O Mundo já lhe chama Culturtainment

17 11 2010

Rita Antonieta Neves

A cultura é sem dúvida uma das mais importantes motivações de visita a uma região. De forma a alimentar o Laboratório de Turismo Cultural, a ILM analisa todos os meses as entradas de visitantes em Museus, Monumentos e outros activos culturais, confirmando que estes facilmente atraem diferentes tipos de públicos, desde os mais jovens aos mais velhos, venham estes sozinhos, em casal ou em grupos de amigos, familiares ou escolas.
Um pouco por todo lado o património histórico-cultural de grande interesse turístico tem vindo a ser desenvolvido e gerido de forma a promover verdadeiras experiências culturais – culturtainment. A forma como se contam a(s) história(s) dos objectos, os eventos, as personagens, o cuidado do design que serve de palco à exibição do acervo cultural e a forma como se promove a interacção entre o visitante e este, proporcionam um contexto único e diferenciador de aprendizagem e(m) lazer.

A nível mundial a cultura tornou-se um importante factor soft de motivação da visita em qualquer destino, e um factor chave de competitividade e aumento da atractividade económica e social a nível regional e local. A economia das experiências, definida como a oferta de experiências que conjugam aprendizagem com entretenimento, deu origem a uma competição crescente entre activos culturais e outras infra-estruturas de lazer.

O turismo educacional apresenta-se sem dúvida como uma tendência de consumo. O turista procura cada vez mais experiências que promovam a mudança entre estados de espírito, que lhe permitam desenvolver o pensamento, lhe sirvam de inspiração e ao mesmo tempo o divirtam. Destaca-se a vontade crescente de partilha dos conhecimentos sobre uma determinada cultura, facto que contribui para o aumento da sua compreensão e consequente importância.

Mas o desenvolvimento deste turismo cultural de carácter educativo através da interacção pode estar seriamente condicionado se continuar a ser gerido unilateralmente e se não for optimizado pelo destino global. As condicionantes ao seu desenvolvimento incluem o aumento da concorrência, a ausência de uma gestão profissional, quer a nível operacional como de planeamento de experiências, e a pressão crescente em conseguir despertar o interesse de um visitante cada vez mais sofisticado, que tem cada vez menos tempo, mais hipóteses de escolha e que sabe tirar o melhor partido das diferentes ferramentas de informação que tem ao seu dispor, nomeadamente da internet.
De salientar que na economia das experiências em que vivemos os produtos são desenvolvidos em função das necessidades da procura e não da oferta, contrariando o que se verifica em muitos dos nossos activos culturais. A tendência crescente é para que a oferta e a procura caminhem a par e passo, não comprometendo a riqueza da herança histórica e cultural mas sim valorizando-a, optimizando-a e promovendo o seu desenvolvimento económico e social sustentável.

O Turismo cultural é portanto um excelente veículo para estimular a cooperação entre os diferentes agentes públicos (entidades do Turismo, do património, dos museus, autarquias…) e privados (investidores, mecenas, fundações, hotelaria), promover o desenvolvimento sustentável atraindo mais turistas para uma região e consequentemente aumentar as receitas locais, gerar mais emprego e outras mais-valias sociais. A cultura deverá ser então usada como base à optimização da identidade regional e o marketing de destino deverá ser a ferramenta de gestão de eleição promovendo a identificação de uma identidade única e distintiva através da analise do DNA cultural de um destino, ou seja de todos os recursos históricos, culturais, ambientais e sociais que caracterizam o destino e a sua autenticidade. Estes recursos podem ser ícones, locais especiais (ex: promontório sagrado), eventos históricos (ex: guerras peninsulares), personagens (ex: Pedro e Inês ou mesmo as pinturas rupestres do Côa), entre outros suficientemente fortes para dar origem a uma viagem de descoberta, a um story telling diferenciador e catalisador de experiências.

Este potencial de catalisador deve ser optimizado ao ponto de promover a ligação através da história e da cultura entre destinos mesmo a nível transfronteiriço (ex: os descobrimentos), pelo que a criação de “hubs” culturais é vital e exige cooperação na perseguição de um objectivo global que trará benefícios para todos: para a hotelaria que precisa de vender camas com valor acrescentado, para o Turismo do destino que precisa de ancorar os seus esforços em factores de autenticidade únicos e memoráveis, para o sector das viagens que está velozmente a adaptar-se às necessidades de experiências do turista do séc. XXI.

O desenvolvimento conjunto de produto turístico diferenciador fortalece, torna visível e tangível a identidade do destino e acarreta benefícios para todos, incluindo para um património que tantas vezes teima em viver de costas voltadas para a prosperidade que a economia do turismo lhe pode garantir, ou mesmo para uma região que teima em ser destino mas não consegue entender que a cultura local pode ser o seu maior trunfo.

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ILM, Turismo de Portugal e IGESPAR organizam Seminário Promover Turismo, Capitalizar Cultura

11 11 2010

ILM, Turismo de Portugal e IGESPAR organizam Seminário Promover Turismo, Capitalizar Cultura

O Grupo ILM, com o apoio do Turismo de Portugal e do IGESPAR, está a organizar o SeminárioPromover o Turismo ~ Capitalizar a Cultura” dirigido especialmente aos intervenientes das áreas do Turismo e Cultura em Portugal, que se realiza no dia 3 de Dezembro na Torre do Tombo em Lisboa.

O Seminário, de um dia, promete fomentar o debate entre entidades chave do sector público e privado do Turismo e da Cultura sobre a importância da sustentabilidade do património cultural, seu planeamento, estratégia e visão, em função da experiência do visitante e turista enquanto factores críticos e catalisador de sucesso ao seu desenvolvimento.

O tema contextualiza-se na optimização do património cultural nacional recorrendo à sua recuperação e/ou operação sustentável, com foco nas necessidades de experiências educacionais e culturais dos visitantes, sem comprometer a autenticidade e nobreza do património e da cultura.

Promover o Turismo ~ Capitalizar a Cultura” pretende constituir uma oportunidade de reforçar o diálogo entre turismo e cultura como forma de criar sinergias e simbioses sustentáveis, produzindo benefícios socioeconómicos para todos os seus stakeholders.

Serão apresentados exemplos de boas práticas em cooperação, organização, gestão e financiamento através dos casos de sucesso de VisitBritain, Hadrian’s Wall Country e Heritage Lottery Fund UK.

ALGUNS DOS ORADORES CONFIRMADOS:
_Luís Patrão – Presidente Turismo de Portugal
_Gonçalo Couceiro – Director – IGESPAR
_Joss Croft, Visit Britain
_Emma Carver, English Heritage
_Gareth Maeer, Heritage Lottery Fund
_Linda Tuttiett, C.E.O Hadrians Wall Country
_Alisdair Hinshelwood, Director HaleySharpDesign
_Simon Ody, Director The Visitor Attraction Company

Para download do programa e ficha de incrição clique AQUI

Para mais informações, por favor contactar:

Organização Seminário
ILM Group
Nelson Carvalheiro
Av. da Liberdade Nº230, 1º Piso, 1250-148 Lisboa
Tel: 210 305 027(8)
E-mail: ncarvalheiro@ilm-group.com

Logistica Seminário
CPL Events
Linda Pereira
Rua das Calçadas, Vivenda Pereira, 1º andar, 2755‐277 Cascais
Tel: 21 400 35 40
Fax: 21 406 08 29
E‐mail: heritage@cplevents.pt

Comunicação Seminário
Fonte-Consultores de Comunicação
Maria João Pinto Coelho
Rua de S. Bernardo, 60 C, 1200-826 Lisboa
Tel: 21 392 99 90
Fax: +351 21 392 99 99
E-mail: maria.coelho@fontecomunicacao.pt





Turismo, sustentabilidade, cultura e património

26 10 2010

Nelson Carvalheiro

A noção de sustentabilidade da cultura e património enquanto negócio não é nova em Portugal, havendo claramente casos de sucesso como por exemplo a Fundação Serralves ou a Parques Sintra Monte da Lua. No entanto estas são ainda excepções uma vez que a maioria das atracções culturais apenas mantém portas abertas por via de financiamento/subsídio, seja ele local ou central.

Torna-se pertinente constatar alguns factos: 1)A Cultura representa apenas 1,7% do valor do OE que é distribuído por cada entidade dependente do Ministério da Cultura; 2)No caso do IMCInstituto de Museus e Conservação, apenas 38% do total de proveitos são gerados por actividade própria, traduzindo-se em dependência completa por financiamento/subsídio do Estado; 3)O valor correspondente às 34 dependências da Rede Nacional de Museus sob a responsabilidade do IMC, no ano de 2009, não foi suficiente para cobrir as despesas com as remunerações com o pessoal, sendo ainda necessário executar 28% das receitas próprias geradas pelas 34 dependências; 4)A rede nacional de museus registou 2.382.182 entradas em 2009 (um aumento de 12% em relação a 2008) sendo que 62% são gratuitas e 30% das pagas são feitas com 50% de desconto; 5)A soma de visitantes dos equipamentos CCB, Fundação Serralves, Parques de Sintra totaliza cerca de 2.200.000 visitantes por ano.

Tomemos como perspectiva o exemplo do Reino Unido e a sua estratégia concertada para tornar o património e a cultura como um veículo de desenvolvimento. O turismo de base cultural e patrimonial representa uma parte importante na actividade económica do Reino Unido (5ª maior em contribuição para o PIB). Instituições como o VisitBritain, Heritage UK, TheNationalTrust e Heritage Lottery Fundation são precursores de uma política e estratégia sustentável de dinamização do património e cultura para o turista do sec. XXI, onde a interacção pessoal, o storytelling, as experiências e a tecnologia dão resposta às necessidades, curiosidades e expectativas deste visitante.

A capacidade de planear e organizar uma estratégia, envolvendo todos os stakeholders de uma atracção de visitantes (Visitor Attraction), é a chave do sucesso, obrigando a operação destes equipamentos, como em qualquer outro negócio, a uma orientação para a competitividade, garantindo a necessária viabilidade económica da atracção cultural e patrimonial.
Portugal, país com um património e cultura física e imaterial formada durante 900 anos, apresenta um potencial ímpar para o desenvolvimento da actividade turística em torno destes recursos e é de notar e dar valor ao esforço que as instituições centrais e regionais estão a realizar com o intuito de transformar atracções culturais e de património em espaços vivos. O futuro do turismo de base cultural tem de passar pelo fortalecimento desta filosofia e estratégia de dinamização e optimização do potencial de adaptação do património e cultura em “Visitor Attractions” de sucesso. E esta realização não pode depender apenas da disponibilidade financeira do Estado e Autarquias, sendo peremptório a criação de mecanismos que permitam o envolvimento das mais variadas entidades e “stakeholders” neste desenvolvimento. Parcerias, sociedades gestoras e fundações são exemplos de entidades que poderão ser dotadas das capacidades estratégicas, planeamento e gestão do negócio de modo a transformar a atracção cultural numa “Visitor Attraction” de grande interesse turístico, promovendo a autenticidade, a originalidade e a história cultural e patrimonial de Portugal. Não obstante a atracção cultural poder ser o principal motivo de visita, há nesta lógica a oportunidade de promover a gastronomia, artesanato e hotelaria local, e a participação em actividades e experiências na região.

A integração de diferentes experiências potencia o número de visitantes, contribuindo para o aumento das receitas e autonomia do equipamento e das diferentes actividades de suporte (restauração, alojamento, artesanato, “Tours”, actividades entre outros). Com este aumento da receita, novos investimentos poderão ser efectuados tornando-o mais dinâmico e atractivo, garantindo a sua manutenção, competitividade e visibilidade no mercado.

Em forma de conclusão, saliento a importância do planeamento, da estratégia e da visão em função da experiência do visitante. A incorporação de Equipas gestoras profissionais é essencial para que a estratégia e o planeamento sejam exequíveis, gerindo uma atracção cultural como um negócio que não tem apenas que sobreviver, mas sim afirmar-se no mercado, através da criação de mais-valias para o negócio e comunidade.





É com um gosto especial que a ILM assistiu hoje à inauguração do Museu do Côa.

30 07 2010

Museu do Côa, um projecto no qual nos orgulhamos ter recentemente trabalhado em Equipa com a Haley Sharp Design e a Visitor Attraction Company.

O Museu do Côa representa sem dúvida o primeiro passo na construção de um Destino com mais de 25.000 anos de história e de histórias sobre a idade do gelo, a arte, a comunicação e as gentes que juntas conseguiram travar a construção de uma barragem.

Os nossos mais sinceros parabéns aos Amigos do Côa, aos municípios do Vale do Côa, ao IGESPAR, à UNESCO e a todos nós Portugueses que temos a honra de ter um património arqueológico tão vasto, rico, bem preservado e agora potenciado como o do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Que este equipamento seja sinónimo do tão esperado e merecido desenvolvimento económico da Região.