção pessoal, o storytelling, as experiências e a tecnologia dão resposta às necessidades, curiosidades e expectativas deste visitante.

A capacidade de planear e organizar uma estratégia, envolvendo todos os stakeholders de uma atracção de visitantes (Visitor Attraction), é a chave do sucesso, obrigando a operação destes equipamentos, como em qualquer outro negócio, a uma orientação para a competitividade, garantindo a necessária viabilidade económica da atracção cultural e patrimonial.
Portugal, país com um património e cultura física e imaterial formada durante 900 anos, apresenta um potencial ímpar para o desenvolvimento da actividade turística em torno destes recursos e é de notar e dar valor ao esforço que as instituições centrais e regionais estão a realizar com o intuito de transformar atracções culturais e de património em espaços vivos. O futuro do turismo de base cultural tem de passar pelo fortalecimento desta filosofia e estratégia de dinamização e optimização do potencial de adaptação do património e cultura em “Visitor Attractions” de sucesso. E esta realização não pode depender apenas da disponibilidade financeira do Estado e Autarquias, sendo peremptório a criação de mecanismos que permitam o envolvimento das mais variadas entidades e “stakeholders” neste desenvolvimento. Parcerias, sociedades gestoras e fundações são exemplos de entidades que poderão ser dotadas das capacidades estratégicas, planeamento e gestão do negócio de modo a transformar a atracção cultural numa “Visitor Attraction” de grande interesse turístico, promovendo a autenticidade, a originalidade e a história cultural e patrimonial de Portugal. Não obstante a atracção cultural poder ser o principal motivo de visita, há nesta lógica a oportunidade de promover a gastronomia, artesanato e hotelaria local, e a participação em actividades e experiências na região.

A integração de diferentes experiências potencia o número de visitantes, contribuindo para o aumento das receitas e autonomia do equipamento e das diferentes actividades de suporte (restauração, alojamento, artesanato, “Tours”, actividades entre outros). Com este aumento da receita, novos investimentos poderão ser efectuados tornando-o mais dinâmico e atractivo, garantindo a sua manutenção, competitividade e visibilidade no mercado.

Em forma de conclusão, saliento a importância do planeamento, da estratégia e da visão em função da experiência do visitante. A incorporação de Equipas gestoras profissionais é essencial para que a estratégia e o planeamento sejam exequíveis, gerindo uma atracção cultural como um negócio que não tem apenas que sobreviver, mas sim afirmar-se no mercado, através da criação de mais-valias para o negócio e comunidade.