ILM avança com o desenvolvimento da 2ª edição do Algarve Hotel Research Note

24 09 2010

Leading Sustainable Tourism2

No seguimento do sucesso da edição de 2009 da “Algarve Research Note – Hotéis 5 estrelas”, a ILM Advisory, pelo 2º ano consecutivo, toma a iniciativa de analisar de forma independente os “key performance indicators (KPI’s)” do sector hoteleiro 4* e 5* do Algarve, daquele que foi considerado por muitos um dos verões mais ameaçadores à actividade turística.

A edição “Algarve Hotel Performance 2010 – ILM Advisory Research Note” deverá não só traçar a performance dos hotéis 4 e 5 estrelas, bem como estabelecer um comparativo com igual período de 2009, e compreender quais as expectativas dos directores hoteleiros para o último quadrimestre do ano e de 2010 em geral.

Como “pontapé de saída” à iniciativa, a ILM reuniu Directores Gerais dos Hóteis e outras figuras do sector turístico e hoteleiro Algarvio, na passada terça-feira, num evento que teve lugar na Quinta do Barranco Longo, Algoz.

Além do já habitual networking, este encontro fomentou o debate sobre a importância que o tipo de informação que a ILM propõe desenvolver tem para o sector.

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O destino MADEIRA e a necessidade da adopção de políticas de reposicionamento turístico

3 08 2010

Maria João Silva

Desde o final do mês de Junho que o destino turístico da Madeira tem sido referenciado nas notícias devido à venda iminente da unidade hoteleira Choupana Hills, a uma cadeia hoteleira nacional.

Os principais motivos apontados para tal prendem-se com a inadequada promoção do destino para produtos de nicho, o facto do imóvel em questão não pertencer a uma cadeia de gestão não beneficiando como tal de uma rede de distribuição e marketing, e à dificuldade do destino em ultrapassar a imagem de devastação deixada pelas chuvas torrenciais que se fizeram sentir na região no mês de Fevereiro do corrente ano.

De acordo com um levantamento de mercado efectuado pela ILM no início do mês de Julho, junto de vários especialistas do sector turístico e imobiliário da Madeira, o destino em questão debate-se actualmente com alguns problemas derivados da actual instabilidade económica, os quais tem contribuído para comprometer a visibilidade e competitividade do destino em causa, e que poderá afectar a actividade futura do sector do turismo, caso não se adoptem medidas de acção.

O destino Madeira encontra-se na fase de Maturidade do designado ciclo de vida do produto, sendo essencial adoptarem-se novas estratégias de reposicionamento do destino, para que a Madeira não entre na fase subsequente de Declínio. Este reposicionamento do destino deverá passar, entre outros aspectos, pela captação de novos segmentos de mercado (famílias, casais jovens, meeting industry,…) e de diferentes nacionalidades, de forma a atenuar a forte dependência de um limitado número de mercados – Inglês, Alemão e Português.

Um outro handicap do destino em causa prende-se com a sua forte dependência da Tour Operação, o que associado à localização insular do destino, limita desde logo as ofertas turísticas disponibilizadas pelos tour operadores. É certo que a entrada da companhia aérea low cost Easyjet veio atenuar a forte dependência do destino em Operadores Turísticos, e permitir uma maior visibilidade do mesmo, assim como flexibilidade para o cliente Free Independent Traveler, no entanto a realidade é que o sector turístico da região está ainda muito dependente da actividade e das ofertas efectuadas pelos Operadores Turísticos.

A instabilidade económica e a consequente quebra na procura turística registada na passagem de 2008 para 2009, menos 690 mil dormidas, conduziram os estabelecimentos hoteleiros locais a competirem de uma forma mais agressiva entre si, nomeadamente os estabelecimentos de 5 estrelas, à procura de garantir uma quota de mercado que justificasse a operação dos seus imóveis e a geração de um volume de negócios que lhes permitisse cumprir as responsabilidades assumidas por um investimento substancial, competição essa que passou principalmente por uma redução nos preços praticados. Esta conjuntura conduziu a uma canibalização do mercado, sendo que actualmente os hotéis 5 estrelas praticam preços de 4 estrelas, os quais começam igualmente a praticar preços de 3 estrelas, o que tem necessariamente implicações na imagem e percepção do destino, situação esta que atingiu não só os hotéis independentes, bem como os inseridos em cadeias hoteleiras.

No que toca à promoção do destino Madeira a consulta de mercado desenvolvida pela ILM permite concluir que esta foca-se maioritariamente nos segmentos e produtos tradicionais do destino (Natureza e Sol & Mar) e que é necessário diversificar a promoção para nichos de mercado específicos, os quais estão dispostos a pagar mais por uma experiência única e diferenciadora, algo que se verifica não só na unidade hoteleira actualmente à venda, bem como em tantas outras pequenas unidades de charme localizadas na ilha da Madeira.

Constata-se, desta forma, que o destino Madeira depara-se actualmente com uma valiosa oportunidade de reposicionamento e redefinição de estratégias, públicas e privadas, de combate à actual situação de diminuição do nível da procura, sendo o momento presente determinante para o sucesso futuro do destino.





Experiência Açores. Bastará a substância para proporcionar umas férias inesquecíveis?

3 08 2010

Gonçalo Garcia

Quem me conhece sabe que gosto de passar os meus tempos livres em contacto com a natureza. É algo que me preenche e que me deixa num estado de tranquilidade único.

Sempre que tenho oportunidade, faço por fugir do ritmo acelerado de Lisboa, para paragens mais tranquilas, sem que isso implique necessariamente fazer muito quilómetros, um passeio por Sintra, um tour pelas paisagens bucólicas do Oeste, uma manhã de BTT na Apostiça, uma viagem de ferry para a Comporta ou até mesmo uma corrida no passeio marítimo de Oeiras ao final do dia, é o bastante para despertar a minha atenção para os maravilhosos recursos naturais que o nosso país tem para oferecer.

Movido por esta motivação, tive, no passado mês de Junho, a oportunidade de passar uns dias em família num local onde andava, há já algum tempo, a planear ir – Ilha das Flores – Açores.

Não foi a primeira vez que estive nos Açores, mas foi certamente a mais marcante de todas, positiva e negativamente.

Para um amante da natureza como eu, as Flores são sem dúvida um santuário vivo. A força e exuberância da natureza são por demais. A simplicidade e genuína simpatia das gentes faz-nos sentir bem-vindos. Todo o enquadramento da ilha com o Mar, as enormes quedas de Água, as fajãs, as lagoas, as grutas, os locais de nidificação dos Garajaus, os trilhos e estradas demarcadas pelas Hortenses roxas, rosas e azuis, e claro está os golfinhos e baleias, estabelecem recursos turísticos fabulosos para um destino de eleição.

Mas bastará a substância para proporcionar umas férias inesquecíveis? Será que os recursos turísticos justificam por si só um destino numa ilha de 17km por 12Km, no meio do oceano atlântico, sendo o avião o meio de transporte mais eficiente para chegar, operado por uma única companhia aérea, e onde o clima é uma verdadeira “roleta russa”, em que num dia se pode experienciar as quatro estações do ano.

É evidente que não se podem fazer “omeletas sem ovos”, mas por maior qualidade e certificação que os ovos tenham, há que saber extrair e potenciar o sabor dos mesmos.

A Ilha é de facto extraordinária. Alugando um carro, ou utilizando um táxi, consegue-se percorrer a ilha e visitar os pontos mais interessantes num só dia. Se quisermos mesmo abrandar o ritmo e usufruir de toda a energia que a natureza nos proporciona até o poderemos estender a visita a dois dias. E isto já incluindo., claro está, sair das estradas, entrar nos trilhos e visitar o menos óbvio. Ver as coisas numa outra perspectiva.

Um passeio de Barco, uma ida ao Corvo, ver os Golfinhos, visitar as grutas e nadar em pleno Oceano Atlântico representa mais um dia. Podemos ainda revisitar as localidades da ilha, os parques e os miradouros (isto se o nevoeiro deixar), Jantar no restaurante Pôr do Sol com vista para a América (ali já a 3500 km), ou almoçar em Ponta Delgada, do lado mais agreste e expostos aos ventos do Norte, no restaurante do Meireles com peixe acabado de pescar.

Para mim, tudo isto é espectacular, e dou-o como tempo muito bem empregue.

Agora o que fazer, quando a única companhia aérea que voa inter-ilhas, está a braços com uma greve de 4 dias, e os serviços mínimos (mesmo mínimos) representam um avião diário de 80 lugares que quando chega às Flores já vem na sua capacidade máxima proveniente das outras Ilhas e sem possibilidade de colocar os passageiros nos seus destinos nas datas previstas, e subitamente uma estadia que seria de 5 dias passa para 9 dias? Será que é um brinde numas férias bem passadas?

Estaria a enganar-me se não assumisse que sabe bem termos umas férias prolongadas, pagas por terceiros. Mas o que fazer quando tudo o que está à nossa disposição no destino já foi feito?

Uma experiência que poderia ter sido extraordinária, foi apenas boa. É nestas alturas que se sente falta da integração e da sustentabilidade. Sustentabilidade não é só manter os recursos intocáveis e incrivelmente bem preservados. Tem igualmente a ver com o equilíbrio do uso que se faz destes recursos, e da forma como as comunidades locais poderão beneficiar economicamente com a sua presença e partilha.

É certo que se diz que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, mas devem ter começado num certo dia. O mesmo acredito para esta ilha extraordinária. Não se irá alterar de um momento para o outro, mas coisas simples como, possibilitar a participação em workshops de produção de produtos locais como queijos ou doçaria, viver uma manhã com os pastores locais, alugar duas bicicletas em qualquer localidade da ilha ou participar no desembarque do pescado da faina nocturna, são exemplos de realidades existentes que poderão ser abertas ao turista, proporcionando deste modo uma experiência mais abrangente, completa, integrada e ao serviço da comunidade local.

A médio-longo prazo outras evoluções poderão ser consideradas, especialmente no que concerne à minimização do estatuto periférico da ilha em relação ao arquipélago, e neste sentido, um sistema de transportes inter-ilhas ou algo que nós continentais tomamos por garantido “Internet de Banda Larga” poderão contribuir para elevar a ilha a um destino de excelência.

O Turismo é a forma mais clara onde estas dinâmicas se encontram, e neste sentido, apesar de ter adorado estar nas Flores, acredito que o potencial de desenvolvimento turístico daquela Ilha é enorme – Ilha boutique.

Não é, nem deve ser um local de massas, mas sim um palco de experiências autênticas e inesquecíveis, possibilitando um usufruto pleno de todos os recursos da Ilha, convertendo esta dinâmica para o aumento da qualidade de vida da comunidade local.

Agora só já falta conhecer a Graciosa e Santa Maria……..





É com um gosto especial que a ILM assistiu hoje à inauguração do Museu do Côa.

30 07 2010

Museu do Côa, um projecto no qual nos orgulhamos ter recentemente trabalhado em Equipa com a Haley Sharp Design e a Visitor Attraction Company.

O Museu do Côa representa sem dúvida o primeiro passo na construção de um Destino com mais de 25.000 anos de história e de histórias sobre a idade do gelo, a arte, a comunicação e as gentes que juntas conseguiram travar a construção de uma barragem.

Os nossos mais sinceros parabéns aos Amigos do Côa, aos municípios do Vale do Côa, ao IGESPAR, à UNESCO e a todos nós Portugueses que temos a honra de ter um património arqueológico tão vasto, rico, bem preservado e agora potenciado como o do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Que este equipamento seja sinónimo do tão esperado e merecido desenvolvimento económico da Região.





Turismo Residencial – EXAME Entrevista Andrew Coutts

21 07 2010

Andrew Coutts

EXAMEQue regiões do país reúnem o maior nome de projectos e os empreendimentos de maior envergadura?

Andrew Coutts – O desenvolvimento do turismo residencial está historicamente, desde a década de 60, mais concentrado no Algarve e como tal é aqui que está concentrada a maior fatia de projectos resort e a maior fatia de investimento actual. Além do Algarve podemos considerar existirem na oferta actual de resorts mais 3 pólos, sendo estes o Oeste, que foi ancorado pelo Marriott Praia Del Rey em meados dos anos 90, o Alentejo litoral, ancorado por Troia e o Alqueva. Nestes o Oeste destaca-se pelo seu estado de desenvolvimento mais avançado, com grande parte dos projectos ou em operação ou em fase de desenvolvimento avançado. Podemos considerar o Alqueva quase como sinónimo do grande projecto Parque Alqueva que ao que sabemos está a avançar a bom ritmo com o investimento nas componentes hoteleira e golfe. Mas além deste sabemos que outros projectos estruturantes estão a avançar no Alqueva, entre os quais a Herdade do Mercador da L’And. O Alentejo Litoral foi por certo o destino de turismo residencial nacional mais penalizado de todos, pelo impasse de quase duas décadas a que se viu sujeito. A luz verde é uma realidade muito recente que a Sonae, a Amorim, a família Espírito Santo e o Grupo Queiróz Pereira agarraram com toda a força e cujos resultados estão à vista de todos, através das unidades de imobiliário já construídas, dos hóteis em operação, dos contratos de gestão já assinados entre a Herdade da Comporta e a Amãn, a candidatura à  Ryder Cup, etc.

EXAME – Face aos investimentos que estavam previstos, em que fase se encontram esses mesmos projectos?

Andrew Coutts – Não seria correcto avançar com um número relativo ao investimento que está a avançar e ao que aparentemente está suspenso ou mesmo cancelado, porque neste momento é impossível saber de todos os projectos resort anunciados quais é que estão realmente a avançar, de que forma, a que ritmo e em que fase. Sabemos que no Algarve, projectos como o Resort da Quinta da Praia ou Hilton Alvor, da HN, o Eden Resort, do Grupo Duarte, a Quinta do Freixo, da UIP, o Monte Rey, da Aliber ou o Longevity, avançaram ou estão a avançar. E que no Alentejo Litoral o mesmo acontece com projectos como o Troia Resort, a Herdade da Comporta ou o Costaterra, ainda que a ritmos diferentes e em diferentes fases de desenvolvimento. Mas não nos podemos esquecer que esta crise teve origem num housing crash global, e que estamos a falar de um sector altamente dependente de investimento, que foi fruto de uma especulação desmesurada e altamente dependente de mercados como a Inglaterra, a Irlanda e a Alemanha, onde a crise provocou sérios danos.

EXAME – Quais estão parados e porquê?

Andrew CouttsParados, suspensos ou à procura de investidores estão a grande maioria dos projectos resort planeados. Porquê? Porque estavam numa fase de desenvolvimento que lhes permite esse “wait & see”. Porque os bancos deixaram de injectar dinheiro. Porque os impactes desta crise no sector foram demasiado sérios e graves, veja-se o que aconteceu na vizinha Espanha que estava numa curva de desenvolvimento de produto muito mais avançada e que de repente se viu com projectos em construção completamente abandonados, promotores na bancarrota, etc. Em Portugal o caso mais flagrante verificou-se em Porto Santo, no Colombo’s Resort. Este projecto está completamente suspenso por falta de liquidez financeira para avançar. Facto que levou inclusive à retirada do projecto da Starwood.

EXAME – Quais é que, ainda assim, estão a evoluir?

Andrew Coutts – Por exemplo os mencionados nas respostas anteriores.

EXAME – Que regiões têm sofrido mais com a crise?

Andrew CouttsA crise é global! Mas sem dúvida que está a causar mais impactes nos destinos que se encontram num estado de desenvolvimento turístico mais avançado, onde a oferta é maior, que no caso de Portugal é sem margem para dúvidas o Algarve, nomeadamente nos extremos, ou seja no Barlavento e Sotavento. Mas é como lhe digo a situação no Oeste e no Alentejo Litoral não está muito melhor e com a agravante de, em especial no último caso ainda não se ter afirmado enquanto destino turístico.

EXAME – Quais são as suas expectativas em relação ao desenvolvimento de todos os projetos anunciados?

Andrew CouttsÉ um facto que as crises são cíclicas e que a procura vai regressar mas não podemos pensar que tudo vai continuar igual. O mercado mudou e urge questionar até que ponto o perfil do proprietário de imobiliário turístico terá mudado ou estará a mudar com esta crise, em termos de comportamento. Quais os mercados geográficos emissores que mantêm a apetência de compra de propriedade de imobiliário turístico? Qual o perfil destes potenciais compradores – o que os motiva? Qual o “budget” que têm disponível, que tipo de produtos procuram e para que usos? Etc. Do mercado e dos investidores que estão neste impasse de decisão face aos seus investimentos espero este pragmantismo e esta capacidade de re’pensar os projectos planeados. Reza a história que “the fit will survive”.

EXAME – Quais os grandes desafios que os promotores enfrentam actualmente? Como referi anteriormente conhecer a procura e ajustar as respostas às suas necessidades.

Andrew Coutts – A segmentação, o “add value” decorrente de políticas de serviço diferenciadas, o “targeting”, o “customer relationship management”, a cooperação entre “players” e entidades envolvidas na cadeia de valor assumem agora uma importância acrescida. Assim como a inovação de produto e de “pricing”, através de produtos “tailor made” e estruturas de preço flexíveis e integradas com a utilização de infra-estruturas de lazer – golfe, centros de wellness, equipamentos náuticos. Devemos questionar se esta não será a altura indicada para a entrada de novos modelos de negócio, como os “fractionals”. Um artigo recente do Financial Times, assinado por Graham Norwood, identifica os fractionals como a solução de sonho para quem quer gozar uma propriedade de férias por um período anual limitado, uma vez que permite que o custo da propriedade seja dividido por mais do que um proprietário e como tal baixar substancialmente o valor individual do investimento. É um facto que em épocas de recessão o número de pessoas que se pode dar ao luxo de comprar uma unidade de imobiliário turístico no valor de 1 milhão, 1 milhão e meio e por aí em diante é ainda mais limitado.

EXAME – E quanto já perderam com o facto de os seus projectos estarem parados?

Andrew Coutts – Quando se fala em perca, e sobretudo em projectos turísticos, deve-se ter em consideração dois grandes parâmetros, nomeadamente: a perca decorrente da não concretização de transacções económicas, estando esta intimamente relacionada com projectos em fase de comercialização / operação, e a perca decorrente do custo de oportunidade.   É sobretudo esta última noção que mais “dores de cabeça” tem trazido aos promotores nacionais. Estes dois patamares correspondem a critérios tangíveis e intangíveis, facto pelo qual se torna muito complicado quantificar o valor da perca. Se por ventura a perca decorrente pela não concretização de transacções económicas é algo que possa ser estimado com relativa sensibilidade, já as questões associadas a factores de credibilidade, confiança, e percas decorrentes de alternativas de investimento não concretizadas apresentam um elevado grau de incerteza e quantificação.

Para além do mais, e sendo certo que o turismo é um sector de actividade compósito e transversal a diferentes sectores de actividade, pode-se afirmar que a perca originada pela estagnação económica que se tem verificado, tem repercussões não só directas para os próprios promotores, como também representa uma diminuição do contributo que aqueles projectos poderiam proporcionar para a economia nacional.   Assim sendo, quando se fala em dimensão da perca, é importante ter a noção que esta não se restringe apenas à questão material de não efectivação de transacções económicas, tendo igualmente um grau de intangibilidade e transversalidade à economia nacional, podendo-se afirmar que esta é considerável.





Concretizado o sonho de TER… e agora? Tempo para soluções low cost advisory

16 07 2010

Maria João Silva

Nos dias que correm, muitos são aqueles que procuram uma vida mais tranquila, longe do rebuliço da cidade e em perfeita harmonia com a Natureza. Quando decidem fazê-lo, muitos ambicionam recomeçar e apostar num novo rumo profissional, sendo que, em alguns casos, isso significa concretizar um sonho de vida: possuir um TERTurismo em Espaço Rural.

As motivações, para tal, são inúmeras: uma forte ligação à terra onde se nasceu, uma herança familiar constituída por um terreno ou um edifício com (ou onde se crê que exista) um forte potencial turístico, uma boa reforma ainda em idade activa, e sobretudo o desejo de bem receber.

As motivações para TER são de facto as mais diversas, sendo que as apresentadas não abarcam certamente nem um terço das possíveis. Porém a realidade é que, na grande maioria dos casos, os actuais proprietários de espaços rurais não possuem formação na área do turismo, nem encaram esta actividade como um negócio que tem de ser viável, competitivo e com um papel muito importante no desenvolvimento turístico da região onde se insere. Denota-se sem dúvida, uma vontade extrema em bem servir os hóspedes, em garantir que estes ficam satisfeitos com o serviço prestado e o produto encontrado, mas no entanto e, em simultâneo, assiste-se a fortes lacunas do ponto de vista da gestão, do poder negocial e da capacidade para comunicar e desenvolver diferentes canais de distribuição, lacunas estas que acabam por condicionar a viabilidade de muitos dos TER’s localizados em território nacional.

A sobrevivência desta tipologia de empreendimentos turísticos exige cada vez mais a qualificação da oferta existente através da manutenção de redes de apoio à gestão que vão muito além das estruturas de distribuição existentes.

Estas redes de apoio à gestão, baseadas num modelo integrado, devem ter por objectivo potenciar sinergias entre distintas unidades por forma a garantir uma redução dos custos de operação, uma maximização dos esforços de distribuição e comunicação, uma melhor adaptabilidade do produto às necessidades do(s) mercado(s), uma maximização do potencial turístico da propriedade e, consequentemente da região enquanto destino TER de referência, num  panorama global cada vez mais competitivo.

Não obstante, esta gestão integrada que poderá passar pela operação de uma central de compras, marketing e reservas dedicada, bem como, por exemplo de um serviço de lavandaria conjunto, pressupõe-se que cada TER deverá manter a identidade e o carisma que o caracterizam, enquanto espaços de alojamento único, de resguardo, tranquilidade, contacto com a natureza e interacção com as pessoas e a envolvente, sendo estes os factores diferenciadores que lhe permitem sobreviver num mercado tendencialmente mais competitivo. O turista que procura esta tipologia de empreendimentos turísticos pretende beneficiar de um serviço mais personalizado, menos massificado e, acima de tudo, tirar proveito da autenticidade inerente a estas propriedades.

Foi a pensar nas necessidades práticas inerentes à gestão destas pequenas unidades de Turismo em Espaço Rural e nas iniciativas castradas pela falta de recursos, que criámos uma solução de  low cost advisory que permite a operacionalização destas redes de gestão integradas e, a nível individual, dar resposta às necessidades dos proprietários e potenciais proprietários de TER’s ou de outras unidades de alojamento de pequena dimensão, com capacidades de investimento mais reduzidas, mas que ambicionam servir com excelência o sector do turismo nacional. Com esta abordagem pretende-se não só envolver o investidor em todo o processo de concepção e materialização do seu sonho de TER, mas também ensiná-lo e prepará-lo para algumas das realidades inerentes ao sector da hotelaria para as quais poderá não estar preparado devido à sua falta de experiência no sector.

Foquemo-nos por exemplo na região do Alentejo, onde os TER constituem a principal tipologia de empreendimentos turísticos. Num futuro próximo, os cerca de 35 projectos turísticos existentes para a região já terão sem dúvida alguma, ultrapassado em número de camas e, muito provavelmente, afectado a oferta das cerca de 170 unidades de turismo em espaço rural existentes actualmente na região. A força de vendas de que os novos empreendimentos turísticos irão beneficiar, alguns geridos por marcas internacionais (Hyatt Hotels & Resorts, Alila Hotels & Resorts, Banyan Tree, entre outras), seguramente limitará a visibilidade dos TER, sendo por isso essencial que estas unidades de alojamento se unam com o intuito de se promoverem de uma forma mais eficaz e agressiva. Ainda relativamente aos TER do Alentejo, diríamos que a profissionalização e promoção conjunta contribuirão igualmente para, mais do que tudo a nível internacional, potenciarem um destino turístico distinto daqueles a que os mercados externos estão habituados a associar à imagem de Portugal.

À semelhança do que acontece em destinos como a Provence, a Córsega, a Galiza, entre outros sub-destinos que se caracterizam pelo seu ambiente rural, é plausível acreditar que também Portugal tem regiões que assim se possam vir a afirmar no panorama turístico global. Para tal, é necessário que se criem mecanismos que promovam a cooperação e qualificação da oferta rural existente e potencial, e que se disponibilizem ferramentas que permitam a estas unidades estar a par da realidade do sector. É igualmente fulcral a existência de recursos humanos especializados que apoiem estes TER na adaptação às exigências do sector.

É de felicitar todos aqueles que desejam empreender e que escolhem o turismo e a hotelaria para o fazer. No entanto, cabe-nos alertar para a necessidade deste investimento de vida ser feito em consciência e de forma sustentável, tendo em conta as tendências de mercado, os factores críticos de sucesso da operação, bem como as oportunidades e as ameaças inerentes a esta tomada de decisão, sendo que, no caso do sonho TER há que é garantir que o sonho ao materializar-se seja um sucesso e uma referência não só para o proprietário, bem como para todos aqueles que poderão vir a beneficiar do mesmo.





Portugal 2.010 – ODISSEIA NO ESPAÇO

20 01 2010

Rita Antonieta Neves

O trabalho de estratégia, planeamento e estruturação que o Turismo de Portugal tem vindo a desenvolver, nomeadamente com a criação de instrumentos de trabalho como o PENT ou o “business plan” dos 10 produtos estratégicos, foi crucial na afirmação do Turismo enquanto uma das mais importantes actividades económicas nacionais.
Infelizmente todos temos consciência que se trata de um sector de actividade muito transversal, logo com variáveis em termos de estruturação do produto e optimização da oferta que não são facilmente controláveis. E a tão afamada, desejada e necessária cooperação ao fortalecimento de Portugal enquanto destino turístico no panorama global tem sido uma missão que depreendemos ser difícil de alcançar pois também nós constatamos que a oferta no destino Nacional continua muito centrada em sim mesma, nos seus objectivos individuais e altamente dependente de uma operação turística baseada num modelo de massas, e que insiste em continuar a ignorar as tendências globais em termos da organização da oferta em função dos perfis individuais da procura na busca por experiências únicas, autênticas e memoráveis.
A crise, as preocupações ambientais, a segurança, a democratização da informação, das novas tecnologias e dos transportes aéreos, a escassez de tempo e as novas formas de socializar e comunicar são alguns dos factores que tem vindo a romper com o status quo instalado da operação turística, provocando grandes alterações ao nível da gestão dos destinos e de cada recurso turístico, seja este um hotel, resort, operador turístico, museu, monumento nacional, meio de transporte ou sistema de informação, impondo a necessidade de re´pensar estratégias, modelos de desenvolvimento, gestão, marketing e vendas.

Da entidade máxima responsável pelo desenvolvimento do destino, sub-destinos e produtos e sub-produtos, espera-se uma estrutura cada vez mais clara, aberta e de fácil acesso. Reforçando, por um lado, o seu papel de parceiro que deverá disponibilizar e partilhar informação actualizada sobre as alterações e tendências do mercado e os objectivos traçados por destino e produto. E por outro, o papel de líder responsável por colocar Portugal no “top of the mind” dos turistas nacionais, espanhóis e de todo o mundo, independentemente da sua motivação, promovendo Portugal não apenas como um espaço geográfico mas acima de tudo como um palco de experiências únicas e memoráveis. O líder que deverá ter a capacidade de envolver a comunidade na definição da mensagem que melhor descreve o destino e na partilha de histórias, imagens e das experiências turísticas que a “primeira aldeia global” tem para oferecer, tirando partido do capital humano hospitaleiro que nos caracteriza.

A procura por autenticidade e “edutainment” já há muito que deixou de ser uma tendência. O turista é cada vez mais independente. Não tem tempo para planear, é um cidadão do mundo e tem consciência do quanto a vida é efémera. Vive intensamente, partilha experiências e pertence a grupos de interesse. E Portugal para o conquistar vai ter obrigatoriamente de se adaptar às suas necessidades.

A oferta indiferenciada deixou de fazer sentido e hoje a compra de uma viagem turística não se resume à escolha de um destino, um voo, e um hotel. A viagem começa online, é influenciada por opiniões, fotografias, vídeos, etc e é ditada por uma motivação, sendo que a força do destino e da experiência turística que este proporciona será tão forte quanto a capacidade que este tem em: 1) Captar a atenção do turista, 2) Articular a oferta global em função das necessidades e motivações individuais de cada turista. Seja esta oferta composta por mega resorts, hóteis 5 estrelas ou alojamento local, empresas de animação ou de gestão de património, experiências ou de contadores de histórias, tour operadores, aviação, DMC´s, rent-a-car ou rent-a-burro. 3) Garantir a qualidade da experiência no local, 4) Capacidade de reter este novo “amigo”, manter a relação que iniciou com esta viagem mesmo após o seu regresso e a capacidade de o envolver ao ponto de garantir a partilha da experiência que este teve no destino. Em termos de produto ajustado, o sucesso passará por organizar toda oferta e garantir que quer o turista directamente quer um agente de viagem têm acesso a uma ferramenta que espelha de forma virtual a riqueza e malha consolidada da oferta que cá existe e lhes permite construir de uma forma prática, objectiva e completa uma experiência turística única e ajustada às suas necessidades. Uma ferramenta que agregue toda a oferta e que a disponibiliza de forma prática, fácil, memorável, individual e de fácil acesso, a todos os potenciais turistas para Portugal, agregando recursos e distribuindo-os de forma composta em função da experiência que cada turista deseja viver, no tempo que tem disponível e em função do orçamento que deseja gastar.

A não aplicação das novas técnicas IT na composição deste produto, na comunicação, marketing e vendas é hoje um entrave à afirmação e performance de qualquer destino turístico. O marketing como o conhecemos está gradualmente a ser substituído por um novo marketing que utiliza ferramentas inovadoras que entre outras incluem CRM, geo-marketing, marketing viral, buzz marketing e comunicação 2.0, e-marketing, e-commerce, mobile marketing etc. e o mix destas novas ferramentas, maioritariamente low cost de efeito rápido tende a ter um peso cada vez maior na persecução dos objectivos nacionais.